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July 31 Na cadeire de balançoNa cadeira de balanço...
Sentado em sua repousante cadeira, ele estava como se adormecido. Apenas ouvia o tic –tac, irritante do relógio de parede que se encontrava à sua frente.
Estava só todos haviam saído. Agora estava naquela apatia física, seus olhos se limitavam a ver as horas passarem lentamente. Parecia uma eternidade que ele se encontrava naquela posição, no entanto só passara meia hora. Desde que ele se colocara naquela situação de relaxamento total do seu físico. Naquele pequeno tempo, vasculhara sua mente para fazer uma análise daquele dia. A mente, no entanto se perdia diante da enormidade de fatos que preenchiam aquele e todos os outros dias. Sua mulher e filhos haviam saído para fazer uma visita a parentes dela. Ele, porém, preferira ficar em casa por se sentir cansado e esgotado. Ainda era considerado jovem. A força e o vigor ainda eram constantes, no entanto naquele dia, sentira-se cansado e sem vontade de sair, razão pela qual ficara em casa sozinho. Sentado e naquela situação achou melhor levantar-se para deitar-se, enquanto poderia esperar pela família, porém o excesso de cansaço impedia-lhe que seus movimentos se realizassem, então preferiu espera-los sentado no lugar onde se encontrava.
O irritante martelar do relógio parecia querer enlouquecê-lo. Lembrou-se de quando o comprara para sua esposa como presente de aniversário. Ouvia ruídos distante, sons dos carros e os passos das pessoas que transitavam pela rua, porém somente o irritante tic tac do relógio lhe incomodava. Tentou levantar-se novamente, porém não conseguiu mover-se da posição em que se encontrava e foi obrigado a ficar calado e imóvel. Procurando se acalmar resolveu esperar pela família, que decerto iriam tira-lo daquele horrendo sonho, com ares de pesadelo. Como tetraplégico apenas seu olhos se moviam e percorriam o ambiente em que se encontrava. Os sons e ruídos da rua chegavam aos seus ouvidos e lhe dava a sensação de impotente imobilidade. Mil pensamentos passavam pela cabeça, onde indagações lhe angustiava e o tempo como seu carrasco, passava lentamente. Ouviu o som de um carro que parou em frente à sua casa. Seria sua família? Suas esperanças voltaram com a perspectiva de ver a família.Eles poderiam lhe ajudar a sair daquele pesadelo que lhe atormentava há mais de hora.
O barulho da porta que se abriu e a voz de seu filho reacendeu sua alegria e esperança. Depois que entrarem o filho mais velho perguntou: --Papai, está acordado? Quis responder, porém sua boca não obedeceu ao comando e continuou sem poder fazer o menor movimento. Apenas via e ouvia. --Papai, papai, está ouvindo, está acordado? Então viu seu filho mais velho se aproximar e tentar movê-lo, porém só ouviu dele a voz, num misto de horror e desespero. --Mamãe, mamãe venha depressa, o papai está morto. Créditos:Vanderlei Estacio Maia
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