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January 01 A Maldição do SangueUm barulho na janela do quarto o fez acordar subitamente, num impulso, assustado e suando frio.
Foi um barulho de batida forte... Isso nunca havia acontecido antes. Com medo de ser algum ladrão tentando entrar em sua casa, - isso já havia ocorrido duas vezes - Lucas foi saindo lentamente da cama, sem fazer barulho. Quando alcançou o telefone, rapidamente discou para a polícia local: - Polícia, Marcela. Em que posso ajudar? - Por favor, mande uma viatura, rápido, para a Rua dos Laranjais, número 205! Estão tentando roubar minha casa! - disse Lucas desesperado. - Acalme-se, senhor, em poucos minutos uma viatura será enviada. - disse a policial com uma voz doce. - Obrigado, venha o mais rápido que puder! - retrucou ofegante. Os minutos prometidos pela policial pareciam horas. Os barulhos, na janela, haviam parado há pouco. Porém, ainda era possível ouvir alguns ruídos que vinham de fora da casa no quintal.
Cansado de esperar e tentando resgatar alguma coragem que, nesse momento já era inexistente, Lucas correu para a cozinha e, no armário, apanhou uma lanterna e logo em seguida uma faca de porte médio que estava sobre a pia. Ligeiramente dirigiu-se para a entrada principal da casa. Com as mãos trêmulas, colocou a chave na fechadura e começou a girá-la timidamente até ouvir o barulho da tranca se abrindo. Suando frio e com medo, engoliu a seco. Ligou a lanterna e segurou a faca em uma posição ameaçadora. Abriu a porta de supetão e apontou a lanterna para fora. Com uma voz de medo, tentando passar um ar de homem corajoso, gritou: - Quem está ai? E nada se ouviu. - Apareça! Não tenho medo de você, seu ladrãozinho de merda! - gritou novamente. Momentos depois de ter gritado, sentiu um arrepio que tomou conta de todo seu corpo.
Um vento fora do comum havia começado e a porta que estava atrás de Lucas fechou rapidamente, fazendo um alto barulho que o fez derrubar a lanterna. A única fonte de luz havia se apagado. Lucas agora estava com mais medo do que nunca. Ouviu algumas risadas misturadas com gritos, mas ignorou-as. Coisa da mente, pensou. Seu desespero foi acabando aos poucos, conforme escutava a sirene da viatura se aproximando. Quando a viatura chegou, Lucas correu desesperado em direção a ela.
- Ufa! Ainda bem que vocês chegaram. - disse aliviado. - Qual o problema aqui, senhor? - indagou o policial. - Eu liguei para a central há alguns minutos atrás, estava ouvindo barulhos em minha janela e no quintal, achei que fosse algum ladrão. - explicou. - Hm, certo... E o que o senhor faz com essa faca na mão? - Defesa, simplesmente defesa. Como a viatura demorou a chegar, resolvi sair para ver o que era. - E achou alguma coisa? - disse o policial curioso. - Não. - Nada de estranho? - indagou novamente o policial. - Apenas um vento que surgiu do nada, mas deve ser o tempo, acho que vai chover. - Bom, qualquer coisa ligue para a central novamente, será um prazer ajudá-lo. - Muito obrigado. Lucas estava aliviado, mas mal sabia ele o que lhe esperava dentro de sua própria casa.
Após recolher a lanterna caída, entrou em sua casa novamente e trancou a porta.
