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    September 21

    Assombração (Conto)

    Em meados de 1950 na cidade de Brusque - SC, Eduardo V se mudou para uma das casas mais bonitas da região.Apesar da casa ter uma aparência sombria Eduardo não relutou em tomar posse da herança que ganhou de seu avô Eduardo III.
    Boatos diziam que a casa era amaldiçoada, que fenômenos estranhos aconteciam nela,e que ninguém tinham coragem de morar lá.Mas Eduardo a principio não deu atenção a esses comentários. Sua Esposa Elizabeth, tinha adorado a casa, ele tinha certeza de que seriam muito felizes ali.
    - Eduardo meu amor,a casa é realmente muito linda – comentou Elizabeth
    - Tenho certeza meu amor que seremos muito felizes aqui – disse acariciando os cabelos da mulher.
    - Você escutou os comentários sobre as aparições na casa? – perguntou ela.
    - Sim,mas isso não me abala, são só boatos,agora que entramos aqui,os fantasmas tem que sair. – comentou ele sorrindo.
    Mas com o passar do tempo,Eduardo e Elizabeth começaram a presenciar os fenômenos. Eles começaram em uma noite quente no verão de 1951.
    - Amor,você esta escutando o barulho? – disse Elizabeth assustada.
    - Sim estou minha amada.
    - E agora,vamos ver o que é?
    - É o único jeito.
    Quando Eduardo se levantou da cama a cômoda que esta encostada na parede se arrastou misteriosamente até a porta deixando ele paralisado. Elizabeth gritou.
    - Deixe-nos em paz,por favor .
    Neste momento a cômoda voltou ao lugar onde estava e a porta se abriu.Eduardo pode ver que próximo ao vão da porta tinha uma bilhete com as seguintes palavras:
    ELIZABETH ME AJUDE.
    A doce mulher ficou morrendo de medo que o fantasma não os deixassem em paz.Naquela noite não conseguiram dormir.E a partir daquele dia moveis sendo arrastados e recados escritos nas paredes e em papéis não cessaram mais.A vida do jovem casal tinha se tornado um inferno.
    Uma certa noite Elizabeth foi sair do seu quarto e a porta estava trancada.Quanto mais ela forçava a porta para abrir mais seu sangue gelava de medo do fantasma fazer algum mal a ela.
    Pode perceber por debaixo da porta uma luz que se sumiu rapidamente.
    A porta se abriu e um novo bilhete apareceu pra ela.
    ELIZABETH ME AJUDE.
    Ela morrendo de medo resolveu responder escrevendo:
    O QUE VOCÊ QUER?
    Logo em seguida ela deixou o bilhete no mesmo lugar, fechou a porta e pode notar a luz novamente aparecer e sumir em segundos.
    Ela abriu a porta pegou o bilhete,ficou surpresa em ver a resposta que era:
    DESCANÇAR.
    Elizabeth tinha chegado ao seu limite,não queria mais viver ali e se queixou ao marido.
    - Eduardo,não agüento mais,precisamos ir embora dessa casa.
    - Elizabeth tive pensando o mesmo, vou providenciar nossa mudança imediatamente.
    E assim aconteceu, em uma semana Eduardo e Elizabeth saíram da casa pra nunca mais voltar.
    Três anos se passaram era inverno de 1954 quando Cláudio Urlan, o mais famoso caçador de fantasma da época apareceu em Brusque,a procura da famosa casa assombrada.
    Descobriu que ela estava para alugar desde que Eduardo e Elizabeth se mudaram de lá.
    Perguntando ao visinhos eles deram várias explicações sobre a casa,cada um com sua versão,mas Cláudio era teimoso,gostava de desafios e ser caça fantasmas naquela época não era pra qualquer um.
    Cláudio era considerado um louco,por andar atrás de coisas que não conhecia.Foi então que ele resolveu alugar a casa por uma ano.Queria provas reais de que ela realmente era assombrada.
    Colocou um anuncio em um jornal convocando pessoas para o acompanhar na casa. O que fez a pequena cidade de Brusque ficar muito famosa.Todos queriam presenciar os fantasmas.
    Ele contratou quatro pessoas: Sidnei, Marcos, Bruna e Fabrício.
    - Bem, meu nome é Cláudio como vocês sabem , e eu queria dizer que se querem desistir esse é o momento.
    Não houve resposta.
    - Não sei o que nos espera lá dentro,não sei se sairemos traumatizados ou não.Vi em suas fichas que vocês são pessoas sensitivas e isso ajuda muito.Então , mãos ao obra.
    E assim os cinco integrantes se alojaram na casa.E já na primeira noite tiveram uma surpresa.Estavam na sala arrumando os equipamentos quando um forte vento abriu todas as janelas.
    Uma voz vinha do andar de cima da casa.
    - O que querem aqui? – gritou a voz misteriosa.
    - Queremos ajudar. – disse Bruna.
    - Não quero e não preciso da ajuda de vocês – disse a voz com tom furioso.
    Elizabeth!Elizabeth!Elizabeth! – gritava a voz.
    Todos estavam assustados,não sabiam que iriam ter uma manifestação dessas no primeiro dia.
    Um grito agudo ecoou pela casa sumindo logo em seguida.
    Todos se entreolharam e tiveram a certeza: O fantasma realmente existia.
    No decorrer dos meses tiveram muitas outras manifestações. Copos e pratos voando na direção deles,móveis que se moviam para outros lugares e batidas que vinham de dentro das paredes eram realmente assustadoras.Mas a voz queria só uma pessoa para ajuda-la “Elizabeth”.
    Quando o ano terminou Cláudio apresentou seu trabalho a Elizabeth que negou qualquer ajuda a aquele tipo de coisa.Disse que sabia da existência do fantasma,mas não queria se envolver com isso.
    Cláudio não desanimou apesar das criticas, e fez muita gente acreditar que as aparições eram autênticas.
    Dois anos depois a casa tinha um novo morador, O Barão Luiz Burman.Não passou muito tempo para aquele senhor presenciar o primeiro fenômeno sobrenatural na casa após sua chegada.
    Ding-Dong, tocou a campainha.
    - Quem será?
    Tentou abrir a porta mas não conseguiu,estava trancada.Quando se virou deu de cara com o fantasma da casa.Ele ficou pálido na hora. Pode perceber que era uma mulher,cabelos longos e aparência em decomposição.
    Elizabeth!Elizabeth!Elizabeth! – gritava ela.
    O Barão tentou correr e a única maneira de se salvar foi se jogando pela janela.Ao cair percebeu que quebrou o braço.Saiu correndo em direção a rua.Deixou aquela casa maldita que misteriosamente pegou fogo.
    Quando Cláudio ficou sabendo do acontecido foi rapidamente falar com o tal Barão,que confirmou a aparição fantasmagórica.Claudio chegou a conclusão que era hora de voltar.
    Procurou Elizabeth e explicou a situação,disse que ele tinha que resolver aquele caso,senão as pessoas que residiriam naquele lugar nunca teriam paz.
    Elizabeth então,diante da situação resolveu ajuda-lo.
    No mesmo dia Cláudio foi a sua casa e pegou um aparelho novo pra comunicação com os mortos. A planchete é um tipo de instrumento que é equipado com um lápis que se move supostamente movido por espíritos em uma prancheta,escrevendo mensagens pela mão da pessoa assistente.
    Era meia-noite quando Elizabeth acompanhada do marido Eduardo avistaram Cláudio que já estava na casa.
    - Elizabeth,peço por gentileza que segure aqui na planchete,e espere a aparição dela.
    - É uma mulher?
    - Sim,é uma mulher?
    Passados alguns minutos a mão de Elizabeth começou a mexer.Ela tirou a mão da planchete com medo. Eduardo saiu do local,não tinha mais coragem de ver essas manifestações.
    - Por favor Elizabeth,é a nossa chance.
    Novamente ela colocou a mão no aparelho.Tremendo dos pés a cabeça rezando para aquilo acabar logo.
    Começou a se mexer novamente.
    - Quem é você? – perguntou Cláudio
    E através do aparelho o fantasma se manifestou:
    - Meu nome é Cristina Gorlier.
    - Por que escolheu a Elizabeth para te ajudar?
    - Por que ela é pura de coração, sua alma é pura,me identifiquei muito com ela.
    - Conte-nos sobre você e como podemos te ajudar.
    Nas palavras escritas no papel Cristina contou que era prostituta e que tinha parado de exercer a profissão por que se apaixonou por Eduardo III. Os dois se casaram e vieram morar naquela casa em Brusque. Foram felizes por algum tempo até ele descobrir que ela não poderia ter filhos,então ele a enforcou e colocou seus restos mortais em uma das paredes da casa que ficava no sótão.
    - Esta explicada as batidas internas na parede – disse ele surpreso.
    Na mensagem ela pedia para que procurassem uma parece que tinha a marca de uma cruz pequena.
    Cláudio e Elizabeth estavam eufóricos.Medo e ansiedade tomaram conta dos dois.No outro dia Cláudio providenciou a procura de Cristina na casa,chegaram até a parede mencionada nas mensagens e lá estava uma ossada pertencente a uma mulher jovem.A jovem Cristina.
    Cláudio,Elizabeth e Eduardo providenciaram o enterro.Depois disso nunca mais se ouviu falar nas assombrações da famosa casa que foi totalmente demolida em seguida dando sossego aos moradores da região e aos novos donos daquele local.

    FIM.
    RENATA RODRIGUES DA SILVA - SETEMBRO/06
    Comunidade:EU MORRO DE MEDO DA RENATA
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5207937

    August 16

    SEIS

    --O material exposto abaixo possui registro de direitos autorais na Biblioteca Nacional, RJ

    Sei que muitos me acharão louco, ao ler o que vou contar nas próximas linhas, mas o mal que me acometera obriga-me a narrar os últimos acontecimentos. Como não quero ter os holofotes sobre mim e os que me cercam, vou, com sua licença ocultar meu nome e dos demais envolvidos.

    Sempre tive uma vida tranqüila morando numa pacata cidade do interior, nunca fui de muitos amigos, tenho poucos (conto nos dedos!). Cidade pequena é engraçada, sua vida e seus hábitos, acaba sendo de conhecimento de todos, querendo ou não. Mas sempre zelei pela privacidade. Trabalho em casa, porque, graças à internet, posso mandar por e-mail meus artigos e crônicas diariamente para o jornal em que atuo. Conquistei essa “mordomia” após anos de muita labuta, cobrindo de passeatas a rebeliões. Há alguns anos escrevo apenas sobre o cenário político da região. No interior poucos têm peito para cutucar os barões! Não preciso dizer que colecionei inimigos. Muitos! Mas, deixemos isso de lado no momento. Não é o motivo por que estou contando essa história. Talvez até seja... Não sei! Desconheço o motivo de quem me desgraçou, se por aflição ou vingança. Atenta-te aos fatos:

    No fim da tarde voltando do mercado, (uma das poucas tarefas em que preciso realmente sair de casa) notei embaixo da porta um envelope, de papel pardo, sem selo e remetente, tinha apenas meu nome. Tirando as cobranças e santinhos de políticos em época de eleição, não lembro de receber correspondências de ninguém.
    Abri a porta e depois de alguns afagos no gato, sentei-me confortavelmente na poltrona e abri o envelope, nele havia uma carta, escrita a mão, com uma caligrafia feia, desajeitada. Não imaginei que a desgraça seria parte da minha vida naquele momento. Ah! Se pudesse voltar atrás... Li, sem entender o que era aquilo, porque alguém me enviaria algo do tipo? Tentavam pregar-me uma peça talvez? Decerto que, aquela mensagem, aquelas minúsculas letras malignas, havia me tirado a fome, a tranqüilidade e o sono. O frio chegou de repente, sem aviso! Coloquei uma blusa e acendi a lareira, estranhei, pois ainda estávamos no verão. Fiquei por longas horas tentando descobrir a origem daquela carta. Maldita carta! Atormentava-me, causava em mim delírios, alucinações, tremores. Já era duas, talvez três da madrugada quando desisti e fui me deitar. De repente uma batida forte na porta me fez saltar da cama, levantei e pensei se devia abrir ou fingir dormir. Fui lentamente até a porta, devo admitir, estava com medo, aquela simples carta me causava pavor nunca antes provado. O movimento de girar a chave, durou a eternidade. Abri lentamente, numa tentativa ridícula de defesa, piorando a situação com um estridente ranger de porta. Não havia ninguém, tomei coragem e sai até a entrada da casa, e nada! Ah imaginação! Meu medo era matreiro, estava me fazendo ouvir coisas. Ri, da minha própria miséria.
    Voltei para casa, fechei a porta, e antes que pudesse voltar ao meu repouso, o que vi quase arrancou meus olhos da órbita, sei que não serei capaz de descrever com precisão a face horrenda que se apresentara, e o pavor que senti gravou na minha memória o essencial, não que isso fosse necessário agora. Não sei explicar como, (sem usar o imponderável poder das trevas) adentrou em meus aposentos. Era sombrio, misterioso, suas vestes pretas realçavam a brancura de sua pele, que parecia lisa como porcelana. Seu cabelo era escorregadio, e bem escuro. O homem ou seja lá o que for, fitava-me de uma maneira tão abusiva que sentia minhas entranhas contorcerem. Pensei ser meu algoz. Meu carrasco! Mas ele nada fez... E isso fora minha tortura. A ausência de qualquer gesto ou ameaça... Apenas o olhar. Oh, funesto e devastador olhar. Com dificuldade proferi algumas palavras, desconexas pelo medo. Sem reação. Tentei! Ah! Como tentei livrar-me! Abri a porta, e com o braço apontado para a rua, exigi que se retirasse. Em vão! E no ápice da minha ira sobre o visitante indesejado, parti com fúria em sua direção, e antes, de sequer lhe encostar um dedo, fui arremessado bruscamente ao chão. Para meu espanto, e creio agora que assim ficará também meu caro leitor, atirou-me sem mover um músculo. Veludo, meu azulado persa gordo, numa atitude cínica se enroscou nas pernas do homem. E ali ficou. Judas felino! Gritei, chorei, implorei para que partisse, mas piedade era algo que não havia em sua feição.

    Quando a loucura queimava meu corpo como febre. Ele apontou a carta. Li, e percebi do que se tratava. Então obstinado, assim estava eu, em salvar-me da agonia, coloquei me a pensar sobre aquilo. A maldade paquerou-me. Nomes, sobrenomes, motivos! Aquilo havia me transformado. Era eu agora um juiz. Impiedoso! Tudo aos olhares do indigesto visitante. Não é que em algumas olhadelas, ele até parecia-me sorrir? Oh! Criatura demoníaca levastes minha decência...
    O prefeito corrupto encabeçou minha lista com aquele sobrenome nojento. Não agüentou tamanha agonia. Morreu pendurado, em seu próprio gabinete. No aconchego do lar, sonhei com aquele porco como um pêndulo, enforcado em sua própria gravata. O segundo me trouxe tanto prazer como o primeiro. Notei os olhos em chamas daquele ao meu lado, ao ver que era um padre, tão impiedoso e desonesto com seus fieis... Abusando da ignorância daquelas pobres almas, conduzindo-os aos interesses dos poderosos. Esse findou louco, ouvi dizer que em um sanatório católico. A loucura também abraçou Anna (vamos assim chamá-la), essa senhora, matou a própria filha num castigo insano. Graças aos tramites da Lei estava solta, perambulando com peculiar empáfia, até (é claro!) receber minha carta. Como também recebeu o senhor que abusava de crianças, mesmo preso, achei que, as grades e aquele cubículo gelado em que vivia ainda era pena muito suave. De uma hora pra outra parou de ingerir, entrando em um estado anêmico sem volta, que culminou na sua morte. Dizia haver vermes em suas refeições. E não duvido que realmente o miserável as via. Para não deixar Anna como única fêmea nessa lista mortal, enviei um envelope para minha outrora amada, que me trocara sem dó. Nesse, fiz questão de por meu nome no remetente, e numa forma de sarcasmo comecei a carta com os dizeres – Minha querida – seguindo assim a mensagem:

     

    Quando a porta atravessar,
    Estarei lá, a esperar;
    Ao olhares pela janela,
    Estarei lá, a observar;
    Na luz do dia ou no crepúsculo,
    Estarei lá, a te acompanhar;
    Como em seus sonhos e pesadelos,
    Ainda me encontrará!

    Torna-te minha propriedade,
    E não há como escapar;
    Sem em barganha da sua,
    Seis almas apresentar!
    E assim, livro-me de minha peste. Já o vejo, de pronto na porta. Vai te demônio! Agora tu predestinado leitor, conhece a composição demoníaca que havia naquela carta. Aos outros, tive por vingança retirar por conta o ultimo verso. Mas nesse caso não vejo motivo qualquer para tamanha crueldade. Como talvez não tivera quem me praguejara com tamanha maldição. Por fim, não precisa esforçar-te muito com cálculos matemáticos para saber que, para salvar-me da agonia me carecia apenas um...

     

    Fernando Ferric:
    Perfil:
    http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=12429537574139923222
    Comunidade- Contos Malditos de F. Ferric
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=9210767:

    August 14

    Passeio na madrugada

     Passeio na madrugada

    O relógio da rodoviária marcava 2h da manhã. Carlos acabava de desembarcar.
    “Droga de estradas mal cuidadas. Pra que servem todos aqueles impostos e pedágios?”. Seu ônibus, programado para chegar na cidade às 20h, sofrera um atraso enorme, pois caíra em alguns dos vários buracos do caminho, tendo que parar para fazer consertos.
    Morava em Belo Horizonte não havia muito tempo. Fora para lá, fazer faculdade, há apenas dois meses e esta seria a primeira vez em que teria que andar sozinho pelas ruas da cidade em tal horário.
    Graças aos sacolejos do ônibus barato, da única empresa que fazia o translado entre sua cidade e a capital, não pudera dormir por grande parte do percurso. Assim, por causa do sono e do medo de assaltos, decidiu Pegar um táxi. Era mais caro, “mas a segurança vale a pena”. Olhou ao redor. No ponto de táxi só havia um carro. O motorista era um senhor de cabelos brancos, olhar taciturno e traços que a noite fazia ainda mais sinistro. Por falta de opção, encaminhou-se para ele mesmo. “Deixe de bobeira Carlos, você já é um homem, e ele é só um pobre velho, que mal poderia

    com você?”, pensou o rapaz ao se dirigir ao automóvel, tentando afastar maus pensamentos.
    Abriu a porta do carro, colocou sua única bolsa de viagem no banco de trás, ao seu lado e disse:
    -Para o centro, por favor! Rua Augusta
    Sonolento que estava, Carlos deitou a cabeça no vidro lateral do carro, talvez dormisse. Enquanto isso ouvia o rádio, que estava ligado em algum tipo de plantão de notícias noturno.
    Atenção, atenção! Suspeito de matar seis pessoas, o taxista Oswaldo Arantes está foragido. Aparenta 50 anos, cabelos grisalhos e olhos pretos escondidos sob enormes olheiras”. Ao ouvir estas palavras, Carlos já quase dormindo, abriu os olhos. Estava apavorado. Olhou para o motorista no bando da frente “(...) 50 anos, cabelos grisalhos, olhos pretos sob enormes olheiras (...). É ele, só pode ser ele”.
    Olhou para as portas. Estavam trancadas. Olhava para todos os lados em busca de um lugar por onde fugir.

    “Está me levando direto para a morte”, pensou desesperado. Respirou fundo, tinha que se acalmar. Foi então que percebeu que aquele não era o caminho habitual para sua casa. Nunca havia passado por aquelas ruas sombrias, que a chuva pesada encarregava-se de escurecer ainda mais. Um raio partiu os céus, e a luz repentina possibilitou que o rapaz visse um horripilante casal de anões. Parecera-lhe que olhavam fixamente para ele, como que anunciando seu terrível destino. O motorista não demonstrava dar conta de seu nervosismo, “ou essa é a tática dele? Deixar suas vítimas apavoradas?!”.
    “Os corpos foram encontrados em tumbas recentemente escavadas, em vários cemitérios da cidade...” continuava informando o locutor da radio, com uma voz gutural, praticamente respondendo as suas incertezas quanto ao trajeto.
    A essa altura Carlos já estava branco de pavor, imaginando todas as formas horrendas como poderia ser morto. Em um canto pouco iluminado do táxi, jurou ter visto pedaços de ossos, mas não, “deve ser imaginação!”. Amedrontado, tinha medo de perguntar para onde o estava levando, afinal a

    resposta poderia ser pior que a dúvida.
    “Todos os cadáveres tiveram os dedos arrancados...”, continuava descrevendo o estranho locutor. Jamais se lembrara de ter ouvido um plantão de notícias tão detalhado. E, ainda sem saber o que fazer continuou acompanhando com olhares ansiosos o caminho que o taxista seguia. Passou em frente a um bar, uma única luz na rua negra. Teve vontade de gritar, mas o som não passava pelo nó que tinha na garganta. Além do que, “nenhum daqueles bêbados ouviria...”, conformou-se Carlos. Foi então que percebeu que todos aqueles bêbados no bar não passavam de espectros.“Argh! Acho que estou é imaginando coisas”. Com esse pensamento, Carlos tentou desviar essas hipóteses absurdas da cabeça, mas o caminho ia piorando cada vez mais, até que entraram em uma estradinha.

    “A suspeita é de que o assassino esteja se escondendo em um casebre, para onde leva suas vítimas...”. Qual não foi sua surpresa, quando, após vinte minutos, despontava em uma curva distante, “o casebre”, com suas paredes de tijolos, telhado quebrado, iluminado por uma opaca luz de velas. “Não, não será tão fácil assim, resistirei, correrei...” mas suas pernas não se moviam.
    Como uma sombra, o taxista apareceu a seu lado na janela do carro, carregava uma pá. Abriu a porta de maneira tão repentina que Carlos sequer teve tempo de desencostar dela. Caiu no chão, na lama formada pela chuva. Suas pernas tremiam.
    Rastejou, gritou, tentou se levantar. Caiu. De repente, a pá, levantada pelo macabro senhor foi iluminada por um raio. Era somente ela, contra todo o negrume do céu, como que a iluminar seu funesto destino.
    De olhos fechados, sem saída, Carlos o aceita.
    - Acorde, já chegou ao seu destino, rapaz!!!

