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July 14 Sem SaidasAquela era uma vizinhança como qualquer outra. Onde se podia ficar no patio de casa sem maiores preocupações. Samanta era uma garota de 17 anos que morava com seus pais no bairro. Todos os dias ela saia para a escola exatamente as 7 horas junto com seus pais, que iam trabalhar na cidade vizinha. Ao meio dia Samanta voltava para casa de onibus com suas colegas e passava o resto de dia sozinha, estudando e ouvindo musica enquanto seus pais não chegavam.
Samanta dorme, tem sonhos confusos e conturbados... ela sua, a cama parece pequena demais para todos os seus movimentos. Até que ela acorda como se tivesse sido acertada por algo. Ela olha as horas, eram 3 horas da manhã. Se levanta, vai até a cozinha e bebe um copo de agua, se acalma e volta para seu quarto. Ela não consegue dormir, parece que o susto do pesadelo ainda a acompanha, ela não lembra o que havia sonhado, o que a deixava mais perturbada. Por mais que pensasse e tentasse, o pesadelo não lhe voltava a memoria. Samanta passa o resto da noite em claro, se mexendo na cama até a hora de acordar. Tudo ocorre normalmente, tomam café tranquilamente: - Sá querida, está tudo bem? Você parece meio abatida...
- Está tudo bem mãe... só não consegui dormir muito bem. - Bom, então pelo menos se alimente bem, não quero que passe mal na escola. - Está bem dona preocupação. A Mãe, dona Carmem faz um pequeno carinho na cabeça da filha antes de continuar o café da manhã. Eles saem de casa no mesmo horário e só no caminho Samanta percebeu que havia esquecido um livro importante...mas resolve dar um jeito na escola mesmo... voltar no atual momento não era possivel.
Como imaginava o livro não fora um grande problema, e quando viu já estava no horário de voltar para casa. Um sentimento ruim a acompanhava, como o que tivera durante a noite, mas o ignorou, pois achou que fosse alguma bobagem. Chegou em casa e foi logo para a cozinha procurar algo para comer, também havia esquecido seu dinheiro em casa, nisso não comera nada durante a manhã. Comeu, arrumou a cozinha e foi para o quarto estudar um pouco. Acabou adormecendo graças ao cansaço da noite anterior. Um pequeno ruido de galhos secos quebra o silencio da rua, tão tranquila naquele horario do dia. Novos barulhos surgem e Samanta acorda de um salto. Ela está sonolenta e acaba confusa sem saber o que a despertou, até que ouve sons na varanda da casa. Samanta desce logo as escadas, pensa ser Mariana sua vizinha que resolveu lhe visitar, mas ao chegar no corredor vê três hoens forçando a porta da entrada de sua casa. Samanta se apavora e corre de volta para seu quarto e tranca a porta. Pensa em ligar para os pais, mas se dá conta de que no seu quarto não há telefone. Ela abre a porta do quarto para poder chegar até o aparelho, mas bem nessa hora a porta da casa se abre e os homens entram. Num ataque de panico ela bate a porta com força chamando a atenção dos invasores. Ela corre para baixo da cama, mas passos na escada já podem ser ouvidos. Quarto por quarto é conferido e revirado. Jóias são levadas e moveis são quebrados. Por baixo da porta Samanta vê a sombra de dois homens, e nesse momento a porta é aberta brutamente. Eles começam a vasculhar o quarto, Samanta se encolhe mais em baixo da cama, com esperanças que sua colcha lhe esconda de tais homens. Mas é tarde de mais. Sua perna é puxada, e ela pode ver os dois homens. O que lhe puxava era moreno, alto com feições brutas, o outro tão forte quanto, mas com certo receio de ir em frente. O homem que a segura, lhe puxa com força pelos cabelos e lhe arrasta escada abaixo: - ME SOLTAAAAAAAA, ME SOLTAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!
- Cala a boca! - O QUE VOCÊS QUEREM?? QUEM SÃO VOCÊS?????????? - JÁ MANDEI CALAR A BOCA! Em panico Samanta começa a choramingar, é jogada com força contra o sofá. O terceiro homem, vem da cozinha, este é ainda mais carrancudo do que o outro, loiro, fortemente bronzeado.