Passando pelo corredor escuro, sentiu novamente um arrepio. Ignorou-o. Chegando à cozinha, acendeu a luz, colocou a faca dentro da pia e guardou a lanterna. Resolveu então, tomar um copo de água com açúcar para ficar um pouco mais calmo. Na cozinha havia três portas. Duas davam para corredores: um para a sala e um para os quartos. A outra porta era de uma dispensa. Após beber toda a água, Lucas fechou os olhos e pensou: "Droga, eu ando muito estressado, preciso dormir...". Novamente ele sentiu um frio na espinha e abriu os olhos. Não foi uma boa coisa. Quando seus olhos se abriram, Lucas enxergou um escrito na parede da cozinha, vermelho, parecendo sangue, e dizia: "Será mesmo que você não tem medo de mim? Você irá pagar..." O copo escorregou de sua mão, quebrando-se ao tocar no chão com um barulho agudo. Lucas, assustado, esfregou os olhos e olhou de novo. A mensagem havia sumido. Então pensou de novo: "É, definitivamente preciso dormir...". O corredor até chegar em seu quarto era comprido. Havia quatro portas nele.
Uma do quarto de Lucas, outra de um banheiro, uma terceira que dava acesso a um pequeno escritório e a última de uma sala em que guardava objetos que não usava mais, uma espécie de dispensa. Estava com um pouco de medo. Mesmo com a idade que tinha, 25 anos, ainda tinha medo de escuro. Acendeu a luz do corredor e foi andando calmamente para seu quarto. Entrou no banheiro para urinar e lavar o rosto pois estava suado. Urinou, deu a descarga e dirigiu-se à pia. Com um rugido metálico, a torneira abriu e Lucas, olhando-se no espelho, notou que estava com olheiras. Abaixou para poder lavar o rosto, e o fez. Ficou um bom tempo abaixado com o rosto na água. Quando levantou e olhou-se novamente no espelho, Lucas ficou pálido como marfim. Atrás dele havia a imagem de uma menina, vestida de branco, totalmente pálida, com olhos grandes e assustadores. O cabelo loiro, quase branco, arrumado e preso por uma fita. Algumas machas de sangue em seu vestido. Ela ria olhando para Lucas que, naquele momento, estava sem reação. A face da menina começara a ficar cada vez mais ameaçadora, e começou a se dirigir em direção a Lucas que, apavorado, soltou um grito e correu para o quarto, trancando-se nele, agarrado a um crucifixo. O quarto estava todo iluminado. Lucas estava imóvel na cama.
Tentava resistir ao sono e ao cansaço, estava com muito medo. Foi vencido. Pouco tempo depois de ter se trancado, adormeceu profundamente. O telefone toca. Lucas acorda assustado e olha no relógio: estava atrasado para o trabalho.
Olhou no identificador de chamadas, era seu chefe. Resolveu não atender, não estava em condições de levar um sermão agora. Quando se levantou da cama, aliviado, soltou um suspiro e disse: - Nossa, que pesadelo horrível. E foi sair do quarto, a porta estava trancada. Foi até o banheiro e a torneira estava aberta. Na cozinha os cacos do copo estavam no chão. Lucas então novamente sentiu medo. Não havia sido um pesadelo. Começou recolher os cacos do copo que havia quebrado. Cortou o dedo.
- Argh! Merda, caco maldito! Abriu a torneira da pia e começou lavar a mão. Ouviu então um ruído de cadeira, que vinha da mesa de jantar, logo atrás dele. Tremendo como nunca, virou-se timidamente para olhar. A mesma menina que apareceu no banheiro estava sentada à mesa. Sorriu para ele um sorriso macabro e disse: - Sangue... Eu gosto de sangue. Lucas totalmente desesperado correu para fora de casa e parou na calçada. Foi até um orelhão próximo e ligou para um amigo, Pedro. - Alô? - Pedro? É o Lucas, preciso da sua ajuda, cara! - Fala cara, tudo bom? - Não, nada bom! Vem me pegar em casa, rápido, é urgente! - Nossa o que ta acontecendo? - No caminho eu explico, corre aqui! - Beleza, tô indo. Já no carro, indo para a casa de Pedro, Lucas começa contar a história desde o começo. O vento estranho, a mensagem, a menininha de branco.