    Meg Casarin

    August 12

    Os mortos de Bikernau

    Os mortos de Bikernau
    Conto de Fernando Ferric
    Com ajuda da tradutora, John acertava os últimos detalhes com o entrevistado, antes de mostrarem ao vivo para toda Inglaterra um laboratório subterrâneo de Hitler, descoberto seis décadas depois da Segunda Guerra.
    Ele estava ansioso, aquela seria sua primeira matéria internacional, estava cansado de cobrir fatos cotidianos em Londres e graças ao envio dos jornalistas mais experientes para cobrir a guerra no Iraque, era escalado para pautas mais interessantes.
    O produtor Phil Jacobson, acompanhava os últimos ajustes do câmera nos equipamentos. Estava pronto, era só esperar a chamada do âncora.
    - John, entramos em trinta segundos. – disse ele
    - Ok Phil! E ai Ed, como estou?
    - Horrível! – respondeu as gargalhadas o câmera – Brincadeira... Está ótimo!
    “Os protestos contra a guerra no Iraque acontecem nas maiores cidades do mundo. Com gritos de “assassino” e “mentiroso” milhares de jovens protestaram na visita do presidente americano a Londres. Há décadas atrás uma outra guerra exterminou milhões de pessoas, aterrorizando o mundo. E mesmo depois de tanto tempo ainda guarda alguns segredos. É o que nos mostra hoje o nosso enviado especial John Perkins. Boa noite John!”
    14/06/2006 11:17
    “Boa noite Charles e amigos do canal 3, estamos em Bikernau cidade polonesa que sempre será lembrada pelas atrocidades do Nazismo. Aqui ainda podemos conhecer um dos campos de concentração de Adolf Hitler. Conhecido como Auschwitz II, este campo tinha um único objetivo: O extermínio. Está tudo intacto, a entrada, a linha de trem, o ponto de desembarque, os quilômetros de arame farpado, os grandes barracões. Um cenário triste e mórbido...
    E hoje com exclusividade mostraremos ao vivo o recém descoberto laboratório, localizado no subterrâneo.
    Ao meu lado esta o pesquisador alemão professor Van Kümmel, que há mais de vinte anos estuda os equipamentos nazistas. Com a colaboração da tradutora Marta Ahnert, o professor irá nos contar sobre essa descoberta.”
    “É historicamente conhecido que aqui em Bikernau foram construídas quatro câmaras de gás, onde milhares de judeus foram executados dia após dia. Agora para nossa surpresa localizamos nessa passagem subterrânea, um laboratório, mas ainda não podemos afirmar se vai trazer algo que já não sabíamos. Mesmo assim é uma descoberta valiosa.” – disse o professor ao repórter sendo auxiliado prontamente pela tradutora
    “Desde já quero agradecer ao professor e sua equipe por nos auxiliar na descida, são mais de vinte metros de profundidade, e para tal usaremos uma espécie de andaime.”
    Após verificarem os equipamentos o grupo começou a descida. O professor e seus auxiliares já habituados com a passagem auxiliavam os demais. O ruído estridente das cordas passando pelas roldanas provocava arrepios. Em volta as paredes de arenito pareciam querer desabar. Enquanto desciam, John detalhava o que podia:
    “Peço desculpas aos telespectadores pela pouca iluminação, nossa única fonte é a própria câmera e as lanternas dos capacetes. A sensação é de estar descendo em um poço. Aqui parece normal sermos invadidos por um sentimento de fobia.”
    John e sua equipe não disfarçaram o alívio quando enfim tocaram o solo. O ambiente pouco iluminado tornava o local ainda mais inóspito e fantasmagórico.
    “É realmente incrível, o local parece estar em perfeitas condições. Professor, já estamos no laboratório?” - perguntou o repórter.
    “Sim, essa é apenas uma das salas, acreditamos que aqui era um saguão.”
    “Entendo. Então quer dizer que existem outras sa...”
    “John? John? Tivemos um problema com o sinal. Voltaremos a seguir com mais informações direto de Bikernau.”
    Berlim, Alemanha – 1943
    Frenzel fora interrompido do seu jantar familiar. Um mensageiro do exercito lhe entregara um telegrama. Uma convocação para se apresentar em Auschwitz II em Bikernau. Aquilo não o surpreendia, Laubert, seu colega de pesquisa fora convocado dias antes.
    Os dois trabalhavam no centro de pesquisas da Degesch, empresa encarregada no fornecimento de Ziklon B. Gás pesticida usado como veneno para execução em massa nas câmaras de gás. Poucos sabiam que o veneno era utilizado com essa finalidade. Mas Frenzel e Laubert sabiam de tudo, foram eles que desenvolveram e retiraram o odor do pesticida, para que os prisioneiros não notassem o envenenamento. Ele sabia que não havia escolha, tinha que arrumar a mala e partir na manhã seguinte.
    Chegou em Bikernau antes do anoitecer, e ficou impressionado com a grandiosidade de Auschwitz II.
    - Magnífico não é doutor? – disse o militar que conduzira o veículo
    Ele apenas concordou com a cabeça. Na entrada foi recebido por dois soldados que o conduziram para uma das instalações.
    Ao entrarem na sala, um dos soldados anunciou sua chegada para o homem que estava sentado em frente a uma enorme mesa. Quase não se via seu rosto coberto pelo capacete, e pela gola da enorme cobertura preta que vestia.
    - Doutor Frenzel! Muito prazer, sou o Capitão Woltmann. Como foi a viagem?
    - Muito prazer. A viagem foi tranqüila, tirando a dificuldade que tivemos em alguns trechos barrados pela neve. – respondeu cumprimentando-o
    - Deve estar cansado, o soldado Daab vai te mostrar seus aposentos. Recomendo que repouse, amanhã irá conhecer seu novo local de trabalho.
    Na manhã seguinte, Frenzel foi levado para o quartel, onde reencontrou Laubert, seu colega de trabalho juntamente com o capitão Woltmann.
    - Bem vindo doutor! Aguardávamos com ansiedade sua chegada. O doutor Laubert é realmente um grande admirador do seu trabalho, foi ele quem o recomendou, acredita ser de grande valia sua colaboração. Graças ao trabalho de vocês há um ano utilizamos o Ziklon B com sucesso, mas com o grande aumento de prisioneiros nossos crematórios se tornaram insuficientes. Precisamos de novas tecnologias químicas para resolver o problema, por isso decidimos criar um laboratório de pesquisas aqui, faltavam profissionais competentes para encabeçar o projeto.
    - Um novo gás?
    O capitão confirmou com um sorriso.
    - Algo que acelere a decomposição...
    - Exatamente! - afirmou o capitão – Parabéns doutor Laubert, o senhor tinha razão, o jovem é muito perspicaz. Agora tenho que ir, o doutor Laubert lhe mostrará o laboratório. Meus homens estão à disposição, se precisar de alguma coisa é só pedir.
    Laubert era um entusiasta do Nazismo, mostrava empolgação ao falar sobre as vitórias das ofensivas de Hitler, enquanto se dirigiam ao laboratório, Frenzel apenas ouvia, não estava feliz em estar ali, não queria fazer parte daquilo. Mas a recusa era impossível.
    Saíram da sala e seguiram o longo corredor, desceram as escadas, que dava acesso a sala das máquinas. Laubert abriu uma das portas do armário que tomava uma parede do local, era um túnel estreito e íngreme, pouco iluminado, Laubert explicou para Frenzel que para segurança das pesquisas ali feitas o acesso deveria ser dificultado ao máximo.
    O doutor Laubert considerou um grande sucesso e contrariando Frenzel, que acreditava ser necessários mais testes com roedores, definiu a segunda fase do Verfaulen, com cobaias humanas. Prontamente atendido pelo capitão Woltmann, foram mandados para câmara cem prisioneiros.
    Os soldados ordenaram aos presos que retirassem suas roupas e que formassem filas para que pudessem fazer a higienização, procedimento costumeiro nos campos. Os cientistas observavam à distância.
    As expressões de medo daquelas pessoas arrepiavam o jovem cientista.
    Pouco a pouco entravam na pequena câmara.
    -Droga! A câmera desligou... – esbravejou Ed
    - Como assim? Você checou a bateria? –perguntou Phil
    Todos se voltaram para o câmera man.
    - Chequei chefe. Estava carregada.
    - O que houve? Perdemos o sinal? – perguntou John
    - Pior! Acho que o problema é com a câmera... – disse Ed verificando o equipamento – Acho que teve uma sobrecarga na bateria... O único jeito seria ligar aqui mesmo.
    - Pode ser, mas a chance de funcionar é pequena o laboratório está há décadas desativado. – disse Phil
    - Bom, não temos escolha ou tentamos isso ou voltaremos sem matéria.
    - Voltar sem matéria não! Vamos tentar, por favor... Phil? – disse John
    - Tudo bem! Vamos procurar. Fica mais fácil se nos separarmos. – respondeu Phil
    Enquanto andavam o professor com auxilio da tradutora, contava minúcias dos equipamentos de guerra alemã, o câmera olhava atentamente cada lugar a procura de uma caixa de luz.
    Ficaram admirados na segunda sala com as mesas repletas de tubos de ensaios, anotações, prateleiras repletas de formulas químicas, como se o laboratório ainda estivesse em uso.
    - Esse local me afeta profundamente. – disse Phil, iluminando com sua lanterna uma propagando nazista pregada na parede do laboratório. – Sou judeu. Minha família sofreu na pele a crueldade do nazismo. Meus avós foram mortos aqui em Auschwitz, só meu pai conseguiu sobreviver, e constituir família na Inglaterra.
    O professor olhou espantado e carinhosamente pediu que a tradutora lhe desse o pedido de desculpas e lamentação em nome do povo alemão.
    - A grande maioria jamais soube o que eles faziam aqui nos campos. – disse ele
    John só conseguia se lamentar por não estar conseguindo mostrar tudo aquilo ao publico. Sabia que tinha um vasto material para explorar.
    - Hey!!! Olha só o que eu encontrei! – disse Ed apontando para um pequeno rato preso em um viveiro.
    - Não é possível!!! Está vivo?!
    Quando todos os presos já estavam dentro da câmara, por ordem do capitão o gás foi liberado. Rapidamente os presos caíam asfixiados. Os gritos de pavor venciam as divisas da câmara, trazendo desconforto aos soldados que aguardavam a execução.
    Alguns se jogavam contra as paredes, numa tentativa desesperada de fugir, em vão. O silencio já tomava conta quando o doutor Laubert, após consultar o relógio autorizou a abertura.
    Os soldados, todos equipados com mascaras, ao entrarem na câmara se depararam com uma cena dantesca. No chão, os corpos quase que empilhados se decompunham. Num canto um corpo ajoelhado, encolhido, mostrava todo o sofrimento causado pelo envenenamento.
    Aos poucos o que sobrara dos presos era retirado. Tudo feito sob o olhar atencioso dos cientistas. O gás realmente fizera efeito, mas como nos testes realizados com os ratos, também houve alguns que não sofreram a decomposição acelerada. Esses foram denominados “tolerantes” e levados para uma câmara fria, para que pudessem servir para posteriores estudos.
    No dia seguinte, enquanto Laubert com o auxilio de um médico legista observava o corpo de um dos “tolerantes”, Frenzel na outra sala, anotava os efeitos do Verfaulen nos presos. De súbito se distraiu com um barulho.
    Batidas fortes e continuas em um vidro, levantou assustado, estava sozinho na sala e intrigado foi caminhando lentamente em direção ao ruído, quando se deparou com o viveiro, o roedor que havia sido cobaia nos testes com o gás, estava vivo, se debatendo no vidro.
    O jovem cientista esfregou os olhos achando estar delirando, mas era real. Aquela pequena criatura que há dois dias atrás não tinha vida, corria aceleradamente pelo viveiro. Totalmente agressiva. Ele sabia que deveria testar mais o Verfaulen.
    Foi imediatamente ao encontro de Laubert. Entrou na sala afobado.
    - Frenzel? Que foi homem? Parece ter visto uma assombração!!!
    - Pior doutor... Muito pior... – respondeu ofegante – O rato... Ele está vivo!
    - A cobaia? Ora, não seja tolo!
    - Não estou sendo! O “tolerante” como esse aí na mesa, agora está vivo... Entende o problema? Há algo errado com o Verfaulen.
    - Isso é impossível.
    Ed colocou a câmera no chão e abriu a tampa do viveiro.
    - Não faça isso! – disse John
    - Ora... É apenas um pobre rato...
    Enfiou a mão no viveiro, e retirou o pequeno roedor, sob olhar curioso dos demais.
    - Quanto tempo vive um rato? – perguntou
    - Sei lá, mas preso e sem comida... Não teria nenhuma chance de estar vivo. Isso é um milagre, sem duvida. – respondeu Phil
    - Hummm... Garoto, você é um guerreiro! Vou chamá-lo de Ali, Muhammad Ali! – disse Ed, afagando a cabeça do bicho ainda agitado.
    Distraído com as risadas dos companheiros, o câmera man afrouxou os dedos e o rato mordeu-lhe o dedo polegar, escapando em seguida.
    - Desgraçado!!!
    - É Ed, acho que ele não gosta muito de boxe. – disse John as gargalhadas.
    - Rato Maldito!!! Olha o que ele fez!!! – mostrando o dedo ensangüentado.
    - Nossa! É melhor você lavar isso. – disse Phil, jogando seu cantil.
    Desajeitado, Ed não conseguiu segurá-lo, deixando-o bater em uma das paredes, produzindo um som metálico.
    - Ouviram isso? Phil seu sortudo! Acaba de encontrar a caixa de luz. – disse Ed, iluminando com a lanterna do seu capacete.
    Enquanto o professor e a tradutora conversavam no outro canto da sala, John, Phil e Ed tentavam solucionar o problema com a câmera para que pudessem enfim terminar a matéria.
    Laubert pegou um bisturi e colocou na mão do legista.
    - O doutor Hanz irá lhe mostrar como esses porcos estão mortos. Corte-o!
    O legista não pensou duas vezes, passou o bisturi suavemente no abdômen do defunto. Desenhando uma suástica na pele pálida.
    Frenzel olhou com nojo, sentindo o cheiro do Verfaulen que exalava daquele corpo.
    Mesmo descrente o doutor Laubert acompanhou Frenzel até a sala. Deixando o legista continuar seu trabalho. Com o bisturi ele abria rapidamente o “tolerante”, a pouca pele que restara entre os ossos daquele prisioneiro não lhe oferecia resistência. Só parou quando um esguicho de sangue atingiu seu olho, largou o bisturi ao lado do corpo, e foi até a pia.
    Tirou as luvas, colocou-as no bolso do avental. Abriu a torneira, e com as mãos jogou água no rosto, tirando o sangue do prisioneiro de sua face. Com os olhos fechados, pegou a toalha e se enxugou. Mas quando abriu os olhos, se deparou com aquele que antes estava inerte aos seus retalhos, bem atrás dele. Pelo espelho a presa pode então ver os olhos esbranquiçados do seu predador. Não teve sequer tempo de gritar, sofrendo uma forte mordida na nuca. Caído, ainda com os olhos abertos, teve seu corpo rasgado às mordidas. A criatura faminta banqueteava com seus órgãos vitais.
    Na outra sala, no momento em que Frenzel mostrava aos olhos incrédulos de Laubert o pequeno roedor no viveiro, um soldado adentrou.
    - Temos um problema na câmara doutor.
    - Frenzel, avise o doutor Hanz, diga pra ele que depois continuamos a autopsia. Depois me encontre na câmara.
    Frenzel correu pelo corredor até a sala de experiências, a porta estava entreaberta, ele aproximou vagarosamente, como se por intuição sentisse o perigo que corria.
    - Doutor Hanz? Doutor?
    Ao abrir a porta avistou o médico dilacerado no chão.
    - O que fizeram com você...?
    Nisso, surgiu detrás de uma bancada à criatura, indo velozmente em sua direção. Frenzel tentou correr, mas tropeçou em uma das mesas. Ele podia ver a suástica cortada na pele do morto, da sua boca saía uma baba gosmenta misturada às tripas do legista que ele acabara de comer. Quando a criatura armando o bote certeiro, pulou em sua direção, uma rajada lhe acertou, tombando-a.
    Era o doutor Laubert e o soldado. Eles ajudaram-no a levantar.
    - Frenzel, você está bem? – perguntou o doutor - Quando o soldado me contou o que ocorrera com outros “tolerantes”, vim imediatamente para cá, sabia que Hanz e você corriam um sério risco. Mas vejo que não deu tempo de salvá-lo.
    - Outros tolerantes? O que criamos? Criamos monstros! – perguntou Frenzel ainda trêmulo.
    - Não temos culpa! Jamais imaginaria que isso fosse ocorrer. Todos os testes foram realizados. Fique calmo, nós criamos, então podemos destruir!
    - Exatamente doutor! – disse o capitão Woltmann ao entrar na sala - Podemos destruir... - mirando sua arma na criatura. – Mas tenho três noticias, uma boa, uma ruim... E outra péssima – engatilhou a arma – A boa é que são poucos. – (tiros!) – A ruim é que... - (mais tiros!) - Mesmo atirando, após um tempo elas levantam como se nada tivesse acontecido. –- caminhou até o corpo do legista – E a péssima é que, se sofrermos qualquer ferimento provocado por eles. – apontou a arma na cabeça dele – Nos tornamos como eles!!! - (tiros!).
    Frenzel estava apavorado, os outros também. O capitão contou-lhes a real situação, a câmara estava tomada por esses mortos vivos. Enfurecidos! Ele e seus homens os continham com dificuldade já que não se abatiam por muito tempo com os tiros. Ele queria todos fora do laboratório, mas antes teriam que trancafiar as criaturas na câmara.
    - Vamos! Não quero perder mais homens nessa batalha do Inferno. – disse ele recarregando sua arma.
    Com alguma habilidade Ed conectava o cabo de energia da câmera em um dos cabos de energia do laboratório. Sabia que necessitava de um pouco de sorte para aquilo funcionar. Já que o local mesmo estando em perfeitas condições, era muito precário.
    - Está pronto! Vamos ligar! – disse o câmera man - Conceda a honra chefe! – disse ele, com a mão estendida para a chave de energia.
    - Com todo prazer... – retrucou Phil, rindo cinicamente.
    Ao ligar, não só a câmera funcionou, como também todo complexo em que eles estavam. Não era uma luz apropriada para um lugar como aquele. Mas sabendo a época em que fora construído era normal aquela iluminação fosca, alaranjada.
    - Eureka! – gritou John, satisfeito por novamente gravar sua matéria. Lembrou ter a sorte de ser um canal com vinte e quatro horas de noticia. Assim o atraso na matéria não seria problema, já que podiam entrar ao vivo em qualquer momento na programação.
    Esclarecido via link, todo o problema para os telespectadores. John se apressou em mostrar o laboratório, sendo seguido prontamente pelo entrevistado e sua tradutora. Atrás estava Ed, com sua câmera e Phil coordenando a matéria.
    Em um breve momento, Ed se mostrou desatento, sendo cutucado pelo produtor. Disse ele não estar se sentindo bem, Phil respondeu que também não se sentia bem ali, e que provavelmente o problema do câmera man era o ambiente fechado em que se encontravam.
    No pequeno intervalo que tiveram, todos se voltaram para Ed, seu dedo que fora mordido pelo rato, ainda latejava, e o mal estar parecia aumentar cada vez mais.
    - Será que peguei uma doença, daquele rato maldito?
    - Improvável. Mas assim que terminarmos aqui, vamos para um hospital. Mas está bastante inflamado.
    O ferimento, já não sangrava, mas tinha um aspecto infeccioso, com formação de pequenas bolhas de pus. Eles resolveram concluir a matéria rapidamente, Phil se ofereceu a gravar o restante. Quando terminaram de mostrar a ultima sala, seguiram um longo corredor o qual terminava em dois caminhos, em um lado um pequeno elevador, noutro via-se no fundo uma enorme porta de ferro.
    - A entrada! – disse em alemão o professor.
    - O que ele falou? – perguntou John
    A tradutora o respondeu, e continuou a traduzir o que o velho falava. Ele dizia que era por aquele elevador que os nazistas tinham acesso à câmara. Mas por alguma razão estava destruído. Talvez por que, com a derrota evidente, os seguidores de Hitler decidiram esconder tudo que era relacionado a eles. E como é de conhecimento de todos, as pesquisas, muitas vezes bizarras era carro chefe dos nazis.
    O repórter tratou de mostrar tudo, enquanto Phil filmava o velho elevador, John, notou que Ed, não estava mais com eles. Disse, que voltava em seguida. Pedindo o intervalo novamente a rede.
    - Cadê ele? – perguntou para Phil
    - Não sei, pensei que estava atrás de mim.
    Os dois voltaram ao corredor e encontraram Ed caído há alguns metros.
    - O que há com você? Ed? Ed?
    Mas seu amigo, não lhe respondera, cravou-lhe os dentes com toda força na panturrilha. O grito de Phil ecoou por todo o corredor. Arrepiando a tradutora e o professor. Ed se transformara em um ser sedento por carne. E vorazmente prendia seus dentes na perna do produtor. O sangue jorrava, e o ruído da criatura, se misturava com os suplícios de Phil que esmurrava a criatura. Aquela cena grotesca deixou John paralisado por segundos. Aos berros Phil pedia ajuda para o repórter, que apavorado com a cena, correu. Só teve coragem de olhar novamente para eles, no fim do corredor. Era melhor não ter visto. Pois aquilo que Ed virou, arrancava a carne de Phil em largas mordidas. Não havia mais resistência por parte do produtor.
    John voltou-se a correr em direção dos outros. Pálidos, não acreditavam no que ele contava. A única coisa que queriam era sair logo dali. Mas como? Se a única saída estava tomada pela criatura. Foi então que Marta apontou para a porta de ferro.
    O professor arregalou os olhos para ela.
    - A senhora sabe o que é isso? É uma câmara! É loucura entrarmos ai.
    - Não temos outra saída, ele virá atrás de nós. – retrucou a tradutora.
    - O que estão falando? – perguntou John, sem entender nada do idioma.
    - Não há saída! Temos que nos esconder... Ali! – disse ela apontando para a porta.
    Os cientistas acompanharam o capitão e seus soldados, levando com eles os dois mortos amarrados; o legista Hanz, e o tolerante. O capitão ordenou há um dos seus soldados que atirasse assim que os corpos começassem a se debater. Na entrada da câmara uma barreira humana tentava conter as criaturas. Eles avançavam vorazmente e já não eram apenas prisioneiros judeus, alguns soldados, vítimas de seus ataques, agora também pleiteavam a refeição: CARNE HUMANA!
    Frenzel e Laubert olhavam tudo com pavor, os soldados atiravam em alvos imortais. No chão os corpos dos presos se juntavam aos nazistas.
    - Nunca pensei que veria nossos homens ao lado deles. – disse um soldado para o capitão, esse compenetrado em conter a ofensiva das criaturas.
    Precisava de algo que fizesse os ficar preso. A única forma de detê-los seria prendê-los novamente na câmara. Mas como passar por elas? Olhou para o lançador de morteiros, Woltmann sabia que não poderia usar morteiros e granadas, todos morreriam. Mas pensou que talvez pudesse jogar com aquelas criaturas. Elas não tinham racionalidade. Eram selvagens, loucos por comida.
    Ordenou que seus soldados preparassem o lançador, eles estranharam, mas atenderam prontamente.
    Os únicos que não estavam com fuzis nas mãos, eram os cientistas. Então, pensou ele, estava na hora de ajudarem. Pegou sua faca e a de outro soldado e os chamou.
    - A situação como podem ver é drástica. Meus homens não conterão muito tempo. Quero prender essas bestas demoníacas dentro da câmara. – disse, olhando atentamente para seus homens – Precisamos de uma isca, e vendo que estão ávidos por carne, vamos dar carne para eles. Estão vendo isso? É um lançador de morteiros, podemos lançar com precisão.
    - Mas onde vamos arrumar carne uma hora dessas, capitão? – perguntou Laubert
    O capitão apenas apontou para os dois corpos.
    - Eles provarão do próprio veneno. E é essa tarefa que terão que realizar. – respondeu, dando uma faca para cada - Vamos cortem! São cientistas, estão acostumados com isso.
    Frenzel ficou enojado, mas sabia que tudo era válido para sair dali rapidamente. Olhou rapidamente para o doutor Laubert, sua vontade era de jogar à sua cabeça para as criaturas. Por causa dele estava naquele lugar, ao invés da calmaria do laboratório da Degesch.
    Sentou-se ao lado do tolerante, (o escolheu por achar mais fácil fazer o serviço, já o tinha visto em uma mesa de autopsia antes), deixando Laubert com a obrigação de decepar o legista.
    Enquanto as criaturas pulavam como loucas na direção dos soldados, ferindo se umas as outras na tentativa de alcançá-los, os dois cientistas se vinham na função de açougueiros com seus facões empunhados, prontos para a desossa.
    O verfaulen tinha dado uma consistência diferente à pele daquele ser, Frenzel se concentrou, repetindo para si mesmo diversas vezes, que aquilo não era humano. Assim pode começar. O facão afiado, com contínuos e fortes golpes começava a decepar o tolerante. A carne apodrecida espirrava lhe no avental, não foram poucas as vezes que ele parou para vomitar. Mas continuou seu trabalho. Com Laubert não foi diferente. Momentos antes estavam juntos, trabalhando na autopsia, agora por ironia do destino era ele que estava lá, sendo cortado como gado.
    O capitão acompanhou todo o serviço dos dois cientistas, nessa altura pareciam mais açougueiros, com seus aventais repletos de sangue. Como se fosse munição, as partes dos corpos eram enroladas com as próprias vestes dos mortos e preparadas no lançador. Enquanto alguns combatentes mantinham com determinação os mortos há uma distância considerável, o capitão ordenou que apontassem o lançador em direção a câmara, e no sinal do soldado fez se atirar à primeira remessa. As criaturas com o faro apurado voltaram se para as bombas de carne humana, lançadas na câmara. Isso, suas bestas cretinas! Mordam a isca! – gritou o capitão, extasiado.
    A cada disparo, mais mortos entraram na câmara, e enquanto se digladiavam por aquela matéria já apodrecida, os soldados avançavam a linha de ataque, encurralando-os. O capitão, com toda sua experiência, percebeu o momento certo para ordenar que seus homens fechassem a porta da câmara. Quando, com algum trabalho, os militares conseguiram trancafiar as criaturas, jogaram as armas no chão e se abraçaram, comemorando a vitória de uma batalha que parecia impossível vencer. A enorme porta de ferro, continha toda a fúria monstruosa das criaturas. Frenzel se viu enfim, fora do temível pesadelo, e para ele não importava se levaria um tiro de fuzil na nuca, prometera nunca mais criar armas químicas.
    Hitler, ao ser comunicado sobre o incidente, ordenou que as pesquisas no laboratório fossem suspensas, e também que mantivessem presas àquelas criaturas para estudos, após o término da guerra.
    O capitão, contrariado com a ordem de seu chefe maior, cercou-se de medidas preventivas para que jamais aqueles seres saíssem com vida da câmara, minando em alguns pontos a entrada da câmara. Sabia que uma explosão enterraria-os de uma vez. Destruiu o elevador e o acesso ao laboratório. E pediu as combatentes envolvidos, que mantivessem segredo. A versão dada para consolo dos familiares dos soldados mortos, foi um levante judeu. Prontamente contido.
    Com a derrota dos alemães, os mortos de Bikernau, ficaram como um ato esquecido na peça trágica e mortal da Segunda guerra.
    Mesmo contrariado, o professor seguiu os dois até a porta, sabiam que não haveria tempo, pois, assim que terminasse com o produtor a criatura buscaria mais alimento.
    A porta de ferro tinha uma trava giratória, muito usada em submarinos. Precisou do esforço de John e do professor para abri-la, Marta ficou olhando atentamente para o corredor, para alertar caso a criatura surgisse. E surgiu! Rosnando como fera, correndo em sua direção. Ela, pasma com o que viu, só conseguiu balbuciar...
    - E-El-Ele...
    Mas, antes que a criatura pudesse estraçalhar as vísceras da tradutora, seus companheiros abriram a porta. E pelo braço puxaram-na para dentro da câmara, travando a porta em seguida.
    O silêncio só não era absoluto, pois, a respiração ofegante dos três alternava-se. Escuro! Assim estava o ambiente. Mas, infelizmente para os três, o olho humano se acostuma com as trevas, tornando possível enxergar novamente, não com clareza! Mas nem era preciso, pois, cercados de criaturas sedentas por carne e sangue, não havia muito que reclamar da escuridão.
    Aquilo que Ed se transformou, pulava agitado sobre a porta, querendo participar do banquete humano que era degustado pelas outras criaturas. Essas famintas por décadas! Mas nesse desespero a criatura pisou em algo, um clique, seguido de um grande estouro. Que gerou naquele subterrâneo um abalo, um grande abalo, seguido de um desmoronamento. Os mortos de Bikernau estavam enfim, enterrados!
    Prontamente uma busca foi feita em Bikernau para encontrar os cinco desaparecidos. O mundo lamentou o trágico desabamento do laboratório subterrâneo. John não ganhou o prêmio de reportagem que tanto sonhava, mas fora reconhecido, de uma forma ou de outra, alcançou sua fama.
    No meio das escavações, a fim de se encontrar os corpos das vitimas, o bombeiro sentiu algo lhe correr sobre as pernas. Suavemente pegou-o com a mão. A brancura contrastava em sua luva preta. Tão meigo... Tão pequenino... Pensou a sorte ter sido gentil com ele naquele dia, pois era justamente o dia do aniversário do filho, e, quando chegasse em casa entregaria para o garoto, o pequeno roedor!
    August 10

