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    July 19

    Feliz ano novo

    Faltavam alguns dias para trinta e um de dezembro do ano de dois mil e cinco e Cris já estava toda animada com os preparativos para o novo ano.
    Ela sempre comentava com sua irmã Juliana como ela adorava a festa de Reveillon, principalmente quando passavam na praia.
    - Esse ano o Leonardo vai? – perguntou Juliana.
    - Ele vai sim Ju, nossa eu estou tão apaixonada por ele sabia – suspirou Cri.
    - Cris, cuidado pra não se machucar, você se lembra da sua ultima paixão.
    - Mas dessa vez vai ser diferente.
    Leonardo tinha avisado a sua família que iria viajar com a família de Cris, estava praticamente tudo pronto para irem.
    A família de Cris tinha uma casa no litoral paulista e todo ano era a mesma rotina, primeiro iam os tios Olavo e Tatiana para ir ajeitando as coisas, limpar a casa encher a despensa e depois o pessoal ia conforme fossem sendo liberados dos seus afazeres normais. A família de Cris sempre era a última a ir, pois Paulo, pai de Cris e Juliana trabalhava sempre até o dia trinta.
    Malas prontas e lá foi Cris, Juliana e sua família todos fazendo festa. Chegando a casa encontraram seus tios e primos. Leonardo adorou a família de Cris, pois eles eram muito animados.
    Todos se ajeitaram e como chegaram no meio da tarde, Juliana e Cris resolveram ir a praia, tomar um pouco de sol.
    Chegando na praia, Juliana foi correndo em direção ao mar.
    - Cuidado minha irmã. - pensou isso enquanto olhava Juliana pular sobre as ondas, Cris não conseguia tirar os olhos dela. Em uma fração de segundos Cris pode ver a água se transformar em sangue. Cris não sabia o que estava acontecendo, mas as imagens vieram a sua cabeça como um furacão. O mar de sangue com ondas fortes foi trazendo o corpo de Juliana todo em pedaços para a beirada.
    Cris saiu gritando e chorando chamando por sua irmã. Todos que estavam na praia ficaram olhando sem entender nada.
    - Cris?Amor? – chamava Leonardo
    - Leonardo ajuda minha irmã – chorava Cris.
    - Que foi? Calma Cris, Calma.
    Quando conseguiu se acalmar Cris percebeu que nada daquilo tinha acontecido. O mar estava calmo e sua irmã estava a sua frente com os olhos arregalados, de tão assustada que ficou.
    Cris não entendeu por que teve aquele tipo de visão, nunca tinha passado por nada parecido.
    Chegaram em casa, e Juliana contou a seus pais tudo o que tinha acontecido. Todos ficaram preocupados e até queriam procurar um médico, mas Cris não deixou. Disse a eles que já estava tudo bem e que ela só queria descansar um pouco.