Pedro não agüenta e solta uma gargalhada: - Ah, Lucas! Fala sério, isso é piada. - Não, cara, é sério, eu tô tremendo e arrepiado, olhe! - Lucas estendeu a mão. - Nossa cara. Você não tá bem. Andou usando drogas? - Não! Você sabe que não faço essas coisas! E Pedro concordou. A situação era séria. Pedro não sabia se acreditava naquilo ou não, mas estava com um pouco de medo, então disse: - Lucas, eu sei que eu sou seu amigo, mas no que eu posso ajudar você nessa história? - indagou Pedro. - Sei lá, cara, eu não sei o que tá acontecendo. A mulher que morava na minha casa nunca reclamou de nada, agora isso acontece comigo, do nada! - disse Lucas em tom de desespero. - Eu acho que você está muito estressado, vendo coisas... Precisa se acalmar dorme em casa hoje, amanhã você acorda mais calmo e volta pra lá. - disse Pedro. Lucas concordou. A noite estava relativamente tranqüila. Os dois amigos bebiam cerveja enquanto viam um canal de esportes na TV.
O telefone toca. Pedro corre para atender e volta com o telefone: "Lucas, é pra você". Lucas com cara de dúvida pega o telefone: - Alô? - Pensa que vai escapar fácil de mim? - Quem é você. O que quer de mim!? - grita Lucas. - Sangue... - diz a voz sussurrando. A chamada havia sido desligada. - Calma, Lucas! O que aconteceu? - grita Pedro. - A menina! A mesma que apareceu no espelho e na mesa. Ela me ligou, ela sabe onde eu estou, não adianta fugir dela! - diz Lucas quase chorando. Pedro ficou sem palavras. Lucas estava mais desesperado do que nunca, precisava descobrir o que estava acontecendo.
Na mesma noite, decidiu que não ia dormir na casa de Pedro. Algum mal poderia acontecer ao amigo, e ele não queria isso.
Resolveu, então, vagar pelas ruas da cidade - que a essa hora já estava deserta. Quando estava passando por um beco, sentiu novamente um calafrio. A neblina da madrugada formava um tapete no chão. As luzes dos postes começaram a piscar e Lucas começou a ouvir algumas risadinhas. - O que você quer? Por que faz isso comigo? - gritou desesperado. Olhando para o fim do beco, à meia luz, viu a silhueta da garotinha, vindo em sua direção. - Sangue...! Lucas, desesperado, começou a correr. Olhou para trás e nada o perseguia mais, porém ainda continuou correndo. Correu até chegar na biblioteca da cidade e percebeu que a porta estava aberta.
Achou estranho, pois a essa hora da madrugada ela deveria estar fechada. Entrou. Entrando na biblioteca, percebeu uma movimentação, e indagou a um rapaz de uniforme:
- O que está acontecendo? - Estamos organizando os livros - disse o rapaz. Lucas então foi falar com o chefe da biblioteca, um velho conhecido na cidade. - Bom dia, o senhor poderia me ajudar? - Bom dia, filho, em que posso ser útil? - respondeu o senhor. - O senhor sabe de algum assassinato ou algo do tipo que tenha acontecido na Rua dos Laranjais há algum tempo atrás, ou sabe me informar de algum livro que fale sobre isso? - Hm... - o velho coçou a cabeça careca - Por que todo esse interesse? - É uma longa história, o senhor pode me ajudar ou não? - disse Lucas desesperado. - Acalme-se, jovem. Eu sei de muitas histórias dessa cidade, vivi toda a minha vida aqui. - Então me ajude, por favor! - Certo, mas por que esse interesse sobre a Rua dos Laranjais? - Eu moro nessa rua e, ultimamente, tenho sofrido com assombrações de uma garotinha. - disse Lucas arrepiado. - Lílian. - respondeu o senhor. - Ahn? O senhor a conhecia? - perguntou Lucas com os olhos arregalados. - Sim... Infelizmente. - disse o senhor. - Infelizmente? - indagou Lucas. - Sim, infelizmente. Ela sempre foi uma menina problemática, tanto com seus pais quanto com quem convivia com ela. Mas por sorte, ela morreu de uma maneira trágica e há 15 anos estamos em paz. Lucas não tinha palavras. - Você deve estar pensando que eu sou um velho sem coração por dizer isso de uma garotinha de 11 anos, mas não sabe o mal que ela sempre fez. - disse o velho. - Mal? Que mal? Como ela morreu? O que o senhor era dela? - Lucas metralhou o velho com perguntas. - Ah, jovem, estou cansado, vou dormir. Outra hora continuamos nossa conversa. - e saiu sem dar explicações. Lucas estava inconformado. Queria saber o que aquela garotinha macabra fez, como ela morreu, qual era a verdadeira história.
