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August 01 O fotógrafo>Eu sou fotógrafo. Tenho 32 anos e gosto de tirar fotos dos cemitérios. Meus trabalhos são bem conhecidos, mas mesmo sendo o único a fazer este tipo de trabalho no Brasil, eu estava desempregado. >Mantenho sempre em ordem meus e-mails para receber propostas nesta área. > >Recebi uma mensagem para entrar em um grupo. (Grupo é onde algumas pessoas que tem gostos parecidos se encontram para comentar algo em comum. Depois de cadastrado enviamos uma mensagem para o e-mail do grupo e todos que estiverem cadastrados lá recebem esta mensagem). > >Eu me cadastrei porque fui convidado para mostrar o meu trabalho para eles. >Era um grupo de Magnatas que procuravam pessoas com trabalhos diversificados. Embora o nome do grupo não tivesse nada relacionado a isso. > >Na parte de entrada do grupo mostrava a quantidade de pessoas que estavam lá, 283 estavam cadastrados. > >Conheci o casal Martiniano, acho que eram moderadores do grupo, pois eles eram os que mais organizavam os comentários e enviavam muitas mensagens. Os nomes deles Eram Sarah Martiniano da Silva e Rogério Martiniano da Silva. > >Logo que coloquei a primeira mensagem no grupo o pessoal começou a enviar muitas mensagens de boas vindas e diziam como estavam contentes em ter mais um integrante no grupo. Queriam me conhecer completamente. Perguntavam sobre >o meu trabalho, as minhas fotos, quanto tempo eu tinha essa profissão etc. > >Aos poucos fui conhecendo o pessoal. Eram as pessoas mais variadas em profissões e idades bem diferentes das outras. Engenheiros, advogados e estudantes. Os assuntos eram dos mais diversos. Mas todos tinham algo em comum. Eles não saiam muito! Ficavam no computador por horas. > >Sarah era muito legal e falava com todos com seu jeito bem simpático. Ela me disse que queria ver amostras do meu trabalho, pois estava escrevendo um livro e acharia interessante as fotos dos cemitérios que tirei, e me pediu >uma amostra. > >Eu tinha um portfólio invejável, mais de mil imagens sobre tudo relativo a cemitérios no Brasil. Então coloquei uma amostra de 30 imagens nos arquivos do grupo. Assim todos poderiam dar uma boa olhada no meu trabalho. Realmente >adoraram. Falaram que as fotos estavam muito nítidas e com muitos detalhes que só um fotógrafo profissional poderia dar. > >Fiquei muito contente com o elogio. A Sarah ficou muito agradecida e já estávamos fazendo negócio para enviar muitas imagens com um preço bem agradável de 45 mil reais. Fiquei besta com o acordo. Mas ela queria ver todas as fotos. Isso iria me dar um trabalho e tanto. Mas aceitei. > >Enquanto eu escaneava as fotos e colocava no grupo o pessoal ficava cada vez mais amigo meu; as meninas do grupo me tinham como um deus. Respondiam todas as mensagens que eu colocava lá e queriam saber tudo sobre mim. Realmente >era o melhor grupo que eu conhecia. Elas não tinham ciúmes das outras e ficavam dizendo que eu poderia ficar com todas e podia enviar mensagens poéticas para elas sem problemas porque elas não eram ciumentas e até mesmo a Sarah dizia que o marido dela deixaria que eu saísse com ela >tranqüilamente. Todas tinham paixão pelo gótico, pois comentavam sobre as fotos que eu tirava de cemitérios e adoravam ver todo o meu trabalho. Pediam mais; eram viciados por fotos assim e isso me deixava mais empolgado. > >Mas um dia notei algo estranho. No começo achava comum alguns saírem, mas em uma semana o grupo perdeu mais de 100 associados e então perguntei que estava havendo. Foi quando fiquei encanado. Todos desconversavam. Até mesmo algumas meninas tinham saído do grupo e eu podia jurar que eu as tinha em minhas mãos. Uma pena. Mas eu percebi que o marido de Sarah não estava mais no grupo. Ela disse que teve que viajar