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    July 20

    Os mortos de Wilson

    Enfim, sua morte foi decretada.
    Depois de cometer diversas aquelas mortes sem explicação, a data da sua morte foi revelada.
    Naquele dia, pra ser mais exata, 16 de abril de 2006, Wilson até que acordou tranqüilo, tomou aquele café aguado e comeu aquele pão adormecido sem reclamar.
    Pegou a Bíblia, rezou, mas não pediu perdão. Também, nem merecia.
    A única coisa que pediu foi uma companhia pra poder conversar.
    Como Wilson não tinha amigos, resolveu chamar a sua advogada Renata que o acompanhou durante todos aqueles anos.
    - Wilson, seu pedido foi atendido, sua advogada esta aqui. – disse Fernando um dos guardas que estava fazendo hora extra naquele dia.
    - Que bom, pode mandar ela entrar – disse Wilson.
    Renata, uma das advogadas criminais, mas bem cotadas para defender casos difíceis, estava triste naquele momento. Sabia que Wilson era culpado por todas as mortes, mas aprendeu a gostar daquele jeitão maluco que ele tinha.
    A porta se abre e só se escutava o barulho do seu salto ecoando no corredor.
    Ela chega na cela de Wilson e a primeira coisa que faz quando seus olhos se encontram com os dele é abrir um sorriso.
    Há ! Aquele sorriso,que encantava Wilson,cada vez que ela aparecia.
    - Como vai Wilson – disse Renata com a voz em um tom triste.
    - Tranqüilo,minha missão aqui na Terra,esta quase finalizada. – disse Wilson num tom de ironia.
    - Hoje sou toda ouvidos,Wilson,pode começar. – disse Renata.
    Wilson deu um suspiro e começou a falar.
    Quando eu era adolescente,eu tinha um amigo chamado Felipe,desde que nos falamos pela primeira vez,nunca mais no separamos.
    Fazíamos todas as coisas mais legais,jogávamos bola,íamos pra escola,fazíamos bagunça. Ele era um amigo muito querido,até que...
    Wilson ficou em silêncio por um instante.
    - ... Até que um dia ele foi à minha casa,tínhamos combinado de assistir um filme de terror,que a muito era disputado na locadora. Quando chegamos na minha casa,eu disse a ele pra esperar só um momento,que eu ia até meu quarto pegar o filme que eu tinha pegado mais cedo na locadora. Quando voltei,não o encontrei na sala,comecei a chamá-lo,e ele não respondia,comecei a procurá-lo pela casa quando não acreditei na cena que vi. Cheguei no corredor entre a cozinha e o banheiro e ele estava lá espiando minha mãe pelo buraco da fechadura do banheiro.
    Eu não conseguia acreditar que ele estava chegando aquele ponto de faltar o respeito com a minha mãe.
    Não o atrapalhei ,fui até a despensa e peguei a fio de pesca que meu pai mais gostava .Fui até a sala de leitura e deixei o rolo de fio lá.
    Quando voltei na sala,ele já estava lá.O questionei onde estava e ele disse que tinha ido ao banheiro.
    Ainda tirei um sarrinho dele dizendo que ele não tinha chacoalhado direito, pois tinha molhado as calças. Ele olhou pra baixo morrendo de vergonha,mas eu sabia que não era xixi que tinha molhado aquelas calças.
    Eu o chamei na sala de leitura com a desculpa de mostrar algo que ele não conhecia na casa.
    Chegando lá,ele ficou impressionado com tantos livros.Enquanto ele observava a estante eu peguei o fio de pesca ,passei no seu pescoço com toda força e o enforquei até seus olhos saltarem pra fora.
    Não sei explicar como eu consegui fazer aquilo com meu melhor amigo,mas quando eu o vi espiando minha mãe me deu uma raiva...
    Renata ouvia sem interromper.
    - Não descobriram no primeiro momento.Deram-se conta do sumiço dele,o procuraram por todas as partes,mas eu o escondi,dentro da sala de leitura por alguns dias e depois o enterrei lá no quintal.Foi dado como seqüestrado.
    Meses depois,como uma sede de sangue incontrolável que brotava dentro do meu peito,resolvi matar mais uma vez.E Dessa vez era uma menina do meu colégio Fernanda era o nome dela.
    Toda empinadinha ,Toda chatinha,resolvi...Era ela.Então eu a segui pra ver onde morava. Pra marcar bem onde seria o ato.
    No outro dia fiz o que tinha em mente. Quando cheguei na frente do terreno baldio que tinha na rua da sua casa a peguei pelos cabelos e a arrastei para o meio do mato. Ela pensou em gritar ,mas dei um soco tão forte em seu rosto que a danada desmaio,Então,eu arranquei toda a sua roupa e com uma faca que eu tinha pegado da cozinha da minha mãe .Enfiei a faca em seu pescoço e a destrinchei até sua vagina,ela ficou com praticamente todos os órgão pra fora.
    A enterrei lá mesmo,e ninguém descobriu até aquele dia.
    - O dia em que a policia te pegou?
    - Sim.
    - Naquele dia eu matei dentro do cinema. - gargalhou Wilson,assustando Renata.
    Eu vim seguindo aquele casal,desde a bilheteira estava viciado em matar.Matar era muito prazeroso pra mim,era uma doença.Um vicio.
    Sentei na fileira atrás deles.Quando a sessão estava na metade,passei a faca na garganta dos dois.A gritaria foi geral,mas o meu prazer foi imenso,eu ria e gargalhava sem parar...Passava a mão nos pescoços cheios de sangue ainda quente.Passava aquele sangue em meu rosto e tive a certeza de que nasci com aquele dom,o dom de matar.
    Mas logo os seguranças chegaram e me pegaram,e ai conheci à senhora.
    - Ai,na delegacia você confessou tudo,as outras mortes,os corpos...Enfim.E por isso esta aqui hoje.Mas por que decidiu recontar essa história pra mim?
    - Não sei.Foi uma espécie de desabafo.Desculpe Renata.
    - Não se lamente Wilson,bem,esta preparado para ir,faltam quinze minutos?
    - Sim estou – disse Wilson aliviado.
    Em instantes os guardas vieram ,e o levaram para a sala onde ficava a cadeira elétrica.
    Fizeram toda a preparação ,e antes de Wilson,ele pegou na mão de Renata e olhando em seus olhos lhe disse:
    - Meu corpo vai,mas minha alma fica aqui.
    - Renata, não entendeu,apenas deu um sorriso nervoso.
    Enfim,Wilson foi executado,o cheiro de carne queimada infestou o lugar.
    Os mortos de Wilson ,finalmente estavam vingados.
    Renata saiu do recinto e foi imediatamente para sua casa.Se sentindo super mal,foi direto ao banheiro. Lavou o rosto ergue a cabeça e olhou no espelho.Pensou ter visto alguém atrás dela,olhou o banheiro rapidamente e nada viu.
    Lavou o rosto novamente,ergueu a cabeça e diante do espelho abriu os olhos.
    Deu um grito quando pode ver em seus olhos a alma de Wilson refletida em seu olhar e só naquele momento pode perceber que Wilson não tinha embora,e que a sua maldade continuaria pelos atos que ela mesma passaria a cometer.
    Fim.

    Renata Rodrigues da Silva
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