Foi falar então com a bibliotecária: - Por favor, a senhora poderia me informar se existem ainda alguns jornais ou revistas aqui da cidade de 15 anos atrás? - Espere, vou checar nos registros. Depois de algum tempo a senhora retorna. - Sim, jovem, mas temos somente jornal. Nenhuma revista de 15 anos atrás. Qual é a edição que você quer? - Todas, por favor, eu vou ver aqui na biblioteca mesmo, não se preocupe. - Tudo bem, só um momento. A senhora retorna com vários jornais velhos nas mãos. - Tome cuidado, qualquer coisa me chame. - Pode deixar. A senhora tem lápis e um pedaço de papel? - Sim, aqui está. - Obrigado. Lucas, então, começou sua busca incansável pela notícia da morte de Lílian.
Mesmo com toda essa distração, ele ainda via os vultos da menina passando perto dele. O rosto demoníaco e uma risada que deixaria qualquer um com medo. Mas mesmo assim ele persistia na busca. Lucas não somente queria achar a causa da morte de Lílian, mas também descobrir o por quê da menina sempre dizer que quer sangue, e ficar atormentando-o com isso. Ele já havia procurado em quase todos os jornais daquela época. Ainda não havia encontrado nada.
Já estava quase desistindo quando em uma página, no cantinho, uma singela nota descrevia: "Menina de 11 anos morre tragicamente." Lucas sabia que era Lílian, a foto era igual. Começou então a ler. " Hoje, dia 12 de dezembro de 1990, veio a óbito uma garotinha de 11 anos, filha de Maria da Graça e Rubens Garcia. A jovem foi encontrada morta em seu quarto, deitada em sua cama, com os rins em cima da televisão ensangüentada e ligada em um canal de desenho. Ninguém sabe a causa da morte e nem quem ou o quê a matou. A autópsia será realizada hoje e amanhã traremos mais notícias sobre o caso no Diário Policial.". Sim, ele tinha encontrado, mas nenhuma dúvida foi respondida. Lucas, então, olhou na edição seguinte do Diário Policial. E lá estava outra nota sobre o "Caso Lílian". "A autópsia realizada na noite de ontem revelou que a garota estava sem os rins e com alguns cortes profundos na região abdominal. Os médicos legistas que levaram o corpo disseram que ela ainda estava respirando quando foi encontrada, mas mesmo assim a autópsia foi feita. Lílian tinha várias perfurações em órgãos internos. Nenhum sinal de estupro foi encontrado e ela possuía algumas marcas de sufocamento. A autópsia e o documento de óbito foram assinados pelo doutor José Teixeira Cunha." Ao ler o artigo, Lucas ficou pálido. José Teixeira Cunha, o médico legista, era seu avô paterno que já havia morrido. A mãe de Lucas ainda era viva e morava em outra cidade, no interior. Seu pai também já havia morrido. Mais rápido do que nunca, Lucas correu até o telefone e ligou para a casa de seu avô, marcando um encontro com Márcia, sua avó.
Tirou uma cópia das duas notas do jornal sobre o "Caso Lílian" e levou-as para a avó.