    Leonardo acompanhou a namorada até o quarto e ficou com ela acariciando seus cabelos.
    - Dorme meu amor, se prepara pra amanhã, sua família esta preparando um grande festa e você tem que se animar.
    Cris adormeceu. Nunca tinha se sentido tão segura nos braços de alguém como nos dele.
    Durante o sono Cris teve um terrível pesadelo. Sonhou que no dia da virada de ano, lindos fogos explodiam no céu, Todos de branco, comemorando mais um ano que se iniciava Juliana espoleta que era jogava champagne nos tios, que por sinal odiavam.
    No sonho Juliana perguntava a irmã:
    - Vamos pular as sete ondas?
    - Ai minha irmã, mas eu estou com esse vestido novo, vai você, vai.
    E Juliana corria para o mar. No sonho um tumulto assustou a todos e Cris correu para ver, deu um grito de horror quando percebeu que a irmã estava toda roxa e machucada, como se tivesse sido devorada e seus olhos estava semi-abertos.
    - Cris!Cris acorda! – gritou Leonardo Assustado.
    - O que foi?O que aconteceu?Cadê a Juliana? – perguntava Cris assustada.
    - Eu estou aqui minha irmã, o que foi?
    Cris abraçou a irmã com muita força e disse pela primeira vez de uma forma explicita que a amava.
    Juliana deu uma gargalhada.
    - Que foi sua louca, eu não tenho dinheiro não – ria a irmã.
    Leonardo olhou para Cris e a abraçou.
    - Foi só um pesadelo meu amor.
    - Não pode ser primeiro eu tive aquela visão na praia e agora este pesadelo.
    - Cris, fica calma, foi só um pesadelo.
    - Mas,e se for um pressagio,sabe uma premonição e...
    Leonardo tampou a boca da namorada que resolveu não dizer mais nada.
    - Que horas são? – perguntou ela.
    - São exatamente nove horas e quarenta e cinco minutos do dia trinta e um de dezembro de dois mil e cinco – disse Leonardo rindo e olhando no relógio.
    Todos da casa já tinham levantado. A mesa do café estava posta. A maioria tinha levantado cedo pra arrumar a casa logo à noite.
    Juliana continuava atentando o seu tio Olavo.
    Cris sentada na mesa só observava. Sabia que Tio Olavo ficava irritado com Juliana, mas gostava da forma com que ela o tratava.
    - Come amor, senão vai ficar com fome.
    O dia passou rápido, trazendo uma noite quente e estrelada. Era sinal de que o ano novo viria com força total.
    Por alguns momentos Cris sentia uma tristeza tão profunda. O que a fez chorar por vários momentos durante o dia.
    Como de costume,quando ia chegando próximo a virada todos da família seguiam para a beira do mar ,levavam champagne, uvas.
    Quando chegaram à praia já estava cheia. Acharam um lugarzinho e se acomodaram.
    Cris estava com medo de olhar em direção ao mar e ter aquela visão novamente.
    - Cris, eu queria te agradecer por me amar – disse carinhosamente Juliana.
    A irmã sorriu.
    - Amor à contagem regressiva vai começar – disse Leonardo sorrindo.
    - 10
    - 09
    - 08
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    - 06
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    - 03
    - 02
    - 01
    - FELIZ ANO NOVO!- Gritavam todos em uma só voz.
    Todos se abraçavam e desejam felicidades no novo ano que se iniciava.
    Leonardo pegou Cris no colo e repetia sem parar que a amava mais que tudo. Lindos fogos explodiam no céu.
    - Cris, Léo, vamos pular as sete ondas – gritava Juliana.
    - Não Juliana, fica aqui – disse Cris assustada.
    - Que isso, ta louca, eu vou sim – disse Juliana saindo correndo em direção ao mar.
    Cris pulou do colo de Leonardo correndo atrás da irmã.
    Leonardo apalpou os bolsos, mas não encontrou o que procurava. Ele tinha comprado um presente para dar a Crise acabou esquecendo em casa. Como era pertinho dali avisou aos pais da namorada que já voltava. 
    - Vem Cris, vamos pular juntas – sorria Juliana entrando cada vez, mas para o fundo do mar.
    - Volta Ju, por favor – gritava Cris, acompanhando a irmã.
    Juliana ia pulando as ondas e a cada onda um novo pedido. Cris com os nervos a flor da pele só pedia pra irmã voltar.
    Quando terminou de pular as ondas Juliana deu um mergulho e demorou pra voltar.
    Cris só escutava o murmurinho das pessoas e o barulho das ondas.
    - Juliana – gritava Cris procurando por todos os lados a irmã.
    O medo de alguma coisa ruim começou a deixar Cris à beira da loucura.
    Mas em um só pulo Juliana levantou e sorriu para a irmã. Foi voltando calmamente.
    - Pronto bobona, já pedi a iemanjá o que eu quero e você perdeu sua chance. – disse Juliana caminhando para fora da água.
    Quando Cris se virou viu seu pai acenando com a mão e gritando o nome dela.
    Tentou correr para ver o que era, mas a força da água não deixava.
    - Que foi pai, o que aconteceu – disse Cris.
    - Filha é o Léo, ele foi até lá em casa buscar um presente pra você, mas no caminho sofreu um acidente terrível.
    - O que pai? – disse Cris em estado de choque.
    - Cadê ele pai, eu quero ver o Leonardo – tentava passar pelo seu pai que não deixava.
    - Filha, não, por favor, o acidente foi muito feio.
    Juliana assustada correu na frente. Cris conseguiu escapar e correu atrás da irmã.
    Quando chegou no local Cris teve a pior visão da sua vida.
    Lá estava Leonardo esticado no chão, com um dos braços pendurado por um pedaço de pele, a sua perna esquerda estava em carne viva e estava torcida para trás. O rosto estava ensangüentado e os olhos estavam abertos olhando para a mão direita na qual estava uma caixinha. Cris estava em choque gritava e chorava pelo namorado morto.
    - Cris eu fui falar com o cara que o atropelou, ele disse que o Leonardo atravessou sem olhar e ele estava vindo em alta velocidade e não pode evitar a batida. – disse Juliana mais assustada com a irmã.
    O socorro chegou, mas somente para retirar o corpo do local. O velório e o enterro procederam.
    Cris não se conformava com tudo o que tinha acontecido.
    - Cris, antes de a ambulância tirar o corpo do Léo lá da rua eu peguei a caixinha que estava na mão dele, afinal era um presente pra você.
    - Obrigada Ju – disse Cris carinhosamente.
    Cris foi para seu quarto, estava triste demais para fazer qualquer outra coisa. Com a caixinha na mão resolveu abrir para ver o que Leonardo tinha lhe reservado.
    Era uma corrente com um pingente que tinha a foto dos dois.
    Cris sorriu e imediatamente colocou o presente no pescoço na qual não tirou mais.
    - A morte me pregou um peça – pensou ela olhando para o jardim pela janela do seu quarto.
    Sentou-se novamente na cama, sentiu um estranho frio na espinha e segundos depois na sua frente se formou uma figura com um manto preto e um cajado na mão.
    Cris estava paralisada não conseguia correr nem gritar.
    Aquele coisa abaixou até ela a encarou, mas ela não tinha rosto. O vulto pegou no queixo de Cris deu uma gargalhada e perguntou:
    - Preparada pra outra Cris,  FELIZ ANO NOVO – disse aquilo e imediatamente sumiu,deixando medo no ar.
    - Não, dessa vez não.
    Cris disse isso e se atirou pela janela tirando a própria vida e anulando qualquer chance da morte pregar uma peça nela outra vez.
     

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