- O que essa garota tá fazendo aqui? - Ela tava lá em cima Rafa, a gente só trouxe ela pra cá. - Mas que merda! Pára de falar meu nome imbecil! - Foi mal cara... mas e agora? O que a gente faz com ela? - Eu não sei, não estava contando com um problemas desses! Deixa ela aí, termina o serviço! Zé, você cuida dela! - Eu? Ok Rafa... Continua a expeção, num momento de descuido, Samanta se levanta e tenta ir correr, mas no momento em que se vira para ir em direção a porta ela cai de encontro ao chão. Novamente é puxada pelos cabelos e seu braço é torcido para trás.
- Ahhhhhhhhh, solta meu braço!!!!!
- Cala boca! Que merda você não sabe ficar quieta? - Você tá me machucando! - E você achou o que? Que eu estava aqui pra fazer carinho? Ah vai se cata garota! Agora Cala essa boca e fica aí! Com o braço dolorido, ela se encolhe no sofá, como que montando uma fortaleza em volta de seu corpo.
- Que barulheira foi essa Zé?
- Essa vadiazinha aí que tento fugi! - Tento fugi? Olha aqui ô pirralha! Tu fica na tua, ou vai ser pior pra ti. Se bem que vai ser pior de qualquer maneira! Hahahaha Zé e o outro homem se olham, ainda não sabia de todo o plano de seu chefe. Samanta fica com ainda mais medo, e só pensa em que pode fazer para se livrar daquela situação. Enquanto os dois conversam ela novamente se levanta correndo do sofá, os dois homens não notam, e quando estava quase na porta um soco lhe acerta o rosto. Ela cai surpresa e apavorada o no chão. Rafa lhe acerta um tapa no rosto e lhe puxa pela roupa.
- Sua vaca! O que eu falei??? Eu não te mandei fica quieta aqui merda?
Outro tapa lhe acerta o rosto. E ela começa a chorar de desespero.
- Pára de chora! Pára!!!
Samanta tenta conter as lagrimas e não consegue. Ela começa a tremer deixando o rapaz mais irritado.
- Ahhhhhh sua vaca! Agora acabou a brincadeira! Essa casa tem sóton? Tem??
- Te...em... - Fala direito! Onde que fica a entrada? Samanta respira e tenta falar: - No corredor, em... em frente ao quarto de visitas. Mas... mas... não tem nada lá! Ninguém usa o sóton. Só tem poeira! Eu juro!
Rafa olha friamente pra ela e responde:
- Melhor assim.
Samanta é carregada até a sóton, onde comprovando o que ela havia dito não havia nada. Apenas um armário velho com dois ou três livros e alguns quadros antigos, além de ratos e outros insetos.
- Agora sim! Agora você não vai mais encher o saco! Tras uma corda aí cara! E uma fita adesiva!
- Pra que Rafa? - To mandando trazer Zé mas que merda! O rapaz mais do que de pressa tras o que lhe foi pedido e fica esperando novas ordens. Rafa amarra os braços e pernas de Samanta, e fecha sua boca com fica adesiva. Ele para por um momento e começa a pensar. Samanta esperançosa espera que ele tenha tido um golpe de bondade e que irá lhe desamarrar. Mas ele se encaminha até o outro lado do sóton.
- Zé vem cá!
- O que foi? - Me ajuda a virar esse armário. Quieto o rapaz ajuda a virar e a empurra-lo até o canto do sóton. Formando uma espécie de cercado.
- Pega ela. Tras até aqui!
Zé a puxa pelas cordas até o local indicado, logo após Rafa fecha o cercado a deixando trancada atras do armário.
- Agora sim! Hahaha, foi bom de conhecer sua vaca!