    Monólogo

    Porque chove esta noite?Noite feia...sem graça!!!Parece até não dar importância ao grande momento,MEU momento!
    Mas nada me fará mudar de idéia!!!Escolhi esta noite e nela será!
    Meu espirito está preparado para encontrar aquela que sempre me fascinou!!!
    Já a sinto por perto,me rondando...Ah!Você...misteriosa,encantadora!
    Tudo pronto para a minha realização:Meia luz,velas,insenso perfumando o ambiente,punhal,uma carta...tudo para te receber...
    Coragem sempre tive,e agora irei usa-la.
    28 anos de uma vida louca...louca vida!Conheci de tudo um pouco...Sexo,a dádiva dos deuses...drogas,te encanta no primeiro momento,mas depois descobre-se a verdadeira face do mal.Bebidas,amigos,inimigos...Tudo,tudo!
    Mas amor...?Só por você que me encanta,me traz fascinio...
    Eis o punhal que finalmente me mostrará sua face!!
    >Então,com o punhal em punho,em frente ao espelho,decidida e feliz,consegue ver sua amada.Com um golpe fatal,perfura seu próprio peito,dizendo suas ultimas palavras:"És linda..."
    No criado-mudo uma carta,para quem a encontrar:
    "(...)Fui encontrar-me com minha amada...A MORTE(...)"
     
    Conto by ANE
    Prefil:
     
    August 09

    Os Desenhos

    Era uma tarde de verão quando Maria admirava seu filho Alisson rodeado de lápis de cor e folhas desenhando no chão.
    Desde bem novinho ele era apaixonado por desenhos e às vezes passava horas quietinho no seu quarto entretido com as imagens coloridas.
    Maria olhou para o céu azul e agradeceu a Deus por tanta tranqüilidade. Se levantou da cadeira onde estava sentada e caminhou até onde Alisson estava.
    Passou a mão na cabeça do filho e observou o que ele estava desenhando.
    No começo não conseguiu entender,observou mais de perto e ficou espantada com o desenho.Era o desenho de uma mulher,com aspectos de uma senhora de 60 anos sendo atropelada por um ônibus escolar.A riqueza de detalhes era tanta que Maria não podia acreditar que tudo aquilo tinha saído da cabeça de um menino de sete anos.
    - Filho,de onde você tirou isso? – disse Maria assustada.
    - Eu vi mamãe,bem ali. – disse Alisson apontando para a rua.
    Maria abismada,caminhou até a sala onde seu marido Adilson estava assistindo televisão.
    - Adilson,olha o que o Alisson desenhou,ele disse que viu o que esta desenhado aqui.
    Adilson pegou o papel olhou e devolveu a mulher fazendo cara de deboche.
    - Amor,isso é só um desenho imaginação de criança,não esquenta a cabeça com isso não,vem cá deixa eu te dar um beijinho. – disse Adilson todo amoroso.
    Maria o empurra e diz.:
    - Imaginação de criança?Ele desenhou a morte de alguém Adilson.
    - E daí Maria,é só um desenho.
    Nesse momento o casal ouve um forte barulho do lado de fora da casa.Os dois se entreolharam e correram para ver o que era.
    Quando chegaram na varanda encontraram Alisson olhando para a rua com os olhos arregalados.
    Maria e Adilson não acreditavam no que estavam vendo.A cena tinha um ônibus escolar parado e dona Ofélia, a vizinha, caída embaixo dele toda ensangüentada.Os dois pegaram o desenho e notaram que era a cena do acidente.
    Eles correram pra ajudar,mas em vão pois Dona Ofélia estava morta.Sua cabeça estava presa na roda do ônibus,uma coisa horrível de se ver.
    Diante daquele acontecimento eles resolveram conversar com Alisson.
    - Filho,eu e seu pai queríamos saber melhor como você previu o que iria acontecer? – disse Maria ainda transtornada com tudo aquilo.
    - Eu não sei,eu só vi e desenhei – disse Alisson com voz de choro.
    Adilson só sabia olhar para o desenho e o comparar com a cena do acidente. Não conseguia pronunciar nenhuma palavra.
    - Adilson,me ajuda – disse Maria já irritada.
    - Não sei o que dizer.Melhor mantermos segredo disso,ou teremos problemas.
    E em comum acordo foi assim que fizeram.
    Nos próximos dias tudo correu normalmente,a não ser o fato que Alisson não desenhava mais. O menino só andava triste pelos cantos e não falava aos seus pais o que era e então eles chegaram à conclusão que era só uma fase,eles achavam que o menino estava assustado com a morte de Dona Ofélia.
    Em uma manhã de sexta-feira,Maria e Adilson receberam um convite para passar um final de semana na chácara de um casal de amigos.Sendo assim,eles contrataram uma baba para ficar com Alisson.
    O menino,quando soube da noticia, relutou,chorou,esperneou mais não adiantou.Os pais decidiram ir.
    Antes de sair para viagem,Alisson com lágrimas no olhar entregou um papel a Maria,que na pressa de sair não abriu e colocou dentro da bolsa.
    Alisson se despediu de seus pais que prometeram que voltariam no domingo.
    Durante a viagem,Maria comentou com Adilson que realmente eles precisavam relaxar principalmente depois daquele incidente do ônibus escolar.
    - Ai amor,fiquei com um dó de deixar nosso filho lá. – disse Maria.
    - Mas amor,vai ser legal,você vai ver,vamos nos divertir muito e a baba que contratamos é muito boa,vai dar tudo certo você vai ver – disse Adilson animado com o final de semana que teriam pela frente.
    Depois de mais ou menos uma hora de viagem,Maria lembrou do papel que Alisson tinha lhe dado e que ela não tinha visto.
    Pegou a sua bolsa e ele estava lá.
    Quando abriu o papel e viu o desenho seu rosto fez uma expressão de horror.
    - Adilson,vamos voltar – disse ela apavorada
    - Por que?Já estamos quase chegando!!!
    Maria deu o desenho a Adilson que fez meia volta soltando um grito de horror.
    Quando chegaram na casa, que estava tomada pelas cinzas Maria e Adilson não puderam conter o desespero.Os bombeiros não conseguiram controlar o fogo e os corpos da baba e do menino estavam completamente carbonizados.
    Alisson previu a própria morte e queria simplesmente que os pais entendessem que ele teve medo de estar sozinho naquela hora.
    August 01

    O fotógrafo

    >Eu sou fotógrafo. Tenho 32 anos e gosto de tirar fotos dos cemitérios. Meus trabalhos são bem conhecidos, mas mesmo sendo o único a fazer este tipo de trabalho no Brasil, eu estava desempregado.

    >Mantenho sempre em ordem meus e-mails para receber propostas nesta área.
    >
    >Recebi uma mensagem para entrar em um grupo. (Grupo é onde algumas pessoas que tem gostos parecidos se encontram para comentar algo em comum. Depois de cadastrado enviamos uma mensagem para o e-mail do grupo e todos que estiverem cadastrados lá recebem esta mensagem).
    >
    >Eu me cadastrei porque fui convidado para mostrar o meu trabalho para eles.
    >Era um grupo de Magnatas que procuravam pessoas com trabalhos diversificados. Embora o nome do grupo não tivesse nada relacionado a isso.
    >
    >Na parte de entrada do grupo mostrava a quantidade de pessoas que estavam lá, 283 estavam cadastrados.
    >
    >Conheci o casal Martiniano, acho que eram moderadores do grupo, pois eles eram os que mais organizavam os comentários e enviavam muitas mensagens.  Os nomes deles Eram Sarah Martiniano da Silva e Rogério Martiniano da Silva.
    >
    >Logo que coloquei a primeira mensagem no grupo o pessoal começou a enviar muitas mensagens de boas vindas e diziam como estavam contentes em ter mais um integrante no grupo. Queriam me conhecer completamente. Perguntavam sobre
    >o meu trabalho, as minhas fotos,  quanto tempo eu tinha essa profissão etc.
    >
    >Aos poucos fui conhecendo o pessoal. Eram as pessoas mais variadas em profissões e idades bem diferentes das outras. Engenheiros, advogados e estudantes. Os assuntos eram dos mais diversos. Mas todos tinham algo em comum. Eles não saiam muito! Ficavam no computador por horas.
    >
    >Sarah era muito legal e falava com todos com seu jeito bem simpático. Ela me disse que queria ver amostras do meu trabalho, pois estava escrevendo um livro e acharia interessante as fotos dos cemitérios que tirei, e me pediu
    >uma amostra.
    >
    >Eu tinha um portfólio invejável, mais de mil imagens sobre tudo relativo a cemitérios no Brasil. Então coloquei uma amostra de 30 imagens nos arquivos do grupo. Assim todos poderiam dar uma boa olhada no meu trabalho. Realmente
    >adoraram. Falaram que as fotos estavam muito nítidas e com muitos detalhes que só um fotógrafo profissional poderia dar.
    >
    >Fiquei muito contente com o elogio.  A Sarah ficou muito agradecida e já estávamos fazendo negócio para enviar muitas imagens com um preço bem agradável de 45 mil reais. Fiquei besta com o acordo. Mas ela queria ver todas as fotos. Isso iria me dar um trabalho e tanto. Mas aceitei.
    >
    >Enquanto eu escaneava as fotos e colocava no grupo o pessoal ficava cada vez mais amigo meu; as meninas do grupo me tinham como um deus. Respondiam todas as mensagens que eu colocava lá e queriam saber tudo sobre mim. Realmente
    >era o melhor grupo que eu conhecia. Elas não tinham ciúmes das outras e ficavam dizendo que eu poderia ficar com todas e podia enviar mensagens poéticas para elas sem problemas porque elas não eram ciumentas e até mesmo a Sarah dizia  que o marido dela deixaria que eu saísse com ela
    >tranqüilamente. Todas tinham paixão pelo gótico, pois comentavam sobre as fotos que eu tirava de cemitérios e adoravam ver todo o meu trabalho. Pediam mais; eram viciados por fotos assim e isso me deixava mais empolgado.
    >
    >Mas um dia notei algo estranho. No começo achava comum alguns saírem, mas em uma semana o grupo perdeu mais de 100 associados e então perguntei que estava havendo. Foi quando fiquei encanado. Todos desconversavam. Até mesmo algumas meninas tinham saído do grupo e eu podia jurar que eu as tinha em minhas mãos. Uma pena. Mas eu percebi que o marido de Sarah não estava mais no grupo. Ela disse que teve que viajar urgente, mas que o contrato sobre o livro estava aberto e que eu deveria continuar a enviar as fotos para o
    >grupo.
    >
    >Como eu escaneava as fotos em resolução baixa (72 dpi é a resolução apenas para internet e não dá para publicar em revistas e jornais por ser muito pequena.) continuei colocando no grupo. E em uma noite eu havia colocado
    >todas as fotos que eu tinha nos arquivos do grupo.
    >
    >Enviei uma mensagem para o grupo dizendo que todas as fotos de cemitério que tirei estavam lá. Fiquei esperando as mensagens de elogios sobre o meu trabalho, mas não era bem isso que estava acontecendo.
    >
    >Fui então para a página inicial do grupo onde continha o número de participantes. Quando me deparei com a surpresa.
    >
    >Estava diminuindo a quantidade de pessoas do grupo rapidamente.
    >
    >Fiquei em pânico. Enviava um monte de mensagens para o grupo perguntando o que estava acontecendo. Por que estavam abandonando o grupo.
    >
    >Não tive nenhuma resposta. De cem pessoas diminuiu para 30 e foi diminuindo pela madrugada adentro até que ficou apenas um.
    >
    >Era uma menina de 14 anos. Nunca falava no grupo. Seu nome era Michelle.
    >Perguntei porque ela não havia saído também e se ela sabia de algo.
    >
    >Ela foi muito clara e direta.
    >
    >- As fotos do cemitério. As lápides! Veja os nomes das lápides!  Veja os nomes dos túmulos.
    >
    >Eram eles! Todos mortos, Sarah e Rogério, em cemitérios diferentes. A foto do túmulo do Rogério eu coloquei primeiro, por isso ele foi primeiro que ela, e estavam aqui para ver seu próprio túmulo. Eu mostrei para cada um
    >deles sua própria lápide, seu próprio túmulo mostrando que estavam realmente mortos.
    >
    >Meu Deus! Eu não podia acreditar. Devia estar ficando louco. Tinha que ver isso.
    >
    >Fiquei com um arrepio macabro e com muito medo de tudo isso.
    >
    >Verifiquei cada foto, cada imagem. Algumas realmente tinham nomes de pessoas que estavam no grupo.
    >
    >Todos estavam lá. Fiquei conversando horas com Michelle e não sabíamos como eles tinham entrado neste grupo e nem sobre como morreram, pois as fotos foram tiradas em vários cemitérios.
    >
    >- Michelle que aventura louca. Sabe se eu contasse aqui para o pessoal não acreditariam. Bom vou sair do grupo para nunca mais voltar. Obrigado por me ajudar a solucionar tudo isso.
    >
    >Ela enviou uma única mensagem.
    >
    >- Vai me deixar aqui sozinha? Não vai achar meu túmulo? Por favor, me ajude!!!
    >
    >Novamente o arrepio passa por todo o meu corpo quase ficando sem forças para falar e com o coração saltando pela boca.
    >
    >O que eu faço?
    >
    >Não havia muitas respostas lógicas e nem sei se o que eu estava fazendo tinha explicação.
    >
    >Peguei minha câmera e comecei a vasculhar os cemitérios da cidade. Eu tinha o nome inteiro dela. Nomes dos pais, tudo.
    >
    >Finalmente eu achei seu túmulo. Tirei várias fotos, escaneei e coloquei no grupo quando finalmente o grupo ficou só  com uma pessoa. Eu!
    >
    >Decidi que nunca mais entraria em algum grupo na internet. Eu devia ter desconfiado de tudo isso já que o nome do grupo era bem sugestivo: "Almas Penadas".
    >
    >Mas algo deu errado.
    >
    >Eu não conseguia sair do grupo.
    >
    >Fui promovido a moderador do grupo?  Não conseguia sair.
    >
    >O que estava acontecendo? Eu era uma alma penada também?
    >
    >Foi quando eu vi o número de participantes. Estava aparecendo novos cadastrados e aumentando de 10 para 50 para 70 e continuava crescendo.
    >
    >Foi quando recebi a primeira mensagem.
    >
    >- Me ajudem! Cadê meu túmulo?
    >
    >
    >
    >Por Adriano Siqueira
    >www.adoravelnoite.com
    >lord_dri@terra.com.br
    >
    >MINHA COMUNIDADE
    >
    >http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5202115
    July 31