urgente, mas que o contrato sobre o livro estava aberto e que eu deveria continuar a enviar as fotos para o >grupo. > >Como eu escaneava as fotos em resolução baixa (72 dpi é a resolução apenas para internet e não dá para publicar em revistas e jornais por ser muito pequena.) continuei colocando no grupo. E em uma noite eu havia colocado >todas as fotos que eu tinha nos arquivos do grupo. > >Enviei uma mensagem para o grupo dizendo que todas as fotos de cemitério que tirei estavam lá. Fiquei esperando as mensagens de elogios sobre o meu trabalho, mas não era bem isso que estava acontecendo. > >Fui então para a página inicial do grupo onde continha o número de participantes. Quando me deparei com a surpresa. > >Estava diminuindo a quantidade de pessoas do grupo rapidamente. > >Fiquei em pânico. Enviava um monte de mensagens para o grupo perguntando o que estava acontecendo. Por que estavam abandonando o grupo. > >Não tive nenhuma resposta. De cem pessoas diminuiu para 30 e foi diminuindo pela madrugada adentro até que ficou apenas um. > >Era uma menina de 14 anos. Nunca falava no grupo. Seu nome era Michelle. >Perguntei porque ela não havia saído também e se ela sabia de algo. > >Ela foi muito clara e direta. > >- As fotos do cemitério. As lápides! Veja os nomes das lápides! Veja os nomes dos túmulos. > >Eram eles! Todos mortos, Sarah e Rogério, em cemitérios diferentes. A foto do túmulo do Rogério eu coloquei primeiro, por isso ele foi primeiro que ela, e estavam aqui para ver seu próprio túmulo. Eu mostrei para cada um >deles sua própria lápide, seu próprio túmulo mostrando que estavam realmente mortos. > >Meu Deus! Eu não podia acreditar. Devia estar ficando louco. Tinha que ver isso. > >Fiquei com um arrepio macabro e com muito medo de tudo isso. > >Verifiquei cada foto, cada imagem. Algumas realmente tinham nomes de pessoas que estavam no grupo. > >Todos estavam lá. Fiquei conversando horas com Michelle e não sabíamos como eles tinham entrado neste grupo e nem sobre como morreram, pois as fotos foram tiradas em vários cemitérios. > >- Michelle que aventura louca. Sabe se eu contasse aqui para o pessoal não acreditariam. Bom vou sair do grupo para nunca mais voltar. Obrigado por me ajudar a solucionar tudo isso. > >Ela enviou uma única mensagem. > >- Vai me deixar aqui sozinha? Não vai achar meu túmulo? Por favor, me ajude!!! > >Novamente o arrepio passa por todo o meu corpo quase ficando sem forças para falar e com o coração saltando pela boca. > >O que eu faço? > >Não havia muitas respostas lógicas e nem sei se o que eu estava fazendo tinha explicação. > >Peguei minha câmera e comecei a vasculhar os cemitérios da cidade. Eu tinha o nome inteiro dela. Nomes dos pais, tudo. > >Finalmente eu achei seu túmulo. Tirei várias fotos, escaneei e coloquei no grupo quando finalmente o grupo ficou só com uma pessoa. Eu! > >Decidi que nunca mais entraria em algum grupo na internet. Eu devia ter desconfiado de tudo isso já que o nome do grupo era bem sugestivo: "Almas Penadas". > >Mas algo deu errado. > >Eu não conseguia sair do grupo. > >Fui promovido a moderador do grupo? Não conseguia sair. > >O que estava acontecendo? Eu era uma alma penada também? > >Foi quando eu vi o número de participantes. Estava aparecendo novos cadastrados e aumentando de 10 para 50 para 70 e continuava crescendo. > >Foi quando recebi a primeira mensagem. > >- Me ajudem! Cadê meu túmulo? > > > >Por Adriano Siqueira >www.adoravelnoite.com >lord_dri@terra.com.br > >MINHA COMUNIDADE > >http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5202115 TrackbacksThe trackback URL for this entry is: http://contosmacabros2.spaces.live.com/blog/cns!62CBA66057C21C3!169.trak Weblogs that reference this entry
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