- Você vai deixar ela assim? - E você tem duvidas? - Mas, e se não a encontrarem? - Mas a idéia é essa... Os dois homens saem, descem as escadas e lacram a porta de modo "natural". Em pouco tempo tudo silencia e eles vão embora. Samanta com o rosto lavado em lagrimas tenta soltar as cordas em vão. Elas estão fortemente amarradas e suas mãos começam a sangrar. Por horas ela ficou assim, sentindo o gosto do sangue em sua boca e sentindo-o escorrer também por suas mãos e calcanhares. Novos som são ouvidos, e ela reconhece a voz dos pais. Eles chamam desesperadamente por ela, ela tenta se soltar, ainda com mais ardor que antes, mas nada consegue. Eles reviram a casa e não a encontram. A policia é chamada e os pais de Samanta são interrogados. De tanto chorar a garota adormece. Quatro dias se passam e Samanta continua tentando romper as cordas que tanto lhe impedem de ser encontrada. Ela começa a enfraquecer, devido a fome e a sede. Vasculhas são feitas no bairro, mas ninguém tem sinais de Samanta. Ela começa a "serrar" as cordas em um prego solto do armário, e no fim do dia consegue se soltar. Ela tira a fita da boca e respira aliviada. Um sorriso brota de seus lábios e ela respira fundo aliviada de saber que poderá sair de lá. Mas uma movimentação estranha na casa lhe chama a atenção. E subitamente a alegria se tornou novamente em desespero. Os móveis estavam sendo levados da casa. Ela sem entender começa a andar de um lado pro outro, tenta gritar mas não consegue, sua voz está fraca demais. Tenta fazer barulho, mas os poucos que consegue são abafados pelo som da mudança e ela ouve a voz do pai. - Pois é como lhe digo Senhor Gustavo... nossa tristeza é grande demais para continuarmos nessa casa. Os ladrões já foram encontrados, e quando perguntaram de nossa filha, disseram que ela foi... foi morta e que... que seu corpo havia sido jogado no lixão... - Senhor Rodrigo, pai de Samanta, começa a chorar - disseram que lá não restariam provas. Enfim, isso é amis do que poderiamos aguentar... não podemos mais viver aqui.
- Eu entendo Senhor Rodrigo, realmente é muito triste o que fizeram com sua filha... já encontraram o corpo? - Não, e a policia não sabe se será possivel encontrar muita coisa... afinal já se passaram 4 dias, e ... no lixão... nada dura muito tempo... - E a Dona Carmem, como ela está... sei que não é nada facil... - Ela está na casa da irmã tentando se reestabelecer, tentei poupa-la disto tudo, ela quase teve um ataque cardiaco com a noticia. Samanta não sabe o que fazer começa a bater no chão, com toda a força que podia e seu pai olha para cima: - Que barulho foi esse?
Samanta sente novamente a esperança brotar em seu peito
- Devem ser ratos, vamos sair daqui, eu lhe pago um café.
- Vamos sim. E lá se vai a esperança de Samanta. Ela continua tentando chamar a atenção de alguém, mas os barulhos da mudança abafam qualquer ruido produzido por ela. E finalmente a casa silencia, todos vão embora, e a casa vazia é tudo que resta a Samanta. Em desespero ela chora, chora e não consegue pensar em mais nada. Ela adormece de cansaço.
- Você vai morrer aqui.
Samanta acorda, olha para os lados e nada vê. Pensa que foi outro de seus pesadelos e deita novamente. Está fraca e sem esperanças.
- Você vai morrer aqui.
Ela levanta de um salto, e olha em volta novamente. Outra vez nada vê.
- Acredite, logo logo você morre, e ninguém vai saber.
- Quem está aí??? -Samanta fala assustada - Se sabe que estou aqui porque não me ajuda? Uma pequena sombra surge no canto do sóton. - Ajudar? E porque eu faria isso? Vire-se. Eu não tenho nada haver com isso.
- Por favor, me ajude. Você é o único que sabe que eu estou aqui, me ajude. Você tem que me ajudar a sair daqui. - Você já se perguntou com quem você está falando? E a sombra se dissipa diante dos olhos de Samanta. Ela fica atordoada, e não entende o que está acontecendo. Não sabe o que pensar. Pensa na possibilidade de estar sonhando, mas tem certeza de estar acordada graçás as dores que sente no corpo e onde estavam as cordas. Samanta se encolhe no canto, a fome batendo forte, cansada e com sede.
"Devo estar ficando louca"
- Louca? Hahaha é bem possível...
- Quem está aí?????? - Pense pense, e nunca descubra. Hahaha - O que você quer? Quem é você? - Alguém que pode talvez possa lhe ajudar. Ainda estou pensando sobre isso. Hahaha A sombra novamente se vai e Samanta não entende o que está acontecendo.
" Eu tenho que sair daqui, tenho que sair."
Ela começa a forças a porta com as forças que lhe sobram mas está lacrada. Ela tenta alcançar a unica janela do sóton, mas em vão.
- Onde você pensa que vai?