    Na cadeire de balanço

    Na cadeira de balanço...
    Sentado em sua repousante cadeira, ele estava como se adormecido. Apenas ouvia o tic –tac, irritante do relógio de parede que se encontrava à sua frente.
    Estava só todos haviam saído. Agora estava naquela apatia física, seus olhos se limitavam a ver as horas passarem lentamente. Parecia uma eternidade que ele se encontrava naquela posição, no entanto só passara meia hora. Desde que ele se colocara naquela situação de relaxamento total do seu físico.
    Naquele pequeno tempo, vasculhara sua mente para fazer uma análise daquele dia. A mente, no entanto se perdia diante da enormidade de fatos que preenchiam aquele e todos os outros dias.
    Sua mulher e filhos haviam saído para fazer uma visita a parentes dela. Ele, porém, preferira ficar em casa por se sentir cansado e esgotado.
    Ainda era considerado jovem. A força e o vigor ainda eram constantes, no entanto naquele dia, sentira-se cansado e sem vontade de sair, razão pela qual ficara em casa sozinho.
    Sentado e naquela situação achou melhor levantar-se para deitar-se, enquanto poderia esperar pela família, porém o excesso de cansaço
    impedia-lhe que seus movimentos se realizassem, então preferiu espera-los sentado no lugar onde se encontrava.
    O irritante martelar do relógio parecia querer enlouquecê-lo. Lembrou-se de quando o comprara para sua esposa como presente de aniversário.
    Ouvia ruídos distante, sons dos carros e os passos das pessoas que transitavam pela rua, porém somente o irritante tic tac do relógio lhe incomodava. Tentou levantar-se novamente, porém não conseguiu mover-se da posição em que se encontrava e foi obrigado a ficar calado e imóvel.
    Procurando se acalmar resolveu esperar pela família, que decerto iriam tira-lo daquele horrendo sonho, com ares de pesadelo.
    Como tetraplégico apenas seu olhos se moviam e percorriam o ambiente em que se encontrava. Os sons e ruídos da rua chegavam aos seus ouvidos e lhe dava a sensação de impotente imobilidade.
    Mil pensamentos passavam pela cabeça, onde indagações lhe angustiava e o tempo como seu carrasco, passava lentamente.
    Ouviu o som de um carro que parou em frente à sua casa.
    Seria sua família?
    Suas esperanças voltaram com a perspectiva de ver a família.Eles poderiam lhe ajudar a sair daquele pesadelo que lhe atormentava há mais de hora.
    O barulho da porta que se abriu e a voz de seu filho reacendeu sua alegria e esperança.
    Depois que entrarem o filho mais velho perguntou:
    --Papai, está acordado?
    Quis responder, porém sua boca não obedeceu ao comando e continuou sem poder fazer o menor movimento.
    Apenas via e ouvia.
    --Papai, papai, está ouvindo, está acordado?
    Então viu seu filho mais velho se aproximar e tentar movê-lo, porém só ouviu dele a voz, num misto de horror e desespero.
    --Mamãe, mamãe venha depressa, o papai está morto.
    Créditos:Vanderlei Estacio Maia
     
    July 29

    Garoto no velório

    Até hoje eu não sei muito bem como explicar como isso aconteceu. Nunca tive um lado "sensitivo" muito forte. Nunca senti coisas estranhas, ou vi coisas que não podia explicar. Para falar a verdade sempre fui muito racional, sempre tinha uma explicação mais científica para coisas estranhas. Eu sempre fui a mais cética do meu grupo de amigos. Sempre que alguém tinha uma história mais fantástica eu sempre queria analisar de um modo mais racional.
    O que aconteceu foi o seguinte. O irmão de uma amiga minha teve um acidente feio de moto e acabou não resistindo aos ferimentos e morreu. Ela me ligou arrasada no meio da noite para falar o que tinha acontecido e falar onde ia ser o velório. Eu me arrumei e fui ao encontro dela para tentar ajudar em qualquer coisa que eu pudesse. O velório era no hospital onde tinham levado ele logo após o acidente.
    Quando cheguei lá fui onde ficava o velório. Tinham três "salinhas" para velório lá. Em uma dessas salinhas estava a família da minha amiga com o corpo do irmão dela. Tinha um outro velório em uma outra das salas e a terceira estava vazia.
    Eu fui ao encontro da minha amiga para tentar confortar ela de qualquer jeito que eu pudesse. Ela não parava de chorar. Isso era de madrugada ainda, umas 3:00. O enterro seria às 13:00.
    Eu passei o tempo todo do lado dela, conversando com ela. Quando deu umas 8:00 alguns dos nossos amigos chegaram, e como eu estava com fome pedi para um amigo nosso ficar com ela enquanto eu ia comprar alguma coisa para comer em uma padaria que tinha lá do lado. Eu comprei duas coxinhas e um refrigerante, mas como a padaria estava cheia e não tinha onde me sentar, eu resolvi voltar para o velório e comer lá. Mas como eu achei que seria uma falta de respeito ir comer lá dentro onde estavam velando o corpo do irmão da minha amiga, eu fiquei em um canto isolado, perto da sala que estava vazia. Me sentei em um banco lá e comecei a comer.
    Depois de um tempo eu olhei para dentro da sala vazia e vi um garotinho sentado em uma cadeira lá no fundo no canto. Na hora eu pensei "que tipo de pessoa traz uma criança para um velório?" O garoto parecia ter uns 9-10 anos. Estava quieto e encolhido. Eu olhei em volta e não tinha mais ninguém lá. Não era ninguém que eu conhecia, eu não tinha idéia se era de algum conhecido da minha amiga ou se era de alguém do outro velório. Quando ele notou que eu tinha visto ele, ele começou a olhar para mim. Eu imaginei que ele tinha visto a coxinha na minha mão e que devia estar com fome, então eu estendi ela na direção dele, mas ele não se mexeu. Eu levantei fui até lá e me sentei do lado dele. Eu perguntei se ele estava com fome, se queria uma das coxinhas. Ele só virou a cabeça e olhou para o chão. Eu perguntei se ele estava com sede e ofereci o refrigerante, mas ele não se mexeu. Eu coloquei uma das coxinhas na cadeira do lado dele junto com o refrigerante e falei que se ele quisesse era só pegar, mas ele só ficava olhando para o chão. Eu perguntei o nome dele, mas ele não respondeu nada.
    Eu só ficava pensando que era uma coisa muito cruel levar uma criança para um velório. Depois de tentar conversar um pouco com ele eu imaginei que ele devia estar muito triste para ficar conversando, por isso tinha ido para lá, para ficar sozinho, e que a ultima coisa que ele queria era ficar falando com uma estranha. Então eu levantei, mas deixei a outra coxinha e o refrigerante lá e falei que se ele quisesse podia comer, e voltei para perto da minha amiga.
    Quando eu cheguei lá mais alguns dos nossos amigos tinham chegado. A gente tem uma amiga nossa que é mio sem noção às vezes, ela queria por que queria ir ver o outro velório, ver quem estava lá, mas não queria ir sozinha. Só que ninguém queria ir com ela ficar xeretando esse tipo de coisa, o que eu realmente concordo que não é uma atitude respeitosa.
    Mas ela estava cutucando tanto o pessoal que eu resolvi ir com ela antes que ela chateasse mais ainda a nossa amiga que tinha perdido o irmão.
    Nós duas entramos lá e vimos que o caixão era pequeno. Quando chegamos perto, eu levei um susto e tive que me segurar para não gritar. Quem estava dentro do caixão, era o garotinho que eu estava conversando! Eu senti um arrepio subindo a minha espinha e puxei a minha amiga para fora, falei que não era uma boa idéia ficar indo xeretar o velório dos outros. Claro que eu não falei nada para ninguém, afinal eu imaginei que ninguém ia acreditar e que iam pensar que era uma brincadeira de muito mau gosto. Eu fui até onde garotinho estava sentado antes, mas não tinha mais ninguém lá! Só a coxinha e a latinha de refrigerante que eu tinha deixado, ainda intocados!
    Eu joguei eles fora e fiquei imaginando como aquilo podia ter acontecido. Como sempre tentei raciocinar sobre o que tinha acontecido, então imaginei que aquele devia ser o irmão gêmeo do garotinho que tinha morrido, mas depois de um tempo, a minha amiga xereta foi ver o que tinha acontecido
    com o garotinho do velório. Ele tinha alguma doença no coração que acabou sendo fatal para ele. E o pior de tudo é que falaram que a família estava devastada, já que ele era filho único! Não tinha irmão nenhum!
    Sempre que eu lembro disso, todos os pêlos do meu braço se arrepiam. Será que o que eu vi era o espírito do garotinho que tinha morrido? Se sim, por que ele apareceu para mim, uma estranha? E justo eu que não acredito nesse tipo de coisa...
    Clarissa - SP - São Paulo
     
     
    Publicado por Renata Rodrigues da Silva
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    Na comunidade "Eu MORRO de medo da Renata"    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5207937
     
    July 26

    Gargalhada sinistra

    ...Nos arredores de Juiz de Fora morava a família Mendonça. Uma família rica e famosa na cidade. Jussara, uma estudante de filosofia da UFJF,trabalhava esporadicamente como baby sitter para os Mendonça quando estes iam à alguma comemoração .Jussara tinha necessidade de cobrir seus gastos.
    Certa noite, os Mendonça saíram para um coquetel e seus três filhos ficaram dormindo no andar superior da mansão, enquanto Jussara lia um livro na sala.O silencio era sepulcral. A noite estava escura, sem lua e muito fria. Jussara estava quase pegando no sono quando de repente...
    ...TRIMMMMM, TRIMMMM, TRIMMM, TRIMMM, ...
    O telefone toca como um alarme. Jussara deu um salto do sofá e joga seu livro longe. Ela vai correndo ao alcance do telefone." Alô? " disse Jussara com sua voz rouca. A resposta que ela ouviu foi uma diabólica gargalhada:
    ...HAHAHA HAHAHA HAHAHA HAHAHA HAHAHA...
    _MERDA!! Um trote! Como tem gente desocupada! revoltou-se Jussara."Será que foi o Tarcísio? Não; acho que ele não seria capaz..." indagou a moça.
    Jussara, mais uma vez ,quase adormecendo, é acordada com o tocar do telefone.
    ...TRIMMMMM, TRIMMMM, TRIMMMM, TRIMMMM,...
    Com receio ela foi até o telefone, ficou um tempo esperando mas achou melhor atende-lo, pois poderia ser os mendonça. Ledo engano, mais uma vez era aquela voz sinistra a gargalhar:
    ...HAHAHAHA HAHAHAHA HAHAHAHA HAHAHAHA ...
    Jussara inebriada pelo ódio gritou ao telefone.
    _Sua hiena filha de uma puta...você come merda, fode uma vez por ano e ainda fica rindo da cara dos outros!!!! Ainda soltando fogo pelas ventas, Jussara bate o telefone com tanta violência, que quase quebra o aparelho.A estudante estava pensativa. A mansão ficava distante do centro e em um lugar muito deserto. Já com medo, ela decidiu ligar para a polícia.
    _Alô? É do departamento de polícia? Perguntou Jussara com a voz meio trêmula.
    _sim minha filha. E daqui sim; o que você deseja?" Perguntou o policial com um ar enfadonho
    _Tem um engraçadinho me passando um trote e eu estou meio temerosa pois esta casa fica nun lugar meio sinistro... Disse a donzela quase chorando.
    O policial pegou todas as informações necessárias e mandou uma rádio-patrulha rondar o local.Jussara se acalmou e foi até a cozinha beber um copo d`água. De volta na sala de estar, o telefone toca novamente e um frio polar sobe pela espinha de Jussara. Desta vez ela decide em não atender.
    ... TRIMMMM, TRIMMMM, TRIMMMM, TRIMMMM, ...
    _Este cara já esta me enchendo a porra do saco!Pensou Jussara com os seus botões. Nem dois minutos depois, o telefone toca de novo.
    ...TRIMMMM, TRIMMM, TRIMMM, TRIMMM, ...
    _Agora eu vou dar um basta nesta situação. Esporrou a garota pegando o fone do gancho furiosa."Aqui ou seu filho da pu..." ia dizendo Jussara quando a interrompe uma voz gritando a cem decibéis pelo telefone...
    _Minha filha!!!!! Saia desta casa imediatamente. Aqui e da polícia ... nós identificamos a chamada e ela vem dai mesmo da outra linha. Fuja logo!!!
    Jussara nem esperou o homem terminar e saiu correndo porta fora...
    Mais tarde, a patrulha chega ao local e prende o perturbado mental no segundo andar, no quarto das crianças. O maluco tinha trucidado as três crianças e foi encontrado sodomisando a mais nova que tinha três anos. Jussara escapou por pouco. A cada telefonema era uma criança morta; ela seria a próxima. Mas depois, quem ouviria a próxima GARGALHADA SINISTRA ?

     

    Renata Rodrigues da Silva
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    July 25

    Morte Certa

    Juliana ainda esta hipnotizada com a noticia. Segundo o médico e tudo o que indicava nos exames morreria em alguns meses. A doença que ela tinha descoberto há pouco tempo se alastrou tão rápido que até o médico não sabia o que fazer, aliás, não tinha mais nada o que fazer.
    Ao sair do consultório algumas lágrimas rolaram e não tinha ninguém para consolar a pobre jovem.
    “Não contarei a ninguém”, era o pensamento dela. Juliana não queria que ninguém sentisse pena.
    No caminho ela observava tudo e todos, como ela não tinha reparado que tudo estava ali, sempre esteve.
    Lembrou do seu passado e chegou à conclusão de que não fez nada. De que não aconteceu nada.
    Uma vida normal, com pessoas normais, Um marido normal, um filho normal.
    O medo da morte a assombrava. Não queria estar só no momento da partida.
    - Preciso fazer alguma coisa, vou morrer mesmo – falava ela enquanto dirigia.
    O celular começou a tocar.
    - A partir de hoje não atendo mais essa porcaria - disse isso jogando o celular dentro da bolsa.
    Chegou em casa já passavam das dezoito horas. Seu marido Luciano estava no sofá junto com o filho assistindo um programa qualquer na Televisão.
    - Diego meu filho, vai pro quarto que a mamãe que ter uma conversinha com o papai.
    Diego deu um beijo na mãe e obedeceu a ordem.
    Juliana se posicionou na frente e disse:
    - quero você agora!
    Disse isso e já foi tirando a roupa, Luciano impressionado com o fogo da mulher não ousou desobedecer.
    Juliana fez amor com ele como se fosse a primeira vez que tivessem se conhecido.
    Queria ter o prazer pelo menos mais uma vez, era disso que precisava neste momento.
    O celular novamente começou a tocar, mas ela ignorou, não queria falar mais com ninguém.
    Após tudo terminado, ela se levantou e riu ao ver a cara de satisfeito do marido.
    - Vou pegar alguma coisa pra gente comer – sussurrou ela.
    Juliana foi até a cozinha pegou a faca que usava para desossar carne e não pensou duas vezes no que estava prestes a fazer.
    Ela voltou para a sala, caminhou lentamente até o sofá pegou no cabelo do marido com força fazendo pensar que teria mais uma dose de amor, puxou a cabeça para traz e passou a faca no pescoço dele fazendo jorrar sangue para todos os lados.
    Luciano não teve tempo de reagir.
    - Me desculpe meu amor, mas preciso de você do outro lado.
    Luciano estava morto. Juliana pensava agora no filho. Com a mesma faca que matou o marido ela caminhou lentamente até o quarto do pequeno.
    Quando abriu a porta, viu que ele estava brincando no chão com o carrinho que ela tinha comprado na semana passada.
    Diego viu a mãe toda suja de sangue e se assustou. Um momento de silêncio se fez dentro do quarto.
    Novamente o celular voltou a tocar provocando a ira de Juliana.
    Ela correu até o filho, pegou ele no colo e colocou em cima da estante, fazendo todos os carrinhos e brinquedos cair no chão.
    - Mamãe não me mate você não me ama mais? – disse Diego se preparando para morrer
    - Te amo tanto que quero você do outro lado comigo.
    Disse isso e golpeou o pobre menino até a morte. Não quis deixá-lo em cima da cômoda então, o ajeitou na cama.
    Ao sair do quarto, na solidão da casa onde a morte reinava, Juliana começou a chorar, não queria morrer e nem ter feito aquilo, mas não estava preparada para deixá-los.
    Caminhou até a sala, ligou para a policia e confessou o que tinha feito.
    - Alô, é da policia?Eu queria dizer que acabei de matar meu filho e meu esposo.
    Pensando que era trote a policia fez várias perguntas, ela não quis prolongar mais e para finalizar passou o endereço da casa dela.
    O cheiro de sangue embrulhava o estomago de Juliana.
    O celular voltou a tocar.
    - Vou atender e depois e o quebro.
    - Alô?
    - Alô Juliana, aqui é o Drº Paulo do consultório.
    - Sim doutor, mas alguma boa noticia? – ironizou ela.
    - Acredito que sim, primeiramente gostaria de pedir desculpas e dizer que as providências já foram tomadas diante do erro.
    - Erro?Do que o senhor esta falando?
    - do erro que minha funcionária cometeu, ela trocou os exames, e felizmente a senhora esta bem, nunca teve nada e terá muitos anos de vida, se Deus quiser.
    Juliana ficou paralisada o que a fez desligar o telefone na cara do médico. O mundo girou a sua volta.
    Quando a policia chegou ao local após arrombar a porta, encontrou aquela cena chocante, Luciano o marido morto no sofá coberto de sangue, o menino Diego totalmente esfaqueado deitado na cama e em uma arvore que tinha no quintal nos fundos da casa estava Juliana pendurada pelo pescoço com os olhos e a língua saltados pra fora.
    FIM
    Conto em homenagem a Juliana
     
