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    July 15

    A maldição da bruxa

    O grande sonho da família de Caio era que um dia ele se tornasse padre. Já era uma tradição e Caio não poderia decepcioná-los.
    Todo domingo ia à missa com os pais, foi coroinha, e estudou desde pequeno em colégio de padres.
    Naquele dia Caio iria finalmente se formar. A família fez uma grande festa, afinal era o sonho deles. Chamou todos os conhecidos, menos Dona Fabiana.
    Dona Fabiana era uma velha senhora que vivia isolada do povoado local, todos a temiam, pois ela era praticante de bruxaria, não tinha parente e nem amigos.
    Primeiro aconteceu uma missa em comemoração aos jovens que estavam se formando e depois um grande almoço. Enquanto todos comiam,riam e conversavam,Caio notou que Dona Fabiana estava do lado de fora só observando. Caio sentiu até um pouco de pena, e pensou em chamá-la, mas antes de fazer isso sua mãe se aproximou:
    - O que foi Caio, por que esta olhando pra ela?
    - Não sei, ela só me chamou a atenção, será que não deveríamos convidá-la?
    - Você esta louco meu filho, essa mulher é uma bruxa, temos é que expulsa-la daqui.
    Natalia disse isso ao filho, se dirigiu a Dona Fabiana e aos gritos disse:
    - O que você quer velha nojenta, sai daqui sua bruxa, antes que a gente te apedreje.
    Todos pararam o que estavam fazendo para dar apoio a Natalia e começaram a ofender Dona Fabiana.
    A velha olhou a todos com ódio, principalmente a Caio e foi embora.
    A festa continuou até o final da tarde, mas Caio estava intrigado com os insultos a velha senhora.
    No dia seguinte, Caio já começou os seus trabalhos na igreja, uma rotina na qual ele já estava acostumado, com algumas coisas acrescentadas.
    Ficou no confessionário, escutando o que todos tinham a dizer, principalmente as velhas senhoras. Às vezes elas nem tinham nada de importante a dizer, parecia que aquilo era uma obrigação e que tinham que bater ponto na igreja.
    Final de tarde, depois de uma dia até que tranqüilo, Caio estava fechando a igreja quando encontrou Dona Fabiana.
    - Olá senhora, posso ajudá-la?
    Ela não respondeu.
    Ele intrigado perguntou novamente:
    - Dona Fabiana posso ajudá-la?
    Ela estendeu as mãos em direção a ele e disse:
    - Em nome do senhor das trevas eu te amaldiçoou, tu somente verás o mal, nem a tua própria fé te salvará.
    Ó Senhor das trevas, guia essa alma até o inferno, e que a vida dele seja o verdadeiro martírio.
    Que o inferno seja a sua nova morada e que tudo de ruim o acompanhe a partir desse momento até que se complete um dia de minha maldição.
    Vingue-me o Senhor do mal, vingue-me por todo o ódio que tenho dessa cidade e desse povo.
    Amem.
    Caio nem se mexeu, não sabia o que dizer. Dona Fabiana seguiu o seu caminho.
    Quando ele chegou a casa não teve coragem de contar a mãe, afinal achou que aquilo era um delírio de uma velha senhora e se contasse, ela faria um verdadeiro mutirão para insultar Dona Fabiana.
    Acima de tudo se considerava um homem de bem, não queria ver o mal de nenhum ser vivo, então depois do jantar foi até seu quarto, se ajoelhou e pediu a Deus que abençoasse aquela que lhe o amaldiçoou.
    Tomou um banho, deitou-se, mas antes de fechar os olhos acreditava ter visto um vulto próximo à janela, achou que era a sua imaginação, pois não acreditava em assombração.
    Fechou os olhos e quando abriu viu o vulto de uma mulher parada ao lado da cama. A mulher vestia somente uma camisola, Caio pode perceber que ela não era desconhecida era Cristiane sua vizinha.
    Ele sentou-se na cama e perguntou o que ela queria, Ela abriu a camisola e Caio pode perceber que tinha um ferimento no peito em forma de crucifixo. Caio levantou-se e quando foi pedir para que ela se vestisse o vulto simplesmente desapareceu.
    Ele ficou confuso com tudo aquilo, escutou vozes na rua, então resolveu olhar pela janela, viu um pequeno tumulto, resolveu ir ver o que aconteceu.
    Não pode acreditar quando viu aquele corpo pendurado na arvore era o de Cristiane estava morta.
    Caio ficou horrorizado, chorou muito e pediu a Deus que confortasse os pais da jovem.
    - Caio, aconteceu alguma coisa? - gritou Cristiane da janela.
    Caio a olhou sem entender nada, e quando olhou ao seu redor percebeu que esta sozinho e nada do que tinha visto estava acontecendo.
    Correu pra casa e trancou-se no quarto. Não conseguiu dormir, só rezar e ficar pensando no que estava acontecendo.