A sombra volta, dessa vez mais perto de Samanta, a silhueta de um homem pode ser percebida.
- Me deixe em paz!!!
- Agora a pouco quase implorou para eu ficar, agora me manda embora? - Você não existe! Eu estou delirando!!! Vá embora! - Não existo é? Um livro acerta Samanta na cabeça fazendo-a desmaiar. Quando acorda, a primeira coisa que ela vê é o livro que havia lhe acertado. Levanta-se e olha em volta. A sombra havia sumido. Ela se senta, pega o livro e começa a olha-lo. Ela percebe então que o tal livro é na verdade um diário, escrito a 70 anos atras. Nele conta a história de um rapaz, que firaca muito doente e passara seus ultimos dias naquele sóton, para que ficasse isolado do resto da família. A cada pagina, Samanta percebia a amargura que o jovem sentia a cada dia que ele passava dentro daquele local. A escuridão não existia somente dentro daquele lugar, mas também dentro de seu coração. - Ora ora... sabia que diarios não secretos? Você como garota deveria saber disso.
- Esse... esse diário é seu? - Não, é do Gasparzinho. De quem mais seria? Eu sou a única alma presa nessa droga de casa. Ou melhor, "por enquanto"eu sou a única alma presa aqui. Samanta consegue ver um sorriso maldoso se formar no rosto do jovem rapaz. Ele aparentava tem uns 25 anos,o que aumentava sua tristeza.
- Mas, porque você está preso aqui?
- Achei que você tinha lido o diário! Não conseguiu entender não? Eu, com vinte e seis anos, preso nesse sóton, perdi a minha vida, a minha juventude pra uma droga de doença! Fui isolado de todos! Só vinham me trazer comida, nada mais. Perdi minha namorada, meu amigos. O que você acha disso? Acha que eu merecia?? - Não, é claro que não. Mas ninguém tem culpa da sua doença... - Hahahaha bem se vê que você não sabe de nada! Ele some e a deixa falando sozinha outra vez. Samanta pensa, a fome é forte, a sede maior ainda... mas ela volta a ler, e descobre uma folha solta dentro do diário. Dizendo que havia ouvido uma conversa muito estranha do irmão. Renato, o irmão do rapaz falava sozinho, quase cantarolando que agora estaria livre! De uma vez por todas estaria livre. Que se preparava para sair e o cheiro do perfume poderia ser sentido de onde ele estava.
Antes de se arrumar o irmão havia lhe feito uma visita e lhe entregue o almoço. Como sempre ele havia reclamado do gosto do suco que lhe havia sido preparado. E Renato argumentava dizendo que eram vitaminas postas pela mãe para lhe curar mais rápido. As visitas de sua namorada se tornaram mais escassas, praticamente não a via mais. Mas se conformava com a preocupação do irmão. Por ter com quem contar. - É, não sempre as coisas são o que parecem ser...
- O que você quer dizer? - Pense, pense... E desaparece, Samanta não entende. Fica cada vez mais confusa, e só sente voltade de dormir. Ele tenta voltar a ler, mas cai no sono.
Ela começa a sonhar, com tudo que acabara de ler, vê Renato entrar no quarto e entregar a comida ao irmão. Este debilitado e palido, faz cara de desgosto, mas come ao ver o irmão pedir. Logo após ele acabar de comer, Renato desce e leva a bandeija. Ao fechar a porta ele sorri, um sorriso estranho e desce correndo até a cozinha para largar as coisas. Sobe até seu quarto e começa a se arrumar. Ela percebe que ele fala sozinho, e tem a certeza do que está falando "Estarei livre, livre!". O perfume, o perfume inebria o local completamente. Samanta aconda e ainda conseguen dentir o cheiro doce do perfume no local. Ela olha para o lado e ve o rapaz, olhando seriamente para ela. - Meu irmão era muito bonito não acha?
- Ãh... você... você sabe o que eu sonhei? - Sei. - Como isso pode acontecer? - Eu sou um espirito... algum "poder" legal eu tinha que conseguir depois de morrer não é? Um pequeno sorriso surgiu nos labios de Samanta, era a primeira vez que sorria desde que estava presa ali.
- Mas e então, o Renato era bonitão né? Tinha pinta de galã.