     
    July 23

    O suicidio de Emily

    Curitiba,21 de março de 2005.
    Naquele dia Emily decidiu morrer.
    Foi até o último andar do prédio onde morava e tocou a campainha do apartamento.
    Ding – Dong.
    - Olá Dona Lúcia,posso ir até a sua varanda só por um momento?
    - Claro Emily,mas por que?
    - Não,por nada,só quero ver um negócio.
    Emily entrou na casa de dona Lúcia passou por alguns cômodos e finalmente chegou a varanda.Dona Lúcia só ficou observando.
    Emily olhou para baixo e um frio percorreu sua espinha.Primeiro colocou uma perna e depois outra e se sentou na em cima do murinho da varanda.
    - Emilyyyyyyyyyyyyyyyy...sai daí,sai daí agora!!! – Gritou dona Lúcia muito assustada.
    - Não saio,não se intromete dona Lúcia,ninguém pode me impedir.
    Dona Lúcia correu e chamou os pais de Emily que correram desesperados para socorrer a menina.Tudo lógico, em vão.Emily estava decidida.
    Logo chegaram a policia,bombeiro e toda aquela multidão lá em baixo.Uns gritavam “pula,pula” outros rezavam,outros só observavam.
    Em um ato de coragem misturado com desespero,Emily pulou.Enquanto caia o povo gritava e saia correndo.Ela bateu no chão e seu corpo se despedaçou.O sangue corria pelo asfalto ao olhar das pessoas que não acreditavam no que tinha acontecido.
    Curitiba, 18 de março de 2006.
    Amanda estava super feliz com o apartamento novo que seus pais tinham comprado,enfim,depois de muitos anos de espera finalmente o gostinho de casa própria.
    Todos animados com a mudança,ela e seu irmão já tinham até escolhido os quartos.Ajeitaram tudo,foi um trabalhão.Estavam todos cansados.
    Humberto,pai de Amanda deu a idéia de irem comer uma pizza perto dali,todos toparam.
    Depois de se divertirem voltaram pra casa,todos sorrindo.Quando saíram do elevador,todos ficaram sérios.Notaram que a porta estava aberta,escancarada.
    Andaram por toda a casa,pensando que tinha entrado alguém,mas não tinha nada mexido. 
    Chegaram à conclusão que esquecera de trancar a porta e ela acabou se abrindo.Amanda questionou por que a porta da varanda também estava aberta,mas eles não sabiam,acharam melhor esquecer.Se certificaram que todas as portas estavam trancadas e foram dormir.
    Lá por umas três horas da manhã,Amanda levantou pra beber um copo de leite e quando abriu a porta do seu quarto tomou um susto.A porta de entrada e da varanda estavam abertas novamente.
    Amanda olhou para a varanda e teve a leve impressão de ver alguém,correu pra se certificar e não viu mais nada.Chamou sua mãe e explicou o fato,ela disse que teriam que chamar o chaveiro pra ver o que estava acontecendo com as portas.
    Amanda ainda assustada bebeu seu leite e voltou a dormir.
    Curitiba,19 de março de 2006.
    Amanda voltou do colégio e o chaveiro estava na sua casa,verificando as portas e afirmou que não tinham nenhum problema.Lívia,olhou para Amanda,balançou os ombros sem saber o que dizer e pagou o chaveiro.
    Ela ficou intrigada e curiosa para saber o que estava acontecendo.Caminhou até seu quarto e quando abriu a porta notou que estava tudo desarrumado,ela gritou para sua mãe,questionando o por que ela deixou o irmão entrar no quarto,mas sua mãe garantiu de que ele não havia entrado.
    Amanda chamou o irmão e perguntou o que ele queria no quarto delaa.Mike,estava de cabeça baixa e rindo.Ela furiosa perguntou o motivo e ele respondeu:
    - Foi a Emily!
    - Emily?que Emily?você ta doido é pra apanhar,isso sim.
    - Ela disse que não é pra você se preocupar com as portas,por que é ela que abre.
    - Escuta aqui moleque,a próxima vez você vai levar uma surra – disse Emily e saiu.
    A noite se aproximava e Amanda decidiu ficar de olho em Mike que agora ficava falando sozinho,ele dizia que conversava com a Emily.Todos duvidavam.Mas Amanda começou a ficar preocupada.Decidiu então,que aquela noite vigiaria seu irmão. 
    Onze e meia da noite.Todos já estavam em suas camas.Amanda dessa vez com a porta aberta estava com os olhos bem arregalados.Mas,como nada acontecia ela foi pegando no sono de levezinho.Começou a ter um sonho que estava indo até a varanda e lá estava sentada uma menina,e ela tinha um semblante triste e Amanda dizia pra ela sair dali pois ela iria cair.A menina olhou pra ela e se jogou.Amanda abriu os olhos imediatamente pode ver a menina do sonho na sua frente.Amanda gritou tão alto que acordou todos da casa.
    Sua mãe depois de acalma-la perguntou o que foi que tinha acontecido e ela contou,sua mãe disse que não era real ,mas Amanda garantiu que não era um sonho.
    Curitiba,20 de março de 2006.
    Ela começou a perceber que seu irmão estava mais sério, não falou mais sozinho,estava agressivo com todos.Perguntava a ele o que estava acontecendo e não tinha resposta.Ela ficou intrigada e como era curiosa começou a achar que algo de sobrenatural estava no ar. A partir dos últimos acontecimentos, começou a pesquisar a vida dos antigos moradores do apartamento onde morava.Achou que poderia ter algo a ver .
    Conversou com os vizinhos e com o porteiro do prédio também,alias,ele foi quem deu a maioria das informações e falou sobre a menina que se suicidou.Descobriu que ela pulou bem da varanda do apartamento de onde a família de Amanda estava morando e ficou realmente surpresa quando descobriu que seu nome era Emily.O porteiro contou,que os pais de Emily ainda moravam no prédio.Enfim, o irmão não estava brincando,Emily realmente existia.
    Na mesma noite ainda tentou conversar com Mike que não lhe dava chance,nem olhava pra cara dela.Novamente resolveu ficar acordada pra ver o que acontecia.
    Como o sono foi mais forte,não agüentou ficar acordada. 
    Curitiba,21 de março de 2006.
    Amanda se levantou antes de todos e pode perceber que novamente as portas estavam abertas.Foi até o quarto do irmão e ele não estava lá.Procurou em todas as partes e não o encontrava.Começou a procurar nos corredores,quando foi chamada por uma mulher.
    - Oi menina,você esta a procura de alguém?
    - Sim do meu irmão Mike .
    - Ele esta aqui. – disse a mulher levando ela pra dentro do apartamento.
    A mulher disse que se chamada Eduarda e que quando acordou encontrou o menino dormindo na cama da sua filha.Amanda questionou se a filha não reclamou de Mike na cama dela e Eduarda lhe disse que sua filha já não estava mais entre eles.
    Amanda tentou acordar Mike,mas em vão.Eduarda convidou Amanda para tomar uma café.Disse que seu marido tinha saído para comprar jornal e já voltava.Amanda perguntou se ela era a mãe de Emily e ela com tristeza no olhar disse que sim.
    Eduarda contou que quando engravidou de Emily,chegou a conclusão que não tinha vocação para ser mãe e então ela e seu marido decidiram dar ela para adoção.O tempo passou e Emily não foi adotada.Só que um certo dia Emily achou uns papéis que estavam escondidos e não tivemos como reagir.No outro dia ela se suicidou.
    Amanda estava prestando atenção na história de Eduarda quando ouviu um barulho no quarto de Emily e correu para ver o irmão.
    Ela sorriu ao ver o pequeno,mas notou que seu olhar não era o mesmo.Mike deu uma gargalhada sinistra e disse:
    - Quer me ver morrer,Amanda? – Disse o irmão com uma voz distorcida.
    - Não diga isso Mike,vamos pra casa – Disse ela pegando o irmão pelo braço.
    Eduarda não disse uma palavra,não conseguia,sentia medo.
    Mike bateu na cara da irmã fazendo ela cair.A irmã o olhou assustada.
    Ele se levantou e foi caminhando pelos corredores até a casa onde moravam.Amanda e Eduarda foram atrás sem dizer uma palavra.
    Mike tocou a campainha.
    - Oi filho onde você estava? – Disse Lívia,toda carinhosa.
    - Oi dona Lucia posso ir até a sua varanda só por um momento? 
    Lívia olhou para Amanda sem saber o que responder.Mike foi caminhando quando Lívia tentou pegar em seu ombro quando ele com um soco a afastou.
    Eduarda não passou da porta,parecia que pressentia o que ia acontecer e não queria presenciar aquilo novamente.Se sentia mal pois naquele dia fazia um ano da morta da menina e sabia que ela buscaria vingança.Só não entendia o porque dela estar fazendo aquilo com o menino.
    Mike passou por todos os cômodos e foi até a varanda.Todos da sua família observavam.Ele em um só pulo subiu na mureta da varanda.
    Sua mãe gritava pra ele sair dali,seu pai sem palavras só observava.
    - Por que esta fazendo isso com meu irmão Emily? – disse Amanda aos prantos.
    - Seu irmão é igual a mim,doce Amanda.
    - Não,meu irmão não é igual a você,ele gosta de viver,ele quer viver,não faça isso,não pule da varanda Emily.Eu sei por que você quis morrer Emily!!Mas nós não temos culpa.
    De repente lágrimas começaram a rolar no rosto de Mike.
    - Meus pais nunca me amaram.Desde pequena me deixaram sozinha,sempre foram ausentes pra mim.Minha mãe não me abortou, por que o meu pai não deixou ela fazer isso.Disse que era melhor me dar a um casal por que eles não tinham paciência com crianças.
    - Isso não é verda..
    - É sim,é sim Amanda,eu encontrei os papéis no quarto deles.pesquisei pra saber por que o outro casal não me quis,e descobri que o preço que meus pais estavam pedindo era muito alto.Meus pais queriam me vender Amanda.
    Os pais de Mike estavam em prantos mas, estavam prestando atenção.O medo dele pular tomava conta do seu psicológico.
    - Emily,eu entendo o seu lado,mas o meu irmão não tem nada a ver com isso.Ele é amado por nós e não merece que você faça o pior.É o corpo dele e não o seu.Agora que sabemos da sua história e...
    Emily?!Emily minha filha...
    Amanda foi interrompida por Eduarda e Rafael.
    - Emily,nos desculpe por tudo filha – Disse Eduarda – No inicio era aquilo que queríamos mesmo,mas depois nós aprendemos a amar você.Eu e seu pai confessamos que .... 
    De repente Mike se desequilibra,mas Amanda consegue segura-lo.
    Emily deixou o corpo de Mike e possuiu o de sua mãe,olhou para eles e correu para a beirada da varanda e se jogou .
    Os pais de Amanda gritaram em vista de tanto horror.
    Rafael tentou correr para ver o estado de sua mulher, mas em uma questão de segundos a menina possui o corpo de seu pai e antes de pular ela olhou para Amanda e disse.
    - Jamais machucaria seu irmão Amanda,só o usei para chamar a atenção.
    Amanda não pronuncia nem uma palavra.
    O corpo de Rafael possuído por Emily corre e pula da varanda da mesma maneira que Emily fez com sua mãe.
    Agora ela estava vingada e finalmente descansaria em paz.
    Fim.
     
    July 21

    Dores Internas

    Acordou cedo, como normalmente fazia. Costumava levantar-se junto com o sol, porém dessa vez levantou-se e o sol ainda adormecia. Acordou cedo por causa de uma terrível dor de barriga que o atacara durante a noite. Sua noite foi marcada por pesadelos, um sono turbulento, onde não conseguiu descansar.
    Levantou-se já com as mãos pressionadas contra a barriga e correu para o banheiro. Sentou-se na privada, calças baixas, mas nada aconteceu. A dor parecia ser interna, uma dor forte, aguda, não uma simples dor de barriga. Ajoelhou-se de frente ao vaso e tentou vomitar. Não conseguiu. Enfiou o dedo na garganta, forçando o vômito, e então uma dor aguda tomou conta de seu corpo. Caiu de lado no chão do banheiro, os olhos cheios de lágrimas e um gosto amargo de sangue nos lábios.
    Conseguiu se levantar com dificuldade, escovou os dentes e desistiu da idéia de tentar comer algo antes de ir trabalhar. Seria impossível. Vestiu-se e entrou no carro. Ao sentar no carro a dor aumentou. Sentiu como se houvesse algo dentre de si. Respirou fundo, ligou o carro e partiu.
    A caminho do centro da cidade, onde trabalhava, teve mais um forte ataque de dor. Encostou o carro no acostamento, abriu a porta e vomitou. Seu vômito era composto de sangue e restos de carne. A dor era insuportável, não podia se controlar.
    Sentou-se novamente e deu um forte soco contra o próprio estômago, xingando monstros imaginários. Sentiu então, uma dor insuportável, como se minúsculos dentes se afundassem contra a parede interna de seu estômago. Tossiu pequenas gotas de sangue contra o pára-brisa do carro e caiu de lado, deitado no asfalto, vomitando sangue e pequenos pedaços de seus próprios órgãos internos.
    Sentia como se dentro de si houvesse um pequeno monstro que o devorava centímetro por centímetro, e dava gargalhadas a cada jorro de sangue que saía de sua boca.
    Juntou todas as suas forças para conseguir entrar no carro e partir. Voltou para sua casa, destinado a dar um fim à própria dor.
    Estacionou o carro na garagem que ficava anexo à sua casa e caminhou até um quarto nos fundos, onde mantinha uma espécie de oficina, com ferramentas e todo tipo de equipamento para pequenos consertos em geral.
    Impensadamente apanhou um funil e um pote contendo óleo de motor. Firmou o funil contra a boca e despejou o líquido consistente de encontro à sua garganta. Logo no primeiro gole, engasgou-se e caiu fraco, chorando no chão da oficina.
    Ouvia baixinho um som estranho, que traduziu como a risada sarcástica do pequeno ser que agora adotara seu estômago como lar.
    - Maldito! Vou matá-lo! Você me paga! – gritou insano.
    A dor voltara, ainda com mais força, como que para provar seu poder contra ele. Alucinado pela dor, reuniu suas últimas forças e colocou-se de pé. Cambaleou até a parede forrada com ferramentas e pegou uma pequena foice no formato de gancho. Foi até o afiador elétrico na parede oposta e o ligou. O ruído se misturava com a dor e ele não conseguia mais raciocinar direito. Afiou a foice até que seu fio fosse capaz de cortar a ponta de seu dedo apenas com um toque leve. Perdeu a noção de quanto tempo isso levou. Parava apenas de tempos em tempos para cair de joelhos e vomitar seu próprio sangue, misturado com a carne de seus órgãos, devido à dor insuportável que sentia e que vinha cada vez mais forte.
    Quando o fio ficou pronto, ele esfregou a lâmina contra o próprio dedo, deixando um grosso rastro de sangue para trás. O dor em seu estômago parou brevemente, como que por mágica.
    Ele deu uma risada alta, sonora, que não poderia ser dada por um homem são. Ergueu as duas mãos ao céu, segurando a pequena foice com força. Nesse momento, sentiu uma dor maior do que todas que havia sentido até agora. Era como se um pedaço grande de seu estômago tivesse sido arrancado de uma só vez.
    Abaixou-se e gritou maldições. Reuniu novamente suas forças e levantou-se. Ergueu os braços novamente, e golpeou a foice contra seu próprio abdômen com toda sua força.
    Gritou de dor e sentiu o forte gosto de sangue novamente em sua boca. Mas as dores continuavam, nada havia mudado dentro de si. Puxou a foice pelo corpo, na direção do peito, ainda com a lâmina fria cravada em seu corpo.
    A lâmina chegou até o centro de suas costelas e ele caiu de joelhos. Sua visão embaçada não deixava que enxergasse nada à sua frente. Tentou continuar a cortar-se mas a dor era insuportável. Caiu de lado e sentiu seu estômago ser revirado, como se algo jogasse suas vísceras para fora de seu corpo, abrindo espaço para poder sair.
    Tonto, não pôde identificar o dono do surdo ruído que vinha de seu próprio estômago. Sua cabeça caiu para trás e assim ele morreu, sem ao menos ver o que havia causado a sua morte.

    Concorrente do primeiro concurso de contos do Portal do Elísio.
    Fábio Ricardo 
    July 20

    Os mortos de Wilson

    Enfim, sua morte foi decretada.
    Depois de cometer diversas aquelas mortes sem explicação, a data da sua morte foi revelada.
    Naquele dia, pra ser mais exata, 16 de abril de 2006, Wilson até que acordou tranqüilo, tomou aquele café aguado e comeu aquele pão adormecido sem reclamar.
    Pegou a Bíblia, rezou, mas não pediu perdão. Também, nem merecia.
    A única coisa que pediu foi uma companhia pra poder conversar.
    Como Wilson não tinha amigos, resolveu chamar a sua advogada Renata que o acompanhou durante todos aqueles anos.
    - Wilson, seu pedido foi atendido, sua advogada esta aqui. – disse Fernando um dos guardas que estava fazendo hora extra naquele dia.
    - Que bom, pode mandar ela entrar – disse Wilson.
    Renata, uma das advogadas criminais, mas bem cotadas para defender casos difíceis, estava triste naquele momento. Sabia que Wilson era culpado por todas as mortes, mas aprendeu a gostar daquele jeitão maluco que ele tinha.
    A porta se abre e só se escutava o barulho do seu salto ecoando no corredor.
    Ela chega na cela de Wilson e a primeira coisa que faz quando seus olhos se encontram com os dele é abrir um sorriso.
    Há ! Aquele sorriso,que encantava Wilson,cada vez que ela aparecia.
    - Como vai Wilson – disse Renata com a voz em um tom triste.
    - Tranqüilo,minha missão aqui na Terra,esta quase finalizada. – disse Wilson num tom de ironia.
    - Hoje sou toda ouvidos,Wilson,pode começar. – disse Renata.
    Wilson deu um suspiro e começou a falar.
    Quando eu era adolescente,eu tinha um amigo chamado Felipe,desde que nos falamos pela primeira vez,nunca mais no separamos.
    Fazíamos todas as coisas mais legais,jogávamos bola,íamos pra escola,fazíamos bagunça. Ele era um amigo muito querido,até que...
    Wilson ficou em silêncio por um instante.
    - ... Até que um dia ele foi à minha casa,tínhamos combinado de assistir um filme de terror,que a muito era disputado na locadora. Quando chegamos na minha casa,eu disse a ele pra esperar só um momento,que eu ia até meu quarto pegar o filme que eu tinha pegado mais cedo na locadora. Quando voltei,não o encontrei na sala,comecei a chamá-lo,e ele não respondia,comecei a procurá-lo pela casa quando não acreditei na cena que vi. Cheguei no corredor entre a cozinha e o banheiro e ele estava lá espiando minha mãe pelo buraco da fechadura do banheiro.
    Eu não conseguia acreditar que ele estava chegando aquele ponto de faltar o respeito com a minha mãe.
    Não o atrapalhei ,fui até a despensa e peguei a fio de pesca que meu pai mais gostava .Fui até a sala de leitura e deixei o rolo de fio lá.
    Quando voltei na sala,ele já estava lá.O questionei onde estava e ele disse que tinha ido ao banheiro.
    Ainda tirei um sarrinho dele dizendo que ele não tinha chacoalhado direito, pois tinha molhado as calças. Ele olhou pra baixo morrendo de vergonha,mas eu sabia que não era xixi que tinha molhado aquelas calças.
    Eu o chamei na sala de leitura com a desculpa de mostrar algo que ele não conhecia na casa.
    Chegando lá,ele ficou impressionado com tantos livros.Enquanto ele observava a estante eu peguei o fio de pesca ,passei no seu pescoço com toda força e o enforquei até seus olhos saltarem pra fora.
    Não sei explicar como eu consegui fazer aquilo com meu melhor amigo,mas quando eu o vi espiando minha mãe me deu uma raiva...
    Renata ouvia sem interromper.
    - Não descobriram no primeiro momento.Deram-se conta do sumiço dele,o procuraram por todas as partes,mas eu o escondi,dentro da sala de leitura por alguns dias e depois o enterrei lá no quintal.Foi dado como seqüestrado.
    Meses depois,como uma sede de sangue incontrolável que brotava dentro do meu peito,resolvi matar mais uma vez.E Dessa vez era uma menina do meu colégio Fernanda era o nome dela.
    Toda empinadinha ,Toda chatinha,resolvi...Era ela.Então eu a segui pra ver onde morava. Pra marcar bem onde seria o ato.
    No outro dia fiz o que tinha em mente. Quando cheguei na frente do terreno baldio que tinha na rua da sua casa a peguei pelos cabelos e a arrastei para o meio do mato. Ela pensou em gritar ,mas dei um soco tão forte em seu rosto que a danada desmaio,Então,eu arranquei toda a sua roupa e com uma faca que eu tinha pegado da cozinha da minha mãe .Enfiei a faca em seu pescoço e a destrinchei até sua vagina,ela ficou com praticamente todos os órgão pra fora.
    A enterrei lá mesmo,e ninguém descobriu até aquele dia.
    - O dia em que a policia te pegou?
    - Sim.
    - Naquele dia eu matei dentro do cinema. - gargalhou Wilson,assustando Renata.
    Eu vim seguindo aquele casal,desde a bilheteira estava viciado em matar.Matar era muito prazeroso pra mim,era uma doença.Um vicio.
    Sentei na fileira atrás deles.Quando a sessão estava na metade,passei a faca na garganta dos dois.A gritaria foi geral,mas o meu prazer foi imenso,eu ria e gargalhava sem parar...Passava a mão nos pescoços cheios de sangue ainda quente.Passava aquele sangue em meu rosto e tive a certeza de que nasci com aquele dom,o dom de matar.
    Mas logo os seguranças chegaram e me pegaram,e ai conheci à senhora.
    - Ai,na delegacia você confessou tudo,as outras mortes,os corpos...Enfim.E por isso esta aqui hoje.Mas por que decidiu recontar essa história pra mim?
    - Não sei.Foi uma espécie de desabafo.Desculpe Renata.
    - Não se lamente Wilson,bem,esta preparado para ir,faltam quinze minutos?
    - Sim estou – disse Wilson aliviado.
    Em instantes os guardas vieram ,e o levaram para a sala onde ficava a cadeira elétrica.
    Fizeram toda a preparação ,e antes de Wilson,ele pegou na mão de Renata e olhando em seus olhos lhe disse:
    - Meu corpo vai,mas minha alma fica aqui.
    - Renata, não entendeu,apenas deu um sorriso nervoso.
    Enfim,Wilson foi executado,o cheiro de carne queimada infestou o lugar.
    Os mortos de Wilson ,finalmente estavam vingados.
    Renata saiu do recinto e foi imediatamente para sua casa.Se sentindo super mal,foi direto ao banheiro. Lavou o rosto ergue a cabeça e olhou no espelho.Pensou ter visto alguém atrás dela,olhou o banheiro rapidamente e nada viu.
    Lavou o rosto novamente,ergueu a cabeça e diante do espelho abriu os olhos.
    Deu um grito quando pode ver em seus olhos a alma de Wilson refletida em seu olhar e só naquele momento pode perceber que Wilson não tinha embora,e que a sua maldade continuaria pelos atos que ela mesma passaria a cometer.
    Fim.

    Renata Rodrigues da Silva
    Perfil:
    http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=1916986362154222928

    Comunidade:
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5207937

    July 19

    Feliz ano novo

    Faltavam alguns dias para trinta e um de dezembro do ano de dois mil e cinco e Cris já estava toda animada com os preparativos para o novo ano.
    Ela sempre comentava com sua irmã Juliana como ela adorava a festa de Reveillon, principalmente quando passavam na praia.
    - Esse ano o Leonardo vai? – perguntou Juliana.
    - Ele vai sim Ju, nossa eu estou tão apaixonada por ele sabia – suspirou Cri.
    - Cris, cuidado pra não se machucar, você se lembra da sua ultima paixão.
    - Mas dessa vez vai ser diferente.
    Leonardo tinha avisado a sua família que iria viajar com a família de Cris, estava praticamente tudo pronto para irem.
    A família de Cris tinha uma casa no litoral paulista e todo ano era a mesma rotina, primeiro iam os tios Olavo e Tatiana para ir ajeitando as coisas, limpar a casa encher a despensa e depois o pessoal ia conforme fossem sendo liberados dos seus afazeres normais. A família de Cris sempre era a última a ir, pois Paulo, pai de Cris e Juliana trabalhava sempre até o dia trinta.
    Malas prontas e lá foi Cris, Juliana e sua família todos fazendo festa. Chegando a casa encontraram seus tios e primos. Leonardo adorou a família de Cris, pois eles eram muito animados.
    Todos se ajeitaram e como chegaram no meio da tarde, Juliana e Cris resolveram ir a praia, tomar um pouco de sol.
    Chegando na praia, Juliana foi correndo em direção ao mar.
    - Cuidado minha irmã. - pensou isso enquanto olhava Juliana pular sobre as ondas, Cris não conseguia tirar os olhos dela. Em uma fração de segundos Cris pode ver a água se transformar em sangue. Cris não sabia o que estava acontecendo, mas as imagens vieram a sua cabeça como um furacão. O mar de sangue com ondas fortes foi trazendo o corpo de Juliana todo em pedaços para a beirada.
    Cris saiu gritando e chorando chamando por sua irmã. Todos que estavam na praia ficaram olhando sem entender nada.
    - Cris?Amor? – chamava Leonardo
    - Leonardo ajuda minha irmã – chorava Cris.
    - Que foi? Calma Cris, Calma.
    Quando conseguiu se acalmar Cris percebeu que nada daquilo tinha acontecido. O mar estava calmo e sua irmã estava a sua frente com os olhos arregalados, de tão assustada que ficou.
    Cris não entendeu por que teve aquele tipo de visão, nunca tinha passado por nada parecido.
    Chegaram em casa, e Juliana contou a seus pais tudo o que tinha acontecido. Todos ficaram preocupados e até queriam procurar um médico, mas Cris não deixou. Disse a eles que já estava tudo bem e que ela só queria descansar um pouco.