    Pela manhã resolveu ir até a cozinha tomar café, abatido desceu as escadas, mas ao entrar no corredor percebeu que havia algo de errado, de costas para a porta estava sua Mãe Natalia e Seu Pai Bartolomeu sentados nas cadeiras. A água estava fervendo no fogão, mas ela não levantava pra passar o café.
    Ele chamou pelos pais e caminhou lentamente,quando se deparou com o rosto dos dois, gritou.
    Eles estavam mortos, estavam sem os olhos que estavam em uma de suas mãos e na outra os dois seguravam um crucifixo.
    Caio chorava e gritava ao mesmo tempo. Questionava Deus o porquê daquilo.
    - O que esta acontecendo?Ajude-me meu Deus.
    - Caio meu filho o que foi?- disse Natalia assustada.
    - Hã?Mas...
    Bartolomeu não entendeu nada e ficou preocupado com o filho.
    Depois da visão e do susto Caio tomou um pouco de café, mas não conseguia comer.
    Resolveu sair pra rua, mas a cada canto que olhava via pessoas mortas.
    Resolveu ir para a igreja rezar, mas no caminho se deparou com o que o pessoal chamava de espíritos maléficos.
    Fechou os olhos, mas ao tentar passar um deles deu um soco em seu rosto fazendo com que todos os outros que estavam ao redor fizessem o mesmo.
    As pessoas na rua olhavam em não entendiam nada, somente viam Caio caindo e se debatendo no chão, achavam que eles estava tendo um ataque, ninguém tinha coragem de chegar perto.
    Só Caio sabia o que estava passando,quando conseguia olhar no rosto daqueles vultos,via o próprio demônio.
    Por um momento Caio conseguiu se levantar e correr para a igreja, mas ao chegar percebeu que a porta estava trancada.
    Um vento forte começou na cidade como se fosse um furacão.
    Ajoelhou-se e suplicou clemência a Deus, mas ele somente conseguia ver mortos ao seu lado. Caio não conseguia parar de gritar.
    Todos da cidade já estava boquiabertos com o que estava acontecendo. Na porta da igreja só se ouvia Caio tentando rezar qualquer oração, mas apesar de ser um homem religioso nada lhe vinha à cabeça.
    Natalia e Bartolomeu foram chamados, tentaram chegar perto do filho, mas foram afastados aos socos, Caio não conseguia reconhecer nem os pais.
    Dona Fabiana só observava de longe. Bartolomeu a viu e começou a falar.
    - O que você esta olhando velha bruxa, tenho certeza que a culpa é sua.
    Neste momento todos se voltaram para a velha e começaram a falar mal-la.
    - Eu sou a única que posso salvar o jovem padre, pois fui eu que joguei a maldição nele.
    - Maldição?Tira isso do meu filho... - disse furioso Bartolomeu.
    - Não posso, ainda falta muito para completar as vinte quatro horas do feitiço.
    - Velha asquerosa, Deus te amaldiçoe – Disse Natalia indo pra cima de Dona Mariana que com um só sinal fez com que a mulher voasse alguns metros.
    Todos ficaram assustados, alguns até correram de medo.
    - Eu quero que vocês entendam, eu tenho o poder e posso fazer de vocês o que eu quiser como eu fiz com o próprio padre. O bem existe, mas nem sempre prevalece. Vocês sempre me humilharam, e eu muitas das vezes ajudei pessoas daqui... Quem precisou de ajuda sabe o que estou falando. Nunca fui reconhecida e agora eu me vingo fazendo Caio sofrer. Ele não é um homem de Deus, vamos ver se ele agüenta a fúria do demônio.
    Dona Fabiana aponta pra ele que esta caído no chão e o joga contra a parede da igreja. A batida á tão forte que faz Caio entrar na igreja e cair próximo ao altar.
    A batida na porta faz com que as estruturas da igreja se abalem. O sino começa a badalar. Muitos pressentiam o final dos tempos, pelo menos para aquela cidade.
    Dona Fabiana gargalhava, os espíritos agora estavam próximos a ela.
    E quanto mais o sino badalava, mas deixava a cidade com medo da velha bruxa que finalmente mostrou o que era.
    - O mal sempre vence seus idiotas, e é por isso que hoje eu Amaldiçoou essa cidade, você viveram o verdadeiro inferno em vida.
    - ó espíritos do mal, infernizem essa gente que nunca mereceu o bem.
    O vento fica mais forte.
    Enquanto do lado de fora da igreja Dona Fabiana amaldiçoava a todos, lá dentro caído aos pés de Cristo, Caio pronunciava o que ele achava que seriam as suas ultimas palavras.
    - Meu pai, livrai-nos do mau Amém – falou baixinho desmaiando em seguida.
    O sino badalou mais forte, e cada vez mais forte até que em um momento a igreja ameaçou desmoronar. Todos corriam de medo.
    O sino se desprendeu caindo em poucos segundos em cima da velha senhora a esmagando e separando seu corpo em pedaços, jogando sangue pra todos os lados.
    Caio abriu os olhos e ainda muito machucado pode levantar-se e caminhar até a porta da igreja vendo aquela cena horrível.
    A maldição tinha acabado e o mal finalmente vencido.

    Fim.

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