- Você também era. - Claro, raquitico numa cama! Entrevado! Sem poder fazer nada! Sem ninguém comigo! - Mas e o seu irmão? O rapaz olha com raiva para Samanta e desaparece.
Samanta fica pensativa, senti fome, a boca seca e a sede a deixam meio zonza. Resolve voltar a ler. Le as ultimas paginas do diário mas como esta fraca demais acaba dormindo novamente. Começa a sonhar Onde o rapaz mostra que a cada dia que passa sente a garganta mais seca e mais fraco se sente. Renato passa a tratalo com certa indiferença. Não lhe tras mais o mesmo conforto. Começa a largar a comida com ele e só voltar na hora da outra refeição. Sem nem sequer perguntar se estava bem. O perfume começou a ser sentido com mais frequencia, até o dia em que confirmou suas mais tristes suspeitas, ouvindo o irmão falando sozinho mais uma vez. "Ah, finalmente, hoje a Natalia será minha! Finalmente será minha!" Lagrimas correram por seus rosto, de raiva, de tristeza. As lagrimas de sua dor ficaram marcadas nas paginas do diário. Natalia, seu amor... nas mãos do seu irmão. Fora tudo tão rápido! Ele estava há uns 3 meses doente, não era pouco tempo ele sabia, mas ela já estava com Renato! Esse era o amor que ela sentia por ele, e as promessas todas onde ficaram? Perdidas junto com ele naquele sóton? E o irmão? Que tanto dizia estar preocupado com ele? Não podia tê-lo esperado morrer? Quando Renato voltou para casa naquele dia, estava sorridente. Comprimentou a familia de modo mais cordial do que o normal. Nisso ele percebeu que tudo estava perdido. Suas forças na recuperação simplesmente se esvairam do seu corpo e ele não mais lutou para se recuperar. O que ele não entendia era como Renato podia ser tão baixo a ponto de vir todos os dias em seu quarto lhe trazer a comida com um sorriso de felicidade estampado no rosto. Um dia não suportando mais a situação jogou o prato de comida sobre o irmão. Renato impaciente mostra finalmente a que veio. - Seu imbecil! Olha o que você fez! Eu estava pronto para sair!
- Porque você acha que fiz isso? Você pensa que eu não sei? Eu sei que você está saindo com a Natalia! Desgraçado! - Ah, você sabe é? Então melhor assim, não preciso mais fingir que gosto de você! Seu idiota! Você é mais forte do que eu imagina! Já era para você ter morrido! Mas nem morrer você não consegue! - O que você quer dizer com isso?? - Meu querido Gabriel... lembre-se que você nunca gostou do suco... não percebeu que o gosto do suco era ruim antes de você adoecer? Hahaha - O...o suco...o que você fez??? - Apenas estou tentando me livrar de você! Nessa hora Renato pega o copo de suco e força Gabriel a tomar, esse fraco não consegue resistir a força de Renato e acaba bebendo. O liquido com um gosto mais insuportavel do que das outras vezes passa queimando pela sua garganta. E ele cai com ansia de vomito.
- Pronto, dessa noite você não passa!
- Alguém... alguém vai ver o que você fez Renato. - Vão nada seu otário! Vou dizer a todos não subirem aqui porque você não quer ser.. incomodado! Hahahahaha - Você não vai conseguir! - Não? Eu jah consegui. Renato sai do quarto e vai encontrar Natalia. Gabriel tenta se levantar mas não consegue. O enjoo e tontura são fortes demais. Ele resolve aproveitar suas ultimas forças e escrever tudo que passou naqueles momentos. Sabia que não poderia mais se levantar. Mas queria deixa uma prova de tudo que aconteceu.
Nesse momento Samanta desperta, e novamente Gabriel a observa.
- Meu Deus! Como ele pode?
- Agora você entende porque ainda estou aqui? - Sim mas... e agora? Poruqe me mostrou tudo isso? - Depois de todos esses anos você é a única pessoa com condições de entender o que eu passei aqui. - Mas, eu não posso fazer nada por você... - Pode, você pode... - O que? O que eu poderia fazer? Eu vou morrer aqui! Nem tenho mais forçar para tentar abrir a porta! Não tenho forças pra nada! - Você é mais forte do que imagina. - Mais forte? Faça-me rir. - Você vai me ajudar? - Se estiver ao meu alcance...o que devo fazer? Esse diario, quero que o publique. Que o venda e faça todos lerem minha história! - Publicar? Mas eu nem consigo sair daqui! - Apenas prometa por sua vida. - Esta bem... eu prometo. - Samanta solta um sorriso zombeteiro - Você prometeu, espero que cumpra sua palavra. Nesse momento Gabriel desaparece, e a porta do sóton misteriosamente se abre. Samanta não acredita no que acabou que ver, junta todas as suas forças, pega o diário e segue em direção a escada.