    Leonardo acompanhou a namorada até o quarto e ficou com ela acariciando seus cabelos.
    - Dorme meu amor, se prepara pra amanhã, sua família esta preparando um grande festa e você tem que se animar.
    Cris adormeceu. Nunca tinha se sentido tão segura nos braços de alguém como nos dele.
    Durante o sono Cris teve um terrível pesadelo. Sonhou que no dia da virada de ano, lindos fogos explodiam no céu, Todos de branco, comemorando mais um ano que se iniciava Juliana espoleta que era jogava champagne nos tios, que por sinal odiavam.
    No sonho Juliana perguntava a irmã:
    - Vamos pular as sete ondas?
    - Ai minha irmã, mas eu estou com esse vestido novo, vai você, vai.
    E Juliana corria para o mar. No sonho um tumulto assustou a todos e Cris correu para ver, deu um grito de horror quando percebeu que a irmã estava toda roxa e machucada, como se tivesse sido devorada e seus olhos estava semi-abertos.
    - Cris!Cris acorda! – gritou Leonardo Assustado.
    - O que foi?O que aconteceu?Cadê a Juliana? – perguntava Cris assustada.
    - Eu estou aqui minha irmã, o que foi?
    Cris abraçou a irmã com muita força e disse pela primeira vez de uma forma explicita que a amava.
    Juliana deu uma gargalhada.
    - Que foi sua louca, eu não tenho dinheiro não – ria a irmã.
    Leonardo olhou para Cris e a abraçou.
    - Foi só um pesadelo meu amor.
    - Não pode ser primeiro eu tive aquela visão na praia e agora este pesadelo.
    - Cris, fica calma, foi só um pesadelo.
    - Mas,e se for um pressagio,sabe uma premonição e...
    Leonardo tampou a boca da namorada que resolveu não dizer mais nada.
    - Que horas são? – perguntou ela.
    - São exatamente nove horas e quarenta e cinco minutos do dia trinta e um de dezembro de dois mil e cinco – disse Leonardo rindo e olhando no relógio.
    Todos da casa já tinham levantado. A mesa do café estava posta. A maioria tinha levantado cedo pra arrumar a casa logo à noite.
    Juliana continuava atentando o seu tio Olavo.
    Cris sentada na mesa só observava. Sabia que Tio Olavo ficava irritado com Juliana, mas gostava da forma com que ela o tratava.
    - Come amor, senão vai ficar com fome.
    O dia passou rápido, trazendo uma noite quente e estrelada. Era sinal de que o ano novo viria com força total.
    Por alguns momentos Cris sentia uma tristeza tão profunda. O que a fez chorar por vários momentos durante o dia.
    Como de costume,quando ia chegando próximo a virada todos da família seguiam para a beira do mar ,levavam champagne, uvas.
    Quando chegaram à praia já estava cheia. Acharam um lugarzinho e se acomodaram.
    Cris estava com medo de olhar em direção ao mar e ter aquela visão novamente.
    - Cris, eu queria te agradecer por me amar – disse carinhosamente Juliana.
    A irmã sorriu.
    - Amor à contagem regressiva vai começar – disse Leonardo sorrindo.
    - 10
    - 09
    - 08
    - 07
    - 06
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    - 02
    - 01
    - FELIZ ANO NOVO!- Gritavam todos em uma só voz.
    Todos se abraçavam e desejam felicidades no novo ano que se iniciava.
    Leonardo pegou Cris no colo e repetia sem parar que a amava mais que tudo. Lindos fogos explodiam no céu.
    - Cris, Léo, vamos pular as sete ondas – gritava Juliana.
    - Não Juliana, fica aqui – disse Cris assustada.
    - Que isso, ta louca, eu vou sim – disse Juliana saindo correndo em direção ao mar.
    Cris pulou do colo de Leonardo correndo atrás da irmã.
    Leonardo apalpou os bolsos, mas não encontrou o que procurava. Ele tinha comprado um presente para dar a Crise acabou esquecendo em casa. Como era pertinho dali avisou aos pais da namorada que já voltava. 
    - Vem Cris, vamos pular juntas – sorria Juliana entrando cada vez, mas para o fundo do mar.
    - Volta Ju, por favor – gritava Cris, acompanhando a irmã.
    Juliana ia pulando as ondas e a cada onda um novo pedido. Cris com os nervos a flor da pele só pedia pra irmã voltar.
    Quando terminou de pular as ondas Juliana deu um mergulho e demorou pra voltar.
    Cris só escutava o murmurinho das pessoas e o barulho das ondas.
    - Juliana – gritava Cris procurando por todos os lados a irmã.
    O medo de alguma coisa ruim começou a deixar Cris à beira da loucura.
    Mas em um só pulo Juliana levantou e sorriu para a irmã. Foi voltando calmamente.
    - Pronto bobona, já pedi a iemanjá o que eu quero e você perdeu sua chance. – disse Juliana caminhando para fora da água.
    Quando Cris se virou viu seu pai acenando com a mão e gritando o nome dela.
    Tentou correr para ver o que era, mas a força da água não deixava.
    - Que foi pai, o que aconteceu – disse Cris.
    - Filha é o Léo, ele foi até lá em casa buscar um presente pra você, mas no caminho sofreu um acidente terrível.
    - O que pai? – disse Cris em estado de choque.
    - Cadê ele pai, eu quero ver o Leonardo – tentava passar pelo seu pai que não deixava.
    - Filha, não, por favor, o acidente foi muito feio.
    Juliana assustada correu na frente. Cris conseguiu escapar e correu atrás da irmã.
    Quando chegou no local Cris teve a pior visão da sua vida.
    Lá estava Leonardo esticado no chão, com um dos braços pendurado por um pedaço de pele, a sua perna esquerda estava em carne viva e estava torcida para trás. O rosto estava ensangüentado e os olhos estavam abertos olhando para a mão direita na qual estava uma caixinha. Cris estava em choque gritava e chorava pelo namorado morto.
    - Cris eu fui falar com o cara que o atropelou, ele disse que o Leonardo atravessou sem olhar e ele estava vindo em alta velocidade e não pode evitar a batida. – disse Juliana mais assustada com a irmã.
    O socorro chegou, mas somente para retirar o corpo do local. O velório e o enterro procederam.
    Cris não se conformava com tudo o que tinha acontecido.
    - Cris, antes de a ambulância tirar o corpo do Léo lá da rua eu peguei a caixinha que estava na mão dele, afinal era um presente pra você.
    - Obrigada Ju – disse Cris carinhosamente.
    Cris foi para seu quarto, estava triste demais para fazer qualquer outra coisa. Com a caixinha na mão resolveu abrir para ver o que Leonardo tinha lhe reservado.
    Era uma corrente com um pingente que tinha a foto dos dois.
    Cris sorriu e imediatamente colocou o presente no pescoço na qual não tirou mais.
    - A morte me pregou um peça – pensou ela olhando para o jardim pela janela do seu quarto.
    Sentou-se novamente na cama, sentiu um estranho frio na espinha e segundos depois na sua frente se formou uma figura com um manto preto e um cajado na mão.
    Cris estava paralisada não conseguia correr nem gritar.
    Aquele coisa abaixou até ela a encarou, mas ela não tinha rosto. O vulto pegou no queixo de Cris deu uma gargalhada e perguntou:
    - Preparada pra outra Cris,  FELIZ ANO NOVO – disse aquilo e imediatamente sumiu,deixando medo no ar.
    - Não, dessa vez não.
    Cris disse isso e se atirou pela janela tirando a própria vida e anulando qualquer chance da morte pregar uma peça nela outra vez.
     
    July 17

    Visões

    Marcos conheceu Luana quando ele se mudou para São Paulo.Os dois formavam o casal perfeito.Adoravam fazer todos os programas juntos.
    Só que passados alguns meses Luana começou a ficar muito ciumenta.Não gostava que Marcos saísse sozinho e começou a implicar com os amigos do grupo de teatro que ele freqüentava.
    Luana era irmã de Daniel que era muito amigo de Marcos.Eles sempre trocavam confidências e chegou em um ponto onde Marcos começou a pedir conselhos ao amigo de como deveria lidar com o ciúmes da namorada.Daniel dizia pra ele não dar bola que era só uma fase.
    Fase que não passava nunca,e estava ficando sem controle.
    - Marcos,você teria coragem de me trair? – perguntou Luana
    - Claro que não Luana,eu adoro você ,só que esse seu ciúme me sufoca,eu não posso falar com ninguém que você fica irritada.Por que não somos como antigamente?Você era tão mais tranqüila.
    - Olha,Marcos se um dia você me trair,você pode ter certeza que você se arrependerá o resto da sua vida. – disse Luana com ódio no olhar.
    Marcos não questionou,desta vez não queria discutir.A partir daquela noite Marcos começou a ter sonhos esquisitos e cada vez que ia ensaiar via um homem todo de preto com um crucifixo na mão ao lado de Luana.Uma certa vez chegou até a perguntar quem era o homem que ficava ao lado dela nos ensaios,mas ela dizia que nunca tinha reparado que ficava um homem ao lado dela.
    Marcos estava tendo visões,disso ele tinha certeza,só não sabia o que significavam.
    Com o tempo ele deixou de ficar preocupado com aquilo que via e se dedicou mais ao teatro.Mal pode acreditar quando foi chamado pra fazer o papel principal da peça que o grupo iria apresentar.Quando leu o texto e percebeu que no final teria que dar um beijo na atriz principal seu corpo gelou.Foi até o diretor e perguntou se não poderia ser de outra maneira pois Luana era muito ciumenta.
    - Olha Marcos,quando estamos nesse tipo de coisa nossos problemas pessoais ficam pra trás,não podemos misturar.
    - Por que não conversa com Luana e explica que é tudo encenação?
    - O senhor não entende,ela é muito ciumenta não vai aceitar isso.
    Marcos também foi pedir conselhos ao cunhado que disse a mesma coisa.Então ele decidiu que não contaria a Luana que teria um beijo no final da peça.
    Na noite anterior a apresentação da peça,viu o homem que andava com Luana dentro do seu quarto.
    - Quem é você,e por que esta aparecendo pra mim – disse Marcos assustado.
    - Eu sou o Anjo da morte.- disse o homem.
    De repente as coisas do quarto de Marcos começaram a voar pra cima dele.Marcos fazia de tudo para desviar mas não conseguia.Gritos e sussurros ecoavam no quarto e alguém tentava abrir a porta,Marcos pedia por socorro mas não conseguia sair dali.
    Depois de alguns instantes tudo aquilo terminou e a porta se abriu.Quando acendeu a luz,Marcos viu as palavras que Luana tinha dito escritas na parede:VOCÊ IRA SE ARREPENDER.
    Marcos ligou para Luana para saber se estava tudo bem.Ela até se espantou por ele ligar aquela hora,mas ele alegou estar com saudades.
    Os pesadelos,as visões e aquela manifestação fantasmagórica anunciava que algo de ruim iria acontecer.
    Chegou o grande dia,a apresentação da peça de teatro.Marcos acordou animado e um pouco assustado ainda com tudo que tinha acontecido.Pegou suas coisas,se despediu dos seus pais e foi para o teatro.
    Chegando lá deu de cara com Luana toda sorridente.Mas ao seu lado estava lá o Anjo da morte.
    - Amor,se algo ruim acontecer,quero que você saiba que eu te amo muito – disse Marcos abraçando Luana.
    - Credo amor,nada de ruim vai acontecer viu – disse Luana que estava linda naquele dia.
    Os dois se abraçaram e entraram juntos no teatro,Marcos se despediu e foi para o camarim enquanto Luana ficou na platéia.
    A peça começou e tudo estava indo bem,mas como já era esperado no final o beijo entre os atores principais aconteceu.
    Luana se levantou no meio de todos e o anjo da morte possuiu seu corpo.
    Seu olhar ficou perdido no tempo Luana caminhou em direção a porta principal e se foi.
    A peça acabou e Marcos foi procurar Luana que não estava mais lá.Todos estavam combinando de ir comemorar o sucesso da peça em uma lanchonete ali perto,mas Marcos não queria ir sozinho então resolveu procurar a namorada e acabou descobrindo que ela tinha ido pra casa.
    Marcos chegou na casa de Luana e foi recebido pelos pais dela que disseram que ela entrou em nem os comprimentou.
    A mãe de Luana foi a até a porta do quarto que estava trancada e começou a chamar pela filha que não respondia.
    Marcos vendo que Luana não abria a porta foi tentar chama-la,mas também em vão.
    O pai de Luana já irritado com a ignorância da filha foi tentar chama-la também.
    Todos chegaram a conclusão que alguma coisa tinha acontecido e decidiram arrombar a porta.
    Quando conseguiram abrir, Luana veio pra cima de Marcos com uma faca e cravou no coração do namorado.Seus pais horrorizados pediram pra ela para de esfaquear o menino mas em vão.Não conseguiam conter a menina que parecia estar possuída pelo demônio.
    Seus pais saíram correndo pra fora de casa pra chamar ajuda,mas quando voltaram só encontraram sangue e uma cena extremamente sinistra. No chão do quarto estava Marcos com a faca cravada no coração e no canto da parede pendurada por uma corda que estava presa em um gancho que segurava uma rede estava Luana enforcada com os olhos e a língua saltados pra fora.
    O recado tinha sido dado,o prometido estava cumprido e finalmente o anjo da morte poderia ir embora.
    Mas uma pergunta fica no ar:QUEM SERÃO OS PRÓXIMOS?
    FIM.

     

    Renata Rodrigues da Silva
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    July 15

    A maldição da bruxa

    O grande sonho da família de Caio era que um dia ele se tornasse padre. Já era uma tradição e Caio não poderia decepcioná-los.
    Todo domingo ia à missa com os pais, foi coroinha, e estudou desde pequeno em colégio de padres.
    Naquele dia Caio iria finalmente se formar. A família fez uma grande festa, afinal era o sonho deles. Chamou todos os conhecidos, menos Dona Fabiana.
    Dona Fabiana era uma velha senhora que vivia isolada do povoado local, todos a temiam, pois ela era praticante de bruxaria, não tinha parente e nem amigos.
    Primeiro aconteceu uma missa em comemoração aos jovens que estavam se formando e depois um grande almoço. Enquanto todos comiam,riam e conversavam,Caio notou que Dona Fabiana estava do lado de fora só observando. Caio sentiu até um pouco de pena, e pensou em chamá-la, mas antes de fazer isso sua mãe se aproximou:
    - O que foi Caio, por que esta olhando pra ela?
    - Não sei, ela só me chamou a atenção, será que não deveríamos convidá-la?
    - Você esta louco meu filho, essa mulher é uma bruxa, temos é que expulsa-la daqui.
    Natalia disse isso ao filho, se dirigiu a Dona Fabiana e aos gritos disse:
    - O que você quer velha nojenta, sai daqui sua bruxa, antes que a gente te apedreje.
    Todos pararam o que estavam fazendo para dar apoio a Natalia e começaram a ofender Dona Fabiana.
    A velha olhou a todos com ódio, principalmente a Caio e foi embora.
    A festa continuou até o final da tarde, mas Caio estava intrigado com os insultos a velha senhora.
    No dia seguinte, Caio já começou os seus trabalhos na igreja, uma rotina na qual ele já estava acostumado, com algumas coisas acrescentadas.
    Ficou no confessionário, escutando o que todos tinham a dizer, principalmente as velhas senhoras. Às vezes elas nem tinham nada de importante a dizer, parecia que aquilo era uma obrigação e que tinham que bater ponto na igreja.
    Final de tarde, depois de uma dia até que tranqüilo, Caio estava fechando a igreja quando encontrou Dona Fabiana.
    - Olá senhora, posso ajudá-la?
    Ela não respondeu.
    Ele intrigado perguntou novamente:
    - Dona Fabiana posso ajudá-la?
    Ela estendeu as mãos em direção a ele e disse:
    - Em nome do senhor das trevas eu te amaldiçoou, tu somente verás o mal, nem a tua própria fé te salvará.
    Ó Senhor das trevas, guia essa alma até o inferno, e que a vida dele seja o verdadeiro martírio.
    Que o inferno seja a sua nova morada e que tudo de ruim o acompanhe a partir desse momento até que se complete um dia de minha maldição.
    Vingue-me o Senhor do mal, vingue-me por todo o ódio que tenho dessa cidade e desse povo.
    Amem.
    Caio nem se mexeu, não sabia o que dizer. Dona Fabiana seguiu o seu caminho.
    Quando ele chegou a casa não teve coragem de contar a mãe, afinal achou que aquilo era um delírio de uma velha senhora e se contasse, ela faria um verdadeiro mutirão para insultar Dona Fabiana.
    Acima de tudo se considerava um homem de bem, não queria ver o mal de nenhum ser vivo, então depois do jantar foi até seu quarto, se ajoelhou e pediu a Deus que abençoasse aquela que lhe o amaldiçoou.
    Tomou um banho, deitou-se, mas antes de fechar os olhos acreditava ter visto um vulto próximo à janela, achou que era a sua imaginação, pois não acreditava em assombração.
    Fechou os olhos e quando abriu viu o vulto de uma mulher parada ao lado da cama. A mulher vestia somente uma camisola, Caio pode perceber que ela não era desconhecida era Cristiane sua vizinha.
    Ele sentou-se na cama e perguntou o que ela queria, Ela abriu a camisola e Caio pode perceber que tinha um ferimento no peito em forma de crucifixo. Caio levantou-se e quando foi pedir para que ela se vestisse o vulto simplesmente desapareceu.
    Ele ficou confuso com tudo aquilo, escutou vozes na rua, então resolveu olhar pela janela, viu um pequeno tumulto, resolveu ir ver o que aconteceu.
    Não pode acreditar quando viu aquele corpo pendurado na arvore era o de Cristiane estava morta.
    Caio ficou horrorizado, chorou muito e pediu a Deus que confortasse os pais da jovem.
    - Caio, aconteceu alguma coisa? - gritou Cristiane da janela.
    Caio a olhou sem entender nada, e quando olhou ao seu redor percebeu que esta sozinho e nada do que tinha visto estava acontecendo.
    Correu pra casa e trancou-se no quarto. Não conseguiu dormir, só rezar e ficar pensando no que estava acontecendo.
    Pela manhã resolveu ir até a cozinha tomar café, abatido desceu as escadas, mas ao entrar no corredor percebeu que havia algo de errado, de costas para a porta estava sua Mãe Natalia e Seu Pai Bartolomeu sentados nas cadeiras. A água estava fervendo no fogão, mas ela não levantava pra passar o café.
    Ele chamou pelos pais e caminhou lentamente,quando se deparou com o rosto dos dois, gritou.
    Eles estavam mortos, estavam sem os olhos que estavam em uma de suas mãos e na outra os dois seguravam um crucifixo.
    Caio chorava e gritava ao mesmo tempo. Questionava Deus o porquê daquilo.
    - O que esta acontecendo?Ajude-me meu Deus.
    - Caio meu filho o que foi?- disse Natalia assustada.
    - Hã?Mas...
    Bartolomeu não entendeu nada e ficou preocupado com o filho.
    Depois da visão e do susto Caio tomou um pouco de café, mas não conseguia comer.
    Resolveu sair pra rua, mas a cada canto que olhava via pessoas mortas.
    Resolveu ir para a igreja rezar, mas no caminho se deparou com o que o pessoal chamava de espíritos maléficos.
    Fechou os olhos, mas ao tentar passar um deles deu um soco em seu rosto fazendo com que todos os outros que estavam ao redor fizessem o mesmo.
    As pessoas na rua olhavam em não entendiam nada, somente viam Caio caindo e se debatendo no chão, achavam que eles estava tendo um ataque, ninguém tinha coragem de chegar perto.
    Só Caio sabia o que estava passando,quando conseguia olhar no rosto daqueles vultos,via o próprio demônio.
    Por um momento Caio conseguiu se levantar e correr para a igreja, mas ao chegar percebeu que a porta estava trancada.
    Um vento forte começou na cidade como se fosse um furacão.
    Ajoelhou-se e suplicou clemência a Deus, mas ele somente conseguia ver mortos ao seu lado. Caio não conseguia parar de gritar.
    Todos da cidade já estava boquiabertos com o que estava acontecendo. Na porta da igreja só se ouvia Caio tentando rezar qualquer oração, mas apesar de ser um homem religioso nada lhe vinha à cabeça.
    Natalia e Bartolomeu foram chamados, tentaram chegar perto do filho, mas foram afastados aos socos, Caio não conseguia reconhecer nem os pais.
    Dona Fabiana só observava de longe. Bartolomeu a viu e começou a falar.
    - O que você esta olhando velha bruxa, tenho certeza que a culpa é sua.
    Neste momento todos se voltaram para a velha e começaram a falar mal-la.
    - Eu sou a única que posso salvar o jovem padre, pois fui eu que joguei a maldição nele.
    - Maldição?Tira isso do meu filho... - disse furioso Bartolomeu.
    - Não posso, ainda falta muito para completar as vinte quatro horas do feitiço.
    - Velha asquerosa, Deus te amaldiçoe – Disse Natalia indo pra cima de Dona Mariana que com um só sinal fez com que a mulher voasse alguns metros.
    Todos ficaram assustados, alguns até correram de medo.
    - Eu quero que vocês entendam, eu tenho o poder e posso fazer de vocês o que eu quiser como eu fiz com o próprio padre. O bem existe, mas nem sempre prevalece. Vocês sempre me humilharam, e eu muitas das vezes ajudei pessoas daqui... Quem precisou de ajuda sabe o que estou falando. Nunca fui reconhecida e agora eu me vingo fazendo Caio sofrer. Ele não é um homem de Deus, vamos ver se ele agüenta a fúria do demônio.
    Dona Fabiana aponta pra ele que esta caído no chão e o joga contra a parede da igreja. A batida á tão forte que faz Caio entrar na igreja e cair próximo ao altar.
    A batida na porta faz com que as estruturas da igreja se abalem. O sino começa a badalar. Muitos pressentiam o final dos tempos, pelo menos para aquela cidade.
    Dona Fabiana gargalhava, os espíritos agora estavam próximos a ela.
    E quanto mais o sino badalava, mas deixava a cidade com medo da velha bruxa que finalmente mostrou o que era.
    - O mal sempre vence seus idiotas, e é por isso que hoje eu Amaldiçoou essa cidade, você viveram o verdadeiro inferno em vida.
    - ó espíritos do mal, infernizem essa gente que nunca mereceu o bem.
    O vento fica mais forte.
    Enquanto do lado de fora da igreja Dona Fabiana amaldiçoava a todos, lá dentro caído aos pés de Cristo, Caio pronunciava o que ele achava que seriam as suas ultimas palavras.
    - Meu pai, livrai-nos do mau Amém – falou baixinho desmaiando em seguida.
    O sino badalou mais forte, e cada vez mais forte até que em um momento a igreja ameaçou desmoronar. Todos corriam de medo.
    O sino se desprendeu caindo em poucos segundos em cima da velha senhora a esmagando e separando seu corpo em pedaços, jogando sangue pra todos os lados.
    Caio abriu os olhos e ainda muito machucado pode levantar-se e caminhar até a porta da igreja vendo aquela cena horrível.
    A maldição tinha acabado e o mal finalmente vencido.

    Fim.