Desesperado contou toda a história e tudo o que ele havia passado até então. A avó, de certa forma já sabia daquele sofrimento e então disse ao seu neto: - Eu sei de tudo o que você está passando, Lú. Seu avô e seu pai passaram pela mesma coisa, é uma maldição. - Maldição? Mas como isso vovó? - A menina ainda estava viva quando foi para a mesa de autópsia. Porém estava sem os dois rins e já havia perdido muito sangue, todos sabiam que não teria jeito de sobreviver. Seu avô, então, terminou o serviço. - Mas como? Quem matou a menina? Nunca descobriram isso? - Lucas estava amedrontado. - O assassino da menina foi o próprio pai. Ela era uma menina problemática que só atrapalhava a vida de todos. Alguns paramédicos insistiram em fazer algumas transfusões de sangue para tentar reanimá-la, mas seu avô impediu. Ele sabia que seria desperdício. - Então é por isso que ela sempre diz... - e foi interrompido. - Sim, ela sempre diz que quer sangue. Na cabeça de uma criança de 11 anos, ela não sabe a hora da morte. Para ela, mesmo estando inconsciente e agonizando, ela acha que tem alguma chance de sair viva, mas não é assim. - Mas.. mas... - gaguejou Lucas. - Desde que seu avô proibiu essas transfusões e acabou com o sofrimento da garotinha, as gerações seguintes têm sofrido com os tormentos dessa garota. Primeiro ele, depois seu pai, agora você... Mais além, seu filho, e assim por diante. Todas as dúvidas de Lucas haviam sido esclarecidas.
Ele agora tinha certeza de que estava condenado a sofrer com as assombrações da garotinha que foi morta pelo próprio pai. O único modo de se livrar dela era morrendo. Curiosamente, o pai e o avô de Lucas morreram porque perderam muito sangue. Seria esse o seu destino também? Alguns meses se passaram e Lucas já havia até se acostumado com a face diabólica e as risadas macabras da menina pálida que o assombrava.
Já virara rotina. A única coisa que o preocupava era o medo da morte. Ele sempre quis morrer dormindo, não sentir nenhuma dor. Mas sabia que seu destino não lhe reservara isso. Sabia que ia morrer tragicamente, perdendo muito sangue e agonizando. Restava a ele esperar até que esse dia chegasse. Investigando em mais livros, jornais e internet, descobriu que o senhor da biblioteca era o pai assassino. Porém, quando Lucas descobriu já era tarde demais, ele havia morrido de enfarte três dias atrás. Não era mais possível esclarecer a dúvida de como acabar de vez com aquela assombração.
Ficou, então, conformado com a maldição que começou por culpa de seu avô e que iria passar de geração em geração, por toda a família. Mais alguns meses se passaram, a face da menina sempre atormentando Lucas.
Suas risadas, às vezes, tiravam-lhe o sono e a calma. Ele estava ficando louco, estava perdendo a noção do lógico. Fazia quase um ano que ele convivia com aquele tormento dia e noite. Foi então que aconteceu um acidente trágico que tirou sua vida. Lucas bateu o carro contra um caminhão. As ferragens perfuraram sua artéria femoral e um estilhaço do vidro cortou sua jugular. Ficou perdendo sangue, agonizando. Sua mente não pensava mais em nada. estava certo de seu destino. A maldição se concretizara. Lucas morreu perdendo muito sangue, assim como seu pai e seu avô.
A maldição acabou ali. Lucas não teve filhos e era filho único. O sangue de três gerações foi derramado para que a fúria de uma garotinha de 11 anos acabasse. Finalmente Lílian, a garota julgada problemática que tentou viver, descansará em paz. Leandro Alves TrackbacksThe trackback URL for this entry is: http://contosmacabros2.spaces.live.com/blog/cns!62CBA66057C21C3!141.trak Weblogs that reference this entry
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