- Eu prometi e eu vou cumprir Gabriel. Não vou deixa-lo na mão.
Enquanto descia as escadas, Gabriel a observava e pede em voz baixa.
- Não esqueça de mim Samanta, eu lhe peço.
Apesar de não ouvir, essas palavras ficaram gravadas em sua mente. Samanta desse lentamente as escadas e se depara com a porta da casa trancada. Antes de pensar em qualquer coisa ela subtamente se abre e Samanta pode sentir novamente o ar livre. A vizinha da casa ao lado a vê e corre até ela.
- Samanta!!!! Meu Deus! Você está viva?!?!?! Ó céus! Venha querida venha! Com a graça de Deus, você está viva!
- Rsrs por enquanto sim, eu preciso de água, urgentemente. - Claro, venha vou lhe dar algo para comer e beber. E vou ligar para seus pais. Eles não vão acreditar! Mas o que aconteceu? Graças você está bem. Todos nós quase morremos de tristeza... A vizinha de tão surpreza deixou Samanta zonza de tanto falar. Ligaram para seus pais imediatamente. Sua mãe desmaiou ao ouvir a notícia e seu pai não podia acreditar. Em menos de meia hora toda a família estava reunida e a levavam para o hospital para tomar soro e outras providencias. Já no hospital a noite, enquanto dormia sonhou com Gabriel, no sóton com um olhar perdido, olhando pela única janela que lá existia. Acordou com um aperto no coração e chamou o pai imediatamente.
- Pai, preciso lhe pedir um favor. É algo muito importante. - Fale minha princesa, qualquer coisa que você quiser. Estou tão feliz que estaja conosco novamente! - Por favor, me alcance aquele livro? - Aqui está. - Eu lhe peço, por favor, mande que publiquem esse livro. É uma história real, de alguém que precisa de ajuda ainda hoje. - Ajuda? Onde encontrou isso? - Não sei se você vai acreditar. Mas enquanto estive presa naquele sóton eu encontrei esse diario. A alma desse podre rapaz está presa, precisando ser libertada, e só conseguira isso depois que lerem a sua história. - Minha filha, não sei do que está falando. Mas se é o que você quer. Eu prometo que fazer o que me pede. - Obrigada. Em uma semana Samanta se mudava para sua nova casa. Seus pais acharam melhor não voltar para a casa antiga, pois havia sido demais para todos o que haviam passado ali. dentro de um mês o livro estava pronto e já podia ser encontrado em todas as livrarias.
Nessa noite Samanta novamente sonhou com Gabriel. Ele aparecia na sua casa nova, lhe beijava o rosto e falava: - Obrigado Samanta, Obrigado! Finalmente estou livre, livre para seguir em frente. Você cumpriu sua promeça e por isso estou em paz. Obrigado.
Ele foi indo em direção a porta de seu quarto, olhou para ela por sobre o ombro e sorriu. Um sorriso lindo, cheio de alegria e vida. Samanta nunca imaginou como aquele jovem tão abatido poderia ser tão belo por traz de toda a amargura. Samanta desperta, olha em volta com esperanças de ver Gabriel por uma ultima vez, mas tudo que resta é uma flor em seu travesseiro. Uma paz enorme toma conta de seu peito. E ela sente que cumpriu sua palavra.
As passoas começaram a comprar e chegou no ranking dos 10 mais lidos. Renato fora encontrado e entrevistado sobre tudo que havia escrito no diário. Apesar de negar friamente ninguém acreditou em suas palavras. Por ser já um senhor idoso a policia nada fez. Natalia, o grande amor de Gabriel havia morrido cinco anos antes, e vivera toda sua vida ao lado de Renato. Renato aparece morto uma semana depois do inicio das entrevistas, ele se mata enforcado em seu apartamento. Deixando uma carta com apenas 3 palavras... "Perdoe-me meu irmão"
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