    A vingança macabra

    Beth no auge dos seus dezoito anos queria liberdade. Queria ser como suas amigas do colégio que já saiam pra dançar, namoravam e já faziam coisas que não era permitido a ela.
    Fernando e Ane eram pais muito cuidadosos, eles não queriam que sua filha se perdesse em caminhos errados na adolescência como a maioria das meninas fazia, e por isso as proibições.
    - Mãe, Pai, posso ir à festa da Tatiane hoje á noite?Começa a dez.
    - As dez? A essa hora você vai estar dormindo. – disse Ane.
    - Mas mãe, eu não posso fazer nada. Eu só tenho que ficar em casa e estudar, minha vida não tem mais graça. – disse Beth irritada.
    - Você não vai Beth, não responda sua mãe – disse Fernando.
    Beth saiu da mesa caminhou até a porta da sala de jantar, virou para onde seus pais estavam e falou:
    - Eu vou me vingar, isso não vai ficar assim – disse Beth com ódio no olhar.
    Beth falou a frase e correu para seu quarto onde se trancou. As palavras de Beth assustaram Fernando e Ane, mas como a menina estava muito rebelde, resolveram não dar importância.
    Beth trancada em seu quarto e possuída pelo ódio, chegou à conclusão que a única porta para sua liberdade se abriria se seus pais estivessem mortos. Mas como ela planejaria isso?Teria coragem de assassinar os próprios pais?Eram essas a perguntas que se passavam pela sua cabeça.
    Cheia de idéias na cabeça ligou o computador e começou a pesquisar na internet alguma coisa que lhe pudesse ser útil.
    Entrou em um site de ervas venenosas e uma erva em especial lhe chamou a atenção por ser rapidamente fatal e não deixar vestígios no organismo.
    Seus olhos brilharam, sentiu que sua liberdade estava cada vez mais perto. Solicitou uma pequena quantia no próprio site que vendia com cartão de crédito. Ficou ansiosa pela chegada do material.
    - Dois dias – disse ela baixinho no quarto – dois dias e eu estarei livre de vocês.
    E assim por dois dias Beth se comportou como um verdadeiro anjo. Seus pais até estranharam tanta paz.
    Naquele dia Beth não saia da janela, esperando o correio chegar. Como seus pais trabalhavam ela ficava sozinha em casa mil coisas se passavam pela cabeça dela.
    Enfim, o correio chegou e ela praticamente arrancou o pacote da mão do carteiro. Correu pra dentro de casa para abrir o pacote e lá estava um pequeno vidro com um liquido e junto estava o modo como se deveria usar.
    A primeira coisa que veio a sua cabeça foi testar o veneno pra ver se realmente funcionava. Foi até o quintal e colocou uma pitada do veneno na água do cachorro e ficou lá esperando ele beber. Segundos pareciam horas e ele não bebia a água.
    Enfim depois de algum tempo o cachorro bebeu a água envenenada.
    Demorou alguns minutos, e Beth suava de nervoso. O cachorro cambaleou e enfim caiu morto.
    Era o auge para Beth. Ela não via à hora de seus pais chegarem e ela poder executá-los.
    A noite se aproximava, Beth estava nervosa, só pensava na liberdade que teria, Seus pais chegaram do trabalho e já encontraram a mesa do jantar posta e toda arrumada como se fosse acontecer um evento especial.
    - Nossa filha, você esta animada hein, até a mesa você arrumou – disse Ane acariciando o cabelo da filha.
    - Hum até suco de maracujá você fez – Sorriu Fernando.
    Beth arrumou colocou a comida na mesa. A jarra de suco envenenado brilhava.
    Todos sentaram. Se serviram e começaram a comer. Beth mesmo serviu os copos até o dela. Mas claro ela não bebeu.
    E assim com o olhar mais macabro que se pode imaginar Beth assistiu os seus pais beberem do suco, começarem a agonizar e finalmente morrer. Até tentaram pedir ajuda, mas Beth nem se mexeu. Ela ria baixinho como se estivesse possuída pelo próprio demônio.
    Quando tudo terminou Beth cuspiu em seus pais e começou a executar a outra parte do plano. Esperou ficar de madrugada e carregou com muito custo seus pais para dentro do carro que estava em frente ao portão da casa e os ajeitou, fechou as portas. Espalhou gasolina que tinha comprado naquela manhã em todo o carro.
    Riscou um palito de fósforo e jogou contra o carro sem pensar duas vezes.
    Correu para o quarto e ficou lá. Não tinha remorso, nem pena, só ria e pulava na cama, pois enfim havia conquistado a sua liberdade. Escutou o momento em que o carro explodiu. Ligou para a policia e explicou o que estava acontecendo fazendo o maior teatro.
    Enfim tudo ocorreu como o planejado, ninguém descobriu o que ela fez e por pura opção resolveu ficar na casa onde morava. Seus parentes relutaram pois ela só tinha dezoito anos,mas ela acabou convencendo a todos que já era independente.Como todos perceberam a sua “tristeza”,interpretaram aquela decisão como se ela quisesse ficar perto da memória dos pais de alguma maneira.
    Ela esperou um tempo e ai começou a aproveitar a sua liberdade.Como recebia pensão depois que seus pais faleceram,ela resolveu organizar uma pequena festa.
    Chamou algumas amigas e amigos e organizou tudo.Comprou muita bebida e alguns petiscos.
    Espalhou alguns abajures pela casa e deixou tudo a meia luz.
    Como ainda era virgem,queria que aquela noite fosse a sua iniciação a tudo o que era proibido a ela antes.
    Os convidados começaram a chegar e logo a casa ficou lotada.As meninas começaram a beber e a dançar junto com os meninos.
    Beth estava adorando tudo aquilo e logo um sentimento de prazer e excitação começou a tomar conta do seu corpo.
    Foi para o meio da sala tirou a blusa que estava usando deixando os seus seios à mostra levando a loucura todos que estavam presentes.
    As meninas mais assanhadas fizeram o mesmo e todos começaram a dançar na sala.
    Beth começou a dançar com Aguinaldo,um menino que estudava no mesmo colégio que ela.
    Ele a agarrou e começou a passar a mão em seu corpo,Beth se assustou no começou mas ela queria isso e então deixou rolar.
    - Então Beth,tem algum lugar mais reservado onde a gente posso ficar?- Disse Aguinaldo mordendo a orelha de Beth.
    -Tem,o quarto que era dos meus pais e agora é meu.
    - Então vamos lá – disse Aguinaldo olhando pra Beth.
    Beth pegou ele pela mão e subiu as escadas.Quando chegou à porta do quarto ela já estava aberta.Beth estranhou,pois a porta sempre ficava fechada.
    Aguinaldo pegou Beth e jogou na cama.Neste momento a porta que tinha ficado aberta se fechou com violência.Os dois se assustaram e deram um pulo da cama.
    - Que foi isso? – disse Aguinaldo assustado.
    - Não sei.
    - Acho que não foi nada gatinha,vem cá,vem – disse Aguinaldo.
    Os dois fizeram sexo na cama dos pais.Depois de tudo terminado,Beth e Aguinaldo estavam se vestindo quando ouviram um barulho de vidro quebrando dentro do quarto.
    Estavam com a luz apagada e nada enxergavam.Mais um barulho,e depois outro.Os dois tentaram sair correndo mas a porta se fechou e eles ficaram trancados no quarto.
    Os objetos do quarto começaram a se chocar com o corpo deles.Beth ouviu a gritaria vindo da sala e o mesmo barulho de tudo sendo jogado nas paredes da casa.
    O terror tomou conta de todos.Na sala a gritaria foi geral,as garrafas sendo jogadas as luzes que se apagavam e acendiam toda hora.
    De repente tudo parou,antes das luzes se acenderem Beth pode ver junto à porta Ane e Fernando envolvidos por um breu.Ela gritou e as portas se abriram.
    Sem pensar duas vezes todos que estavam na casa saíram correndo,sobrando somente Beth e a casa toda quebrada.
    Beth não teve duvida do que acontecerá ali,era a manifestação de ódio de seus pais falecidos.
    - Essa casa agora é minha,saiam daqui – gritou Beth.
    Depois daquilo nunca mais tiveram manifestações na casa.Tudo estava como se nada tivesse acontecido.
    Dois meses depois Beth estranhou sua menstruação não ter vindo e então com muito medo ela decidiu fazer um teste de gravidez que para sua imensa surpresa e insatisfação deu positivo.
    O que faria com um bebê?Será que o pai assumiria?Acreditava que não,pois ela nem o conhecia direito.
    O desespero tomou conta e ela não conseguia nem pensar.
    Andou por toda a casa,pensou e repensou no que faria.Decidiu não abortar.Resolveu assumir a criança.
    Quando contou a família todos a repreenderam,mas ela era audaciosa,não temia o que eles falavam.
    Os meses se passaram e a barriga cresceu.Beth apesar de ainda assustada estava gostando de ter um bebe para criar.O pai,realmente não apareceu,mas ela não se importou.
    Chegou à hora do parto.Beth chamou seu tio Felipe e ele a levou para o hospital.Tudo ocorreu bem e ela ganhou uma linda menina a qual chamaria de Adriana.
    O tempo foi passando,Beth foi ficando mais madura,arrumou até um emprego.
    Mas,ela começou a perceber que sua filha era especial.Desde muito nova tinha visões e dizia que falava com seus avós que ela afirmava que estavam na casa.
    Beth morria de medo e pedia pra filha não falar esse tipo de coisa.Mas certo dia Beth teve um surpresa.
    - Mamãe,a vovó Ane me contou uma coisa hoje – disse Adriana.
    - Adriana,para com isso filha.
    - Ela me disse que você é má e que você matou ela e o vovô.
    - Adri.- gritou Beth furiosa.
    - Ás vezes eles me mandam fazer coisas.
    - Filha,você já tem doze anos,está na hora de parar de fazer essas brincadeiras.- disse Beth sendo carinhosa com a filha.
    Beth começou a prestar mais atenção na filha que estava cada vez mais estranha.Conversava e ria sozinha,dizia que seus avós a faziam rir.
    Às vezes Beth acordava no meio da noite e lá estava Adriana a olhando fixamente.
    - Que foi filha?
    - O vovô disse para eu vigiar teu sono,ele disse que seu futuro vai ser muito trágico.Você não os vê mamãe?Eles estão ali na porta nos olhando – disse Adriana baixinho.
    - Filha,você esta me assustando,vamos dormir vem.
    Beth,preocupada com as atitudes da filha resolveu vender a casa depois de tantos anos.
    Foi até a imobiliária e realmente não faltaram compradores.Adriana,não queria sair,mas a decisão estava tomada.
    Passadas algumas semanas,a casa já estava vendida.Beth pediu uma semana para sair da casa.
    Foi um inferno,as coisas voavam de um lado para o outro,ela sentia algo puxando seu cabelo,as portas se batendo.
    Adriana não tinha duvidas eram seus avós.
    Um dia antes,a pequena Adriana foi até a sua mãe e lhe disse:
    - Mamãe,você vai me amar pra sempre?
    -Claro minha linda,por quê?
    - Mesmo que eu fizer uma coisa muito errada?
    - Por que,ta pensando em aprontar?
    Adriana sorriu mas não respondeu,deu um beijo na mãe e saiu do quarto.
    Era madrugada quando Beth acordou assustada,acabará de ter um pesadelo.Decidiu tomar um copo de água.Se levantou colocou a mão na maçaneta da porta,mas não conseguiu abrir.Ela forçou,forçou de novo mas em vão.Começou a gritar o nome da filha que não respondia.
    - Não adianta chama-la,ela não esta na casa.
    Beth se virou e viu os pais na sua frente,da mesma maneira como viu a anos atrás.
    - Cadê a minha filha? – disse ela com raiva
    - Sua filha esta bem,ela não precisa pagar pelo seus erros. – disse Ane.
    - Me deixar sair daqui – gritou Beth atirando um frasco de perfume que estava na cômoda
    Fernando e Ane gargalharam .
    - Infelizmente criamos um monstro,tentamos proteger você ,mas você não entendeu e nos matou,agora você vai ter o que merece – disse Fernando.
    - Se depender de nós,você vai queimar no fogo do inferno.
    Beth percebeu uma fumaça vindo de baixo da porta,olhou apavorada para o fantasma dos pais.
    Olhou de novo para a porta e agora ela estava aberta.
    A casa estava em chamas,Beth não conseguia descer,correu até a janela do quarto e pode ver no quintal da casa sua filha só observando,ao lado dela estavam Ane e Fernando.
    - Filha me ajuda – grita Beth desesperada.
    - Não posso mamãe,você matou o vovô e a vovó.Eles me disseram que você tem que morrer.Desculpe por colocar fogo na casa mamãe,mas eles me pediram.
    - Filha,como você pode fazer isso? – Gritava e chorava Beth,a fumaça já a sufocava.
    - Foi preciso mamãe. Pagar na mesma moeda, eles me ensinarão mãe.
    Adriana foi caminhando pela rua deixando a casa em chamas para trás. Lagrimas corriam pelo seu rosto, mas nada poderia fazer, Entendia que sua mãe tinha que pagar pelos erros. 
    Beth morreu queimada, seu corpo ficou irreconhecível, todos da família pensaram que tinha sido uma verdadeira tragédia e que felizmente Adriana conseguiu escapar.
    Sua história estava no fim.
    Ódio com ódio se paga.
    Fim.
     
    July 14

    Prometida para o mal

    Talita corria pela mata escura sem olhar para trás.
    Não acreditava que conseguirá escapar de Ricardo, o menino no qual ela se apaixonou e estava namorando fazia seis meses.
    Foi no colégio que aconteceu entre eles o primeiro olhar, e então um sorriso, troca de palavras e quando ela percebeu já estava fascinada por ele.
    Mas Talita nunca imaginou que por trás daquela carinha de anjo estava escondido o seu pior pesadelo.
    Ricardo gostava de ser diferente dos outros colegas. Vestido sempre de preto demonstrava aos olhos de todos que a escuridão o fascinava. Rock tipo metal era uma sinfonia aos seus ouvidos. Mas para com Talita ele se transformava em outra pessoa, sempre carinhoso com ela, até um pouquinho “grudento”, diziam as suas amigas.
    Mas Talita não ligava, gostava dele, gostava do jeito que ele a tratava.
    A primeira vez que foi à casa de Ricardo não pode negar que ficou assustada. O quarto dele era como se fosse um santuário macabro. Imagens de seres malignos juntos em um pequeno altar do lado esquerdo da cama, o quarto era pintado de preto com tons de roxo bem escuro.
    - Nossa amor, como que você vive nessa escuridão?
    - A escuridão também tem a sua beleza sabia Talita?
    Talita não respondeu e nem se atreveu a perguntar sobre o altar. Tinha medo. Mas o amor superava isso.
    Certo dia Ricardo levou Talita em uma casa abandonada que a família dele tinha em uma cidade próxima. Talita não gostou do lugar e quis voltar embora, mas Ricardo não deixou disse que tinham que ficar mais um pouco, pois uma coisa muito importante iria acontecer ali e o lugar precisava ser reconhecido por ela. Talita não entendeu, mas não questionou.
    Com o tempo Ricardo foi ficando agressivo, só queria saber de ficar no quarto dele ajoelhado no pequeno altar, idolatrando as imagens demoníacas. Talita não reconhecia mais o namorado que a obrigava a ficar ali ajoelhada com ele.
    Ele a obrigava a ficar longe das amigas e de tudo que ela gostava de fazer e sem que percebesse, já estava andando igual a ele.
    Toda vez que Ricardo estava ajoelhado no altar, repetia a frase.
    - O dia esta chegando Talita, o grande dia esta chegando.
    Ela perguntava que dia era, mas ele nunca respondia, sempre dizia que na hora certa ela saberia.
    Naquele sábado, Ricardo pediu a Talita que comprasse algumas coisas.
    - Corda, Velas pretas, gasolina, fósforos... Está faltando alguma coisa amor?
    - Não esta tudo certo.
    Ele então, sentou-se na cama e ofereceu vinho a Talita. Ela não costumava beber, mas por medo do namorado resolveu aceitar.
    Sentou-se ao lado dele e começaram a conversar. Talita percebeu que estava tonta e que não conseguia, mas controlar os seus sentidos.
    Ricardo só a olhava em silêncio. Até que Talita desmaiou...
    Quando acordou Talita se viu amarrada em uma cadeira grande como se fosse uma cadeira de alguém importante.
    Ao seu lado outra cadeira igual, mas vazia. O local estava iluminado por lampiões e velas e o mesmo altar do quarto de Ricardo estava montado no meio da sala.
    Ainda estava com a vista embaçada, mas pode reconhecer o lugar. Era a antiga casa da família de Ricardo.
    Após alguns minutos Ricardo vestido com um manto negro apareceu no meio da sala.
    - Ricardo, o que esta acontecendo?Por que estou aqui toda amarrada e vestida com essa roupa?
    Ricardo ergueu a cabeça e tirou o capuz.
    - Talita, você foi a escolhida, você tem que somente a me agradecer por estar aqui.
    - Escolhida?Mas pra que?
    - Há tempos eu vinha procurando alguém para ser a companheira do senhor do mal, essa missão me foi dada há muito tempo. Quando olhei em seus olhos vi que você ainda tinha o coração virgem e que poderia ser domada, foi quando cheguei a conclusão de que você seria a mensageira oficial do Demônio aqui nesse mundo.
    Talita estremeceu, pensou que Ricardo estava louco, e que só queria brincar com ela. Começou a chorar, como foi tão boba, como pode se apaixonar por um rapaz tão obcecado pelo mal.
    - A meia-noite será a sua coroação, prepare-se. - disse ele e logo em seguida saindo da sala.
    - E agora, o que vou fazer? – falava baixinho. Tentou se soltar das cordas que a amarravam.
    Não tinha noção de que horas eram só sabia que era noite, pois via pelos vidros da janela.
    Talita começou a mover os pulsos com violência para tentar se soltar, mas era difícil. Sentia em seu coração que não tinha muito tempo. Seus braços começaram a sangrar, Talita chorava baixinho.
    Com muito esforço Talita já bem machucada conseguiu soltar uma das mãos. Rapidamente soltou a outra mão e tentou correr, mas quando saiu da cadeira acabou tropeçando em um tapete. Ricardo imediatamente apareceu na sala furioso.
    - Como ousa me contrariar?Sua alma já esta no inferno!
    Talita assustada corre e pega do altar as imagens e começa a jogar em Ricardo. Ele somente desviava e ia a direção a Talita. Até que por sorte ela consegue acertar uma delas na cabeça dele o fazendo cair.
    Próxima a porta, Talita vê a gasolina e os fósforos que Ricardo pediu pra ela comprar. Ela pega e sai de dentro daquela casa. Do lado de fora na escuridão total Talita joga a gasolina com muita rapidez, pois o medo tomava conta dela.
    Sem pensar duas vezes faz o sinal da cruz e quando olhou na janela viu Ricardo levantando, então ela joga o fósforo em direção a gasolina.
    A casa começa a pegar fogo. Ela começa a correr, gargalhadas demoníacas e um vento muito forte percorrem aquela mata escura e cada vez mais ela se afasta da casa.
    Por um momento Talita parou de correr, seu coração dizia que já estava a salvo.
    Ajoelhou-se ali mesmo e fez uma oração. Agradeceu a Deus pela bondade e por ela ter conseguido escapar.
    Talita não precisava mais correr, o bem venceu o mal, mais uma vez.
    Fim.
     
    Renata Rodrigues da Silva

    Sem Saidas

    Aquela era uma vizinhança como qualquer outra. Onde se podia ficar no patio de casa sem maiores preocupações. Samanta era uma garota de 17 anos que morava com seus pais no bairro. Todos os dias ela saia para a escola exatamente as 7 horas junto com seus pais, que iam trabalhar na cidade vizinha. Ao meio dia Samanta voltava para casa de onibus com suas colegas e passava o resto de dia sozinha, estudando e ouvindo musica enquanto seus pais não chegavam.
    Samanta dorme, tem sonhos confusos e conturbados... ela sua, a cama parece pequena demais para todos os seus movimentos. Até que ela acorda como se tivesse sido acertada por algo. Ela olha as horas, eram 3 horas da manhã. Se levanta, vai até a cozinha e bebe um copo de agua, se acalma e volta para seu quarto. Ela não consegue dormir, parece que o susto do pesadelo ainda a acompanha, ela não lembra o que havia sonhado, o que a deixava mais perturbada. Por mais que pensasse e tentasse, o pesadelo não lhe voltava a memoria. Samanta passa o resto da noite em claro, se mexendo na cama até a hora de acordar.
    Tudo ocorre normalmente, tomam café tranquilamente:
    - Sá querida, está tudo bem? Você parece meio abatida...
    - Está tudo bem mãe... só não consegui dormir muito bem.
    - Bom, então pelo menos se alimente bem, não quero que passe mal na escola.
    - Está bem dona preocupação.
    A Mãe, dona Carmem faz um pequeno carinho na cabeça da filha antes de continuar o café da manhã. Eles saem de casa no mesmo horário e só no caminho Samanta percebeu que havia esquecido um livro importante...mas resolve dar um jeito na escola mesmo... voltar no atual momento não era possivel.
    Como imaginava o livro não fora um grande problema, e quando viu já estava no horário de voltar para casa. Um sentimento ruim a acompanhava, como o que tivera durante a noite, mas o ignorou, pois achou que fosse alguma bobagem. 
    Chegou em casa e foi logo para a cozinha procurar algo para comer, também havia esquecido seu dinheiro em casa, nisso não comera nada durante a manhã. Comeu, arrumou a cozinha e foi para o quarto estudar um pouco. Acabou adormecendo graças ao cansaço da noite anterior.
    Um pequeno ruido de galhos secos quebra o silencio da rua, tão tranquila naquele horario do dia. Novos barulhos surgem e Samanta acorda de um salto. Ela está sonolenta e acaba confusa sem saber o que a despertou, até que ouve sons na varanda da casa. Samanta desce logo as escadas, pensa ser Mariana sua vizinha que resolveu lhe visitar, mas ao chegar no corredor vê três hoens forçando a porta da entrada de sua casa. Samanta se apavora e corre de volta para seu quarto e tranca a porta. Pensa em ligar para os pais, mas se dá conta de que no seu quarto não há telefone. Ela abre a porta do quarto para poder chegar até o aparelho, mas bem nessa hora a porta da casa se abre e os homens entram. Num ataque de panico ela bate a porta com força chamando a atenção dos invasores. Ela corre para baixo da cama, mas passos na escada já podem ser ouvidos. Quarto por quarto é conferido e revirado. Jóias são levadas e moveis são quebrados. Por baixo da porta Samanta vê a sombra de dois homens, e nesse momento a porta é aberta brutamente. Eles começam a vasculhar o quarto, Samanta se encolhe mais em baixo da cama, com esperanças que sua colcha lhe esconda de tais homens. Mas é tarde de mais. Sua perna é puxada, e ela pode ver os dois homens. O que lhe puxava era moreno, alto com feições brutas, o outro tão forte quanto, mas com certo receio de ir em frente. O homem que a segura, lhe puxa com força pelos cabelos e lhe arrasta escada abaixo:
    - ME SOLTAAAAAAAA, ME SOLTAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!
    - Cala a boca!
    - O QUE VOCÊS QUEREM?? QUEM SÃO VOCÊS??????????
    - JÁ MANDEI CALAR A BOCA!
    Em panico Samanta começa a choramingar, é jogada com força contra o sofá. O terceiro homem, vem da cozinha, este é ainda mais carrancudo do que o outro, loiro, fortemente bronzeado.
    - O que essa garota tá fazendo aqui?
    - Ela tava lá em cima Rafa, a gente só trouxe ela pra cá.
    - Mas que merda! Pára de falar meu nome imbecil!
    - Foi mal cara... mas e agora? O que a gente faz com ela?
    - Eu não sei, não estava contando com um problemas desses! Deixa ela aí, termina o serviço! Zé, você cuida dela!
    - Eu? Ok Rafa...
    Continua a expeção, num momento de descuido, Samanta se levanta e tenta ir correr, mas no momento em que se vira para ir em direção a porta ela cai de encontro ao chão. Novamente é puxada pelos cabelos e seu braço é torcido para trás.
    - Ahhhhhhhhh, solta meu braço!!!!!
    - Cala boca! Que merda você não sabe ficar quieta?
    - Você tá me machucando!
    - E você achou o que? Que eu estava aqui pra fazer carinho? Ah vai se cata garota! Agora Cala essa boca e fica aí!
    Com o braço dolorido, ela se encolhe no sofá, como que montando uma fortaleza em volta de seu corpo.
    - Que barulheira foi essa Zé?
    - Essa vadiazinha aí que tento fugi!
    - Tento fugi? Olha aqui ô pirralha! Tu fica na tua, ou vai ser pior pra ti. Se bem que vai ser pior de qualquer maneira! Hahahaha
    Zé e o outro homem se olham, ainda não sabia de todo o plano de seu chefe. Samanta fica com ainda mais medo, e só pensa em que pode fazer para se livrar daquela situação. Enquanto os dois conversam ela novamente se levanta correndo do sofá, os dois homens não notam, e quando estava quase na porta um soco lhe acerta o rosto. Ela cai surpresa e apavorada o no chão. Rafa lhe acerta um tapa no rosto e lhe puxa pela roupa.
    - Sua vaca! O que eu falei??? Eu não te mandei fica quieta aqui merda?
    Outro tapa lhe acerta o rosto. E ela começa a chorar de desespero.
    - Pára de chora! Pára!!!
    Samanta tenta conter as lagrimas e não consegue. Ela começa a tremer deixando o rapaz mais irritado.
    - Ahhhhhh sua vaca! Agora acabou a brincadeira! Essa casa tem sóton? Tem??
    - Te...em...
    - Fala direito! Onde que fica a entrada? 
    Samanta respira e tenta falar:
    - No corredor, em... em frente ao quarto de visitas. Mas... mas... não tem nada lá! Ninguém usa o sóton. Só tem poeira! Eu juro!
    Rafa olha friamente pra ela e responde:
    - Melhor assim.
    Samanta é carregada até a sóton, onde comprovando o que ela havia dito não havia nada. Apenas um armário velho com dois ou três livros e alguns quadros antigos, além de ratos e outros insetos.
    - Agora sim! Agora você não vai mais encher o saco! Tras uma corda aí cara! E uma fita adesiva!
    - Pra que Rafa?
    - To mandando trazer Zé mas que merda!
    O rapaz mais do que de pressa tras o que lhe foi pedido e fica esperando novas ordens. Rafa amarra os braços e pernas de Samanta, e fecha sua boca com fica adesiva. Ele para por um momento e começa a pensar. Samanta esperançosa espera que ele tenha tido um golpe de bondade e que irá lhe desamarrar. Mas ele se encaminha até o outro lado do sóton.
    - Zé vem cá!
    - O que foi?
    - Me ajuda a virar esse armário.
    Quieto o rapaz ajuda a virar e a empurra-lo até o canto do sóton. Formando uma espécie de cercado.
    - Pega ela. Tras até aqui!
    Zé a puxa pelas cordas até o local indicado, logo após Rafa fecha o cercado a deixando trancada atras do armário.
    - Agora sim! Hahaha, foi bom de conhecer sua vaca!
    - Você vai deixar ela assim?
    - E você tem duvidas?
    - Mas, e se não a encontrarem?
    - Mas a idéia é essa... 
    Os dois homens saem, descem as escadas e lacram a porta de modo "natural". Em pouco tempo tudo silencia e eles vão embora. Samanta com o rosto lavado em lagrimas tenta soltar as cordas em vão. Elas estão fortemente amarradas e suas mãos começam a sangrar. Por horas ela ficou assim, sentindo o gosto do sangue em sua boca e sentindo-o escorrer também por suas mãos e calcanhares. Novos som são ouvidos, e ela reconhece a voz dos pais. Eles chamam desesperadamente por ela, ela tenta se soltar, ainda com mais ardor que antes, mas nada consegue. Eles reviram a casa e não a encontram. A policia é chamada e os pais de Samanta são interrogados. De tanto chorar a garota adormece. Quatro dias se passam e Samanta continua tentando romper as cordas que tanto lhe impedem de ser encontrada. Ela começa a enfraquecer, devido a fome e a sede. Vasculhas são feitas no bairro, mas ninguém tem sinais de Samanta. Ela começa a "serrar" as cordas em um prego solto do armário, e no fim do dia consegue se soltar. Ela tira a fita da boca e respira aliviada. Um sorriso brota de seus lábios e ela respira fundo aliviada de saber que poderá sair de lá. Mas uma movimentação estranha na casa lhe chama a atenção. E subitamente a alegria se tornou novamente em desespero. Os móveis estavam sendo levados da casa. Ela sem entender começa a andar de um lado pro outro, tenta gritar mas não consegue, sua voz está fraca demais. Tenta fazer barulho, mas os poucos que consegue são abafados pelo som da mudança e ela ouve a voz do pai.
    - Pois é como lhe digo Senhor Gustavo... nossa tristeza é grande demais para continuarmos nessa casa. Os ladrões já foram encontrados, e quando perguntaram de nossa filha, disseram que ela foi... foi morta e que... que seu corpo havia sido jogado no lixão... - Senhor Rodrigo, pai de Samanta, começa a chorar - disseram que lá não restariam provas. Enfim, isso é amis do que poderiamos aguentar... não podemos mais viver aqui. 
    - Eu entendo Senhor Rodrigo, realmente é muito triste o que fizeram com sua filha... já encontraram o corpo?
    - Não, e a policia não sabe se será possivel encontrar muita coisa... afinal já se passaram 4 dias, e ... no lixão... nada dura muito tempo...
    - E a Dona Carmem, como ela está... sei que não é nada facil...
    - Ela está na casa da irmã tentando se reestabelecer, tentei poupa-la disto tudo, ela quase teve um ataque cardiaco com a noticia.

    Samanta não sabe o que fazer começa a bater no chão, com toda a força que podia e seu pai olha para cima:
    - Que barulho foi esse?
    Samanta sente novamente a esperança brotar em seu peito
    - Devem ser ratos, vamos sair daqui, eu lhe pago um café.
    - Vamos sim.
    E lá se vai a esperança de Samanta. Ela continua tentando chamar a atenção de alguém, mas os barulhos da mudança abafam qualquer ruido produzido por ela. E finalmente a casa silencia, todos vão embora, e a casa vazia é tudo que resta a Samanta. Em desespero ela chora, chora e não consegue pensar em mais nada. Ela adormece de cansaço.
    - Você vai morrer aqui.
    Samanta acorda, olha para os lados e nada vê. Pensa que foi outro de seus pesadelos e deita novamente. Está fraca e sem esperanças.
    - Você vai morrer aqui.
    Ela levanta de um salto, e olha em volta novamente. Outra vez nada vê.
    - Acredite, logo logo você morre, e ninguém vai saber.
    - Quem está aí??? -Samanta fala assustada - Se sabe que estou aqui porque não me ajuda? 
     
    Uma pequena sombra surge no canto do sóton.
    - Ajudar? E porque eu faria isso? Vire-se. Eu não tenho nada haver com isso.
    - Por favor, me ajude. Você é o único que sabe que eu estou aqui, me ajude. Você tem que me ajudar a sair daqui.
    - Você já se perguntou com quem você está falando?
    E a sombra se dissipa diante dos olhos de Samanta. Ela fica atordoada, e não entende o que está acontecendo. Não sabe o que pensar. Pensa na possibilidade de estar sonhando, mas tem certeza de estar acordada graçás as dores que sente no corpo e onde estavam as cordas. Samanta se encolhe no canto, a fome batendo forte, cansada e com sede.
    "Devo estar ficando louca"
    - Louca? Hahaha é bem possível...
    - Quem está aí??????
    - Pense pense, e nunca descubra. Hahaha
    - O que você quer? Quem é você?
    - Alguém que pode talvez possa lhe ajudar. Ainda estou pensando sobre isso. Hahaha
    A sombra novamente se vai e Samanta não entende o que está acontecendo.
    " Eu tenho que sair daqui, tenho que sair."
    Ela começa a forças a porta com as forças que lhe sobram mas está lacrada. Ela tenta alcançar a unica janela do sóton, mas em vão.
    - Onde você pensa que vai?
    A sombra volta, dessa vez mais perto de Samanta, a silhueta de um homem pode ser percebida.
    - Me deixe em paz!!!
    - Agora a pouco quase implorou para eu ficar, agora me manda embora?
    - Você não existe! Eu estou delirando!!! Vá embora!
    - Não existo é? 
    Um livro acerta Samanta na cabeça fazendo-a desmaiar.
    Quando acorda, a primeira coisa que ela vê é o livro que havia lhe acertado. Levanta-se e olha em volta. A sombra havia sumido. Ela se senta, pega o livro e começa a olha-lo. Ela percebe então que o tal livro é na verdade um diário, escrito a 70 anos atras. Nele conta a história de um rapaz, que firaca muito doente e passara seus ultimos dias naquele sóton, para que ficasse isolado do resto da família. A cada pagina, Samanta percebia a amargura que o jovem sentia a cada dia que ele passava dentro daquele local. A escuridão não existia somente dentro daquele lugar, mas também dentro de seu coração.
    - Ora ora... sabia que diarios não secretos? Você como garota deveria saber disso.
    - Esse... esse diário é seu?
    - Não, é do Gasparzinho. De quem mais seria? Eu sou a única alma presa nessa droga de casa. Ou melhor, "por enquanto"eu sou a única alma presa aqui.
    Samanta consegue ver um sorriso maldoso se formar no rosto do jovem rapaz. Ele aparentava tem uns 25 anos,o que aumentava sua tristeza.
    - Mas, porque você está preso aqui?
    - Achei que você tinha lido o diário! Não conseguiu entender não? Eu, com vinte e seis anos, preso nesse sóton, perdi a minha vida, a minha juventude pra uma droga de doença! Fui isolado de todos! Só vinham me trazer comida, nada mais. Perdi minha namorada, meu amigos. O que você acha disso? Acha que eu merecia??
    - Não, é claro que não. Mas ninguém tem culpa da sua doença...
    - Hahahaha bem se vê que você não sabe de nada!
    Ele some e a deixa falando sozinha outra vez. Samanta pensa, a fome é forte, a sede maior ainda... mas ela volta a ler, e descobre uma folha solta dentro do diário. Dizendo que havia ouvido uma conversa muito estranha do irmão. Renato, o irmão do rapaz falava sozinho, quase cantarolando que agora estaria livre! De uma vez por todas estaria livre. Que se preparava para sair e o cheiro do perfume poderia ser sentido de onde ele estava.
    Antes de se arrumar o irmão havia lhe feito uma visita e lhe entregue o almoço. Como sempre ele havia reclamado do gosto do suco que lhe havia sido preparado. E Renato argumentava dizendo que eram vitaminas postas pela mãe para lhe curar mais rápido.
    As visitas de sua namorada se tornaram mais escassas, praticamente não a via mais. Mas se conformava com a preocupação do irmão. Por ter com quem contar.
    - É, não sempre as coisas são o que parecem ser...
    - O que você quer dizer?
    - Pense, pense...
    E desaparece, Samanta não entende. Fica cada vez mais confusa, e só sente voltade de dormir. Ele tenta voltar a ler, mas cai no sono.
    Ela começa a sonhar, com tudo que acabara de ler, vê Renato entrar no quarto e entregar a comida ao irmão. Este debilitado e palido, faz cara de desgosto, mas come ao ver o irmão pedir. Logo após ele acabar de comer, Renato desce e leva a bandeija. Ao fechar a porta ele sorri, um sorriso estranho e desce correndo até a cozinha para largar as coisas. Sobe até seu quarto e começa a se arrumar. Ela percebe que ele fala sozinho, e tem a certeza do que está falando "Estarei livre, livre!". O perfume, o perfume inebria o local completamente.
    Samanta aconda e ainda conseguen dentir o cheiro doce do perfume no local. Ela olha para o lado e ve o rapaz, olhando seriamente para ela.
    - Meu irmão era muito bonito não acha?
    - Ãh... você... você sabe o que eu sonhei?
    - Sei.
    - Como isso pode acontecer?
    - Eu sou um espirito... algum "poder" legal eu tinha que conseguir depois de morrer não é?
    Um pequeno sorriso surgiu nos labios de Samanta, era a primeira vez que sorria desde que estava presa ali.
    - Mas e então, o Renato era bonitão né? Tinha pinta de galã.
    - Você também era.
    - Claro, raquitico numa cama! Entrevado! Sem poder fazer nada! Sem ninguém comigo!
    - Mas e o seu irmão?
    O rapaz olha com raiva para Samanta e desaparece.
    Samanta fica pensativa, senti fome, a boca seca e a sede a deixam meio zonza. Resolve voltar a ler. Le as ultimas paginas do diário mas como esta fraca demais acaba dormindo novamente. Começa a sonhar Onde o rapaz mostra que a cada dia que passa sente a garganta mais seca e mais fraco se sente. Renato passa a tratalo com certa indiferença. Não lhe tras mais o mesmo conforto. Começa a largar a comida com ele e só voltar na hora da outra refeição. Sem nem sequer perguntar se estava bem. O perfume começou a ser sentido com mais frequencia, até o dia em que confirmou suas mais tristes suspeitas, ouvindo o irmão falando sozinho mais uma vez.
    "Ah, finalmente, hoje a Natalia será minha! Finalmente será minha!"
    Lagrimas correram por seus rosto, de raiva, de tristeza. As lagrimas de sua dor ficaram marcadas nas paginas do diário. Natalia, seu amor... nas mãos do seu irmão. Fora tudo tão rápido! Ele estava há uns 3 meses doente, não era pouco tempo ele sabia, mas ela já estava com Renato! Esse era o amor que ela sentia por ele, e as promessas todas onde ficaram? Perdidas junto com ele naquele sóton? E o irmão? Que tanto dizia estar preocupado com ele? Não podia tê-lo esperado morrer?
    Quando Renato voltou para casa naquele dia, estava sorridente. Comprimentou a familia de modo mais cordial do que o normal. Nisso ele percebeu que tudo estava perdido. Suas forças na recuperação simplesmente se esvairam do seu corpo e ele não mais lutou para se recuperar. O que ele não entendia era como Renato podia ser tão baixo a ponto de vir todos os dias em seu quarto lhe trazer a comida com um sorriso de felicidade estampado no rosto. Um dia não suportando mais a situação jogou o prato de comida sobre o irmão. Renato impaciente mostra finalmente a que veio.
    - Seu imbecil! Olha o que você fez! Eu estava pronto para sair!
    - Porque você acha que fiz isso? Você pensa que eu não sei? Eu sei que você está saindo com a Natalia! Desgraçado!
    - Ah, você sabe é? Então melhor assim, não preciso mais fingir que gosto de você! Seu idiota! Você é mais forte do que eu imagina! Já era para você ter morrido! Mas nem morrer você não consegue!
    - O que você quer dizer com isso??
    - Meu querido Gabriel... lembre-se que você nunca gostou do suco... não percebeu que o gosto do suco era ruim antes de você adoecer? Hahaha
    - O...o suco...o que você fez???
    - Apenas estou tentando me livrar de você!
    Nessa hora Renato pega o copo de suco e força Gabriel a tomar, esse fraco não consegue resistir a força de Renato e acaba bebendo. O liquido com um gosto mais insuportavel do que das outras vezes passa queimando pela sua garganta. E ele cai com ansia de vomito.
    - Pronto, dessa noite você não passa!
    - Alguém... alguém vai ver o que você fez Renato.
    - Vão nada seu otário! Vou dizer a todos não subirem aqui porque você não quer ser.. incomodado! Hahahahaha
    - Você não vai conseguir!
    - Não? Eu jah consegui.
    Renato sai do quarto e vai encontrar Natalia. Gabriel tenta se levantar mas não consegue. O enjoo e tontura são fortes demais. Ele resolve aproveitar suas ultimas forças e escrever tudo que passou naqueles momentos. Sabia que não poderia mais se levantar. Mas queria deixa uma prova de tudo que aconteceu.
    Nesse momento Samanta desperta, e novamente Gabriel a observa.
    - Meu Deus! Como ele pode?
    - Agora você entende porque ainda estou aqui?
    - Sim mas... e agora? Poruqe me mostrou tudo isso?
    - Depois de todos esses anos você é a única pessoa com condições de entender o que eu passei aqui.
    - Mas, eu não posso fazer nada por você...
    - Pode, você pode...
    - O que? O que eu poderia fazer? Eu vou morrer aqui! Nem tenho mais forçar para tentar abrir a porta! Não tenho forças pra nada!
    - Você é mais forte do que imagina.
    - Mais forte? Faça-me rir.
    - Você vai me ajudar?
    - Se estiver ao meu alcance...o que devo fazer?
     Esse diario, quero que o publique. Que o venda e faça todos lerem minha história!
    - Publicar? Mas eu nem consigo sair daqui!
    - Apenas prometa por sua vida.
    - Esta bem... eu prometo. - Samanta solta um sorriso zombeteiro
    - Você prometeu, espero que cumpra sua palavra.
    Nesse momento Gabriel desaparece, e a porta do sóton misteriosamente se abre. Samanta não acredita no que acabou que ver, junta todas as suas forças, pega o diário e segue em direção a escada.
    - Eu prometi e eu vou cumprir Gabriel. Não vou deixa-lo na mão.
    Enquanto descia as escadas, Gabriel a observava e pede em voz baixa.
    - Não esqueça de mim Samanta, eu lhe peço.
    Apesar de não ouvir, essas palavras ficaram gravadas em sua mente. Samanta desse lentamente as escadas e se depara com a porta da casa trancada. Antes de pensar em qualquer coisa ela subtamente se abre e Samanta pode sentir novamente o ar livre. A vizinha da casa ao lado a vê e corre até ela.
    - Samanta!!!! Meu Deus! Você está viva?!?!?! Ó céus! Venha querida venha! Com a graça de Deus, você está viva!
    - Rsrs por enquanto sim, eu preciso de água, urgentemente.
    - Claro, venha vou lhe dar algo para comer e beber. E vou ligar para seus pais. Eles não vão acreditar! Mas o que aconteceu? Graças você está bem. Todos nós quase morremos de tristeza...
    A vizinha de tão surpreza deixou Samanta zonza de tanto falar. Ligaram para seus pais imediatamente. Sua mãe desmaiou ao ouvir a notícia e seu pai não podia acreditar. Em menos de meia hora toda a família estava reunida e a levavam para o hospital para tomar soro e outras providencias. Já no hospital a noite, enquanto dormia sonhou com Gabriel, no sóton com um olhar perdido, olhando pela única janela que lá existia. Acordou com um aperto no coração e chamou o pai imediatamente.
    - Pai, preciso lhe pedir um favor. É algo muito importante.
    - Fale minha princesa, qualquer coisa que você quiser. Estou tão feliz que estaja conosco novamente!
    - Por favor, me alcance aquele livro?
    - Aqui está.
    - Eu lhe peço, por favor, mande que publiquem esse livro. É uma história real, de alguém que precisa de ajuda ainda hoje.
    - Ajuda? Onde encontrou isso?
    - Não sei se você vai acreditar. Mas enquanto estive presa naquele sóton eu encontrei esse diario. A alma desse podre rapaz está presa, precisando ser libertada, e só conseguira isso depois que lerem a sua história.
    - Minha filha, não sei do que está falando. Mas se é o que você quer. Eu prometo que fazer o que me pede.
    - Obrigada.
    Em uma semana Samanta se mudava para sua nova casa. Seus pais acharam melhor não voltar para a casa antiga, pois havia sido demais para todos o que haviam passado ali. dentro de um mês o livro estava pronto e já podia ser encontrado em todas as livrarias.
    Nessa noite Samanta novamente sonhou com Gabriel. Ele aparecia na sua casa nova, lhe beijava o rosto e falava:
    - Obrigado Samanta, Obrigado! Finalmente estou livre, livre para seguir em frente. Você cumpriu sua promeça e por isso estou em paz. Obrigado.
    Ele foi indo em direção a porta de seu quarto, olhou para ela por sobre o ombro e sorriu. Um sorriso lindo, cheio de alegria e vida. Samanta nunca imaginou como aquele jovem tão abatido poderia ser tão belo por traz de toda a amargura. Samanta desperta, olha em volta com esperanças de ver Gabriel por uma ultima vez, mas tudo que resta é uma flor em seu travesseiro. Uma paz enorme toma conta de seu peito. E ela sente que cumpriu sua palavra.
    As passoas começaram a comprar e chegou no ranking dos 10 mais lidos. Renato fora encontrado e entrevistado sobre tudo que havia escrito no diário. Apesar de negar friamente ninguém acreditou em suas palavras. Por ser já um senhor idoso a policia nada fez. Natalia, o grande amor de Gabriel havia morrido cinco anos antes, e vivera toda sua vida ao lado de Renato. Renato aparece morto uma semana depois do inicio das entrevistas, ele se mata enforcado em seu apartamento. Deixando uma carta com apenas 3 palavras...
    "Perdoe-me